Comportamento

“Nos tratam como suspeitos.” Casal é acusado de roubar filhos adotivos gêmeos por serem brancos

Desde que adotaram os gêmeos idênticos, Jennifer e Harry contam que passam por sucessivos episódios de racismo, incluindo a acusação de sequestrar os próprios filhos.



A adoção é um momento pelo qual muitas famílias aguardam ansiosamente, planejando cada segundo da chegada dos novos filhos, independentemente da idade deles.

Nem sempre é possível que as crianças fiquem com suas famílias biológicas, por inúmeros fatores, como ausência de capacidade emocional, desigualdade social, vício ou outras manifestações de insegurança que podem colocar a vida delas em risco.

São indivíduos que precisam urgentemente de uma casa, não apenas porque ter um lar e uma família é direito de todos, mas também porque estão em um período de desenvolvimento emocional, físico e mental, que exige que adultos guiem seus caminhos da melhor forma possível. Esse processo de evolução exige supervisão, mas também muito cuidado e carinho, principalmente porque muitos carregam cicatrizes e traumas complexos.


Mesmo com muita determinação e vontade de adotar, algumas famílias relatam dificuldades, como é o caso de Jennifer McDuffie-Morre e seu marido Harry Morre. O casal adotou Brayden e Trevor, gêmeos idênticos, que haviam sido afastados da mãe biológica depois da comprovação de que ela consumia drogas, colocando em risco a saúde dos dois.

Foram dois longos anos de espera até transformar a adoção em algo oficial, e quando completaram três anos, eles puderam, finalmente, comemorar como parte da família, ao lado de Joy, de 21 anos; Kourtney, de 11; Keenan, 10; e Sanchez, de 8. Os dois últimos também são adotivos.

Direitos autorais: reprodução Instagram/@mssjenndoublem.

Desde então, Jennifer e Harry contam que têm passado por uma série de episódios racistas, segundo reportagem do Mirror, incluindo acusação de sequestro. A mãe, de 43 anos, foi acusada de tentar sequestrar o próprio filho, sendo ameaçada por uma mulher que acreditava que ela estava tentando levar o menino à força.


Foi preciso que um dos meninos dissesse que aquela era sua mãe, e ela afirma que não é necessário justificar os motivos de as pessoas cuidarem da própria vida. Em 2016, os pais adotaram Keenan, que também é branco, mas explicam que o racismo começou a se intensificar e piorar com os gêmeos, principalmente por conta do assassinato de George Floyd.

Eles explicam que existem muitas dúvidas do sistema em relação a eles, questionando sua capacidade de criar as crianças. Mesmo pegando os meninos com 3 meses de idade, eles precisaram de 2.695 dias para adotá-los oficialmente.

Direitos autorais: reprodução Instagram/@mssjenndoublem.

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Jennifer prefere não alimentar essas questões dentro de si e revela que, sim, sabe muito bem quando recebe olhares nos supermercados e em postos de gasolina, mas não vai permitir que abalem sua vida. Mesmo assim, conversa frequentemente com os filhos sobre raça e classe social, para que eles cresçam sabendo exatamente como se comportar e o que esperar da sociedade.

Antes eles atuavam como família provisória, ou seja, abriam as portas de casa para receber crianças órfãs ou sem os pais até encontrar uma família adotiva definitiva. E foi assim que iniciaram o processo com os gêmeos, mas após um ano de convivência, Jennifer e Harry já sabiam que não conseguiriam mais viver sem os dois, e optaram por oficializar a situação.

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