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“Nós vamos gerar bebês em ventres artificiais em uma década”, dizem cientistas

Capa Nos vamos gerar bebes em ventres artificiais em uma decada dizem cientistas

Cientistas trabalham em uma forma de gestar fetos extremamente jovens em bolsas uterinas artificiais, como uma maneira de manter vivos os bebês prematuros.



Na Filadélfia, Estados Unidos, um grupo de cientistas tem se empenhado, desde 2017, para criar um mecanismo capaz de gestar bebês em bolsas extrauterinas, tudo em laboratório. Segundo reportagem do The Guardian, o experimento lembra – e muito – os campos de fetos do filme Matrix, em que não existe mãe, maternidade ou parentesco entre os cidadãos que habitam aquele mundo [no futuro].

Parece história de ficção científica, pronta para aparecer em qualquer tela de cinema, mas esse experimento existe mesmo. Chamado de Biobag, os úteros artificiais estão sendo testados com fetos de cordeiros.

Segundo Emily Partridge, Marcus Davey e Alan Flake, neonatologistas, fisiologistas do desenvolvimento e cirurgiões, que trabalham com bebês extremamente prematuros no Hospital Infantil da Filadélfia (CHOP), o protótipo foi criado com o único propósito de salvar os humanos mais vulneráveis.


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Direitos autorais: reprodução/Hospital Infantil da Filadélfia.

Depois de três anos de ajustes e testes, o útero artificial foi projetado para dar aos bebês prematuros mais chances de sobrevivência do que as incubadoras. A equipe publicou sua pesquisa sobre o assunto na revista Nature, em 2017, onde explica sobre o sistema extrauterino como apoio para manter vivos os fetos de cordeiro extremamente prematuros.

O protótipo consiste numa placenta substituta: um oxigenador conectado ao cordão umbilical, que retira dióxido de carbono e oferece nutrientes ao feto. O sangue é bombeado da mesma forma como intrauterinamente, totalmente pelas batidas do coração do bebê.

A bolsa é semelhante a uma bolsa amniótica, cheia de líquido quente e estéril, criado em laboratório, que o cordeiro respira e engole, exatamente como um feto humano.


Alan Flake, no lançamento do protótipo pelo hospital, explica que os pais podem acompanhar seus bebês em tempo real, enquanto Marcus Davey diz que, no futuro, as UTIs neonatais serão muito parecidas com incubadoras tradicionais.

Essa pode ser uma forma de prolongar a vida dos fetos extremamente prematuros.

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Direitos autorais: reprodução Revista Nature/Hospital Infantil da Filadélfia.

Biologicamente, a gestação humana normal dura 40 semanas, e todo e qualquer bebê que nasce antes de 37 semanas já é considerado prematuro. O limite para o bebê conseguir se manter vivo é entre 23 e 24 semanas, tempo mínimo para os médicos considerarem que a criança pode resistir à prematuridade do seu parto.


Um bebê que nasce morto, com 24 semanas, é classificado como natimorto, um bebê nascido morto com 23 semanas e 6 dias já é considerado aborto espontâneo. A linha que separa um do outro é muito tênue.

Em países com bons hospitais, as chances de um bebê de 23 semanas ficar vivo é de 24%, sendo que 87% deles terão graves complicações, como problemas intestinais, pulmonares, cerebrais e cegueira. As incubadoras são capazes de suprir algumas das necessidades desses recém-nascidos, mas não é capaz de prolongar o processo gestacional, já a Biobag consegue.

A ideia é que mulheres com altos riscos de parto prematuro, caso desejem, podem transferir seus bebês para um útero artificial. Pode parecer algo extremo ou aterrorizante, mas quem seria capaz de negar uma vida saudável aos filhos considerando-se as altas chances de complicações e deficiências? O maior desejo dos pesquisadores é que a invenção seja encarada como eticamente normal.

Mas o Biobag não é uma invenção revolucionária. Desde a década de 1950, os cientistas vêm explorando essa área. Também não é o único já inventado.


Na Austrália Ocidental, Matt Kemp também tem trabalhado em sua versão de útero artificial, chamado Ex-Vivo Uterine Environment ou EVE Therapy, em homenagem à primeira mulher da humanidade.

Mas Matt Kemp acredita que ainda não exista uma data para que esses testes comecem a ser feitos de forma direcionada em seres humanos. De acordo com ele, todos os ensaios partiram de gestações saudáveis, algo que não acontecerá quando for realizado em humanos. Provavelmente, o primeiro feto, segundo Kemp, será extremamente frágil e doente, o que exige que a pesquisa esteja em outro nível de profundidade.

O pesquisador da Austrália conseguiu realizar a primeira gestação completa com seu método em 2019, quando um bebê nasceu com apenas 23 semanas e precisava completar seu período gestacional. A mãe Bree Viner aceitou a proposta e sabia que aquela era a única chance de salvar seu filho, mesmo que ele tivesse sequelas. O desenvolvimento foi um sucesso e, depois de 121 dias, Bree pôde levar seu filho Leighton para casa, sem nenhuma sequela.

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Direitos autorais: reprodução Facebook/Bree Viner.


Os cientistas também são enfáticos em explicar que existem limites éticos para essa pesquisa, mas que é natural os pais de uma criança quererem, a todo custo, mantê-la viva. Em outra ocasião, a fecundação in vitro também foi considerada “coisa de outro mundo”, como se tivesse saído de um filme, mas hoje em dia é totalmente viável e muito praticada.

A ectogênese completa ainda está longe de existir, todas as pesquisas apontam para um caminho em que a gestação se inicia no útero e, posteriormente, o bebê é passado para a bolsa extrauterina artificial. Ou seja, a gestação completa fora dos corpos femininos ainda não é possível, mas os úteros artificiais já existem.

As mulheres, que já são vistas pelo seu poder reprodutivo, poderão se beneficiar desse processo? Ele será usado apenas por quem não consegue ter filhos? As mulheres conseguirão, até lá, ser reconhecidas como indivíduos iguais aos homens?

As perguntas são muitas, mas ainda existe tempo para acompanhar o processo evolutivo desses protótipos. O que você pensa do assunto? É uma boa invenção?


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