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Nos últimos 4 anos, estado do Rio aumenta em 400% número de pessoas que não têm o que comer

Foto: Depositphotos.com.
No rio

Os fluminenses têm enfrentado uma realidade muito difícil. Entenda!

A vida do brasileiro não tem sido fácil dos últimos anos. O aumento dos preços tem prejudicado os lares brasileiros, obrigado os consumidores a repensar nas suas compras no mercado e até mesmo diminuir os itens dentro de seus carrinhos.

Para alguns, no entanto, a realidade é ainda mais séria. De acordo com uma matéria do O Globo, apenas no estado do Rio de Janeiro, são cerca de 2,8 milhões de cidadãos passando fome, um número que equivalente a 15,9% da população fluminense.

Os dados foram divulgados no Encontro Nacional Contra a Fome, organizado pela ONG Ação da Cidadania, que fazem parte do 2º Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil, promovido pela Rede PENSSAN.

A pesquisa investigou a fome em nosso país de 2018 a 2022. No Rio de Janeiro, a porcentagem de aumento de fome nos últimos quatro anos alcançou alarmantes 400%. A população que está em situação de insegurança alimentar leve, moderada ou grave — ou seja, vivendo algum tipo de restrição no acesso à alimentação — chegou a 60% da população do Rio, contra 32,2% de quatro anos atrás.

Rodrigo “Kiko” Afonso, diretor executivo da Ação da Cidadania, disse em entrevista que os números são alarmantes, mas precisam ser divulgados para que o governo e também a sociedade pense em como resolver a situação.

A renda média do brasileiro também está em queda

A pobreza e a fome dos brasileiros se evidenciam também pela queda na renda e no poder de compra da população. O Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico), do governo federal, reuniu alguns números, também do estado do Rio de Janeiro, que trazem preocupação.

De abril de 2020 até o mesmo mês deste ano, o número de famílias em situação de extrema pobreza (com uma renda per capita de até R$ 105 por mês) subiu de 946.090 para 1.509.899, uma alta que representa 59,6%.

Apenas na região metropolitana do estado, dos 22 municípios, 15 teriam mais de 20% da população em situação de imensa necessidade. Em Nova Iguaçu, o crescimento de famílias que estão vivendo em extrema pobreza passou de 5.265 em maio de 2020 para 9.181 em abril deste ano.

A situação tem se agravado também porque os fluminenses têm vivido uma queda em sua renda média. No primeiro trimestre de 2021, o valor era de R$ 1.387, mas nesse ano passou para R$ 1.248.

Em um quadro nacional, o estado tem se destacado negativamente, embora tenha passando da quarta maior média para a sexta, ultrapassado por Paraná e Rio Grande do Sul. Nem a cesta básica oferece mais um acalento para a população, com uma alta absurda de valor, passando de R$ 460,46 no início de 2019 para R$ 768,42 em abril de 2022.

O papel do desemprego

A taxa de desemprego no país, nos três primeiros meses do ano, atinigu 14,9%, superando a taxa do país, que chegou a 11,1%. Em depoimento ao O Globo, o economista Marcelo Neri, diretor da FGV Social, acrescentou que no estado do Rio, a taxa de desocupação tem crescido também entre os mais pobres, atingindo 38% no primeiro trimestre deste ano, contra 28% em todo o país.

As dificuldades enfrentadas pela população, e a dificuldade cada vez maior de manter o pão de cada dia na mesa motivaram o economista a fazer uma pesquisa sobre como a fome se manifesta no Brasil. O estudo, chamado “Insegurança alimentar no Brasil: pandemia, tendências e comparações globais” se baseou em dados do Gallup World Poll, e relata um recorde no número de brasileiros que não teve como alimentar a si mesmo ou a sua família nos últimos 12 meses. A porcentagem de 36%, do dado que começou a ser contado em 2006, pela primeira vez superou a média mundial de 35%.