Nossa zona de conforto – não se pode estar bem e ser feliz, alimentando a preguiça de viver.

Todo mundo conhece aquele bichinho simpático com carinha de velhinho, sereno, sereno, conhecido por bicho preguiça.  Ele tem esse nome por causa do seu metabolismo que é responsável por sua lentidão.

Dormem cerca de catorze horas por dia (que inveja), tem apenas um bebê por vez, só faz suas necessidades a cada sete dias, bem perto de suas casinhas para não terem de andar muito.



Acredito que todos nós temos aqueles momentos de bichinho preguiça, afinal a vida é corrida, temos muitas responsabilidades e preocupações, o que nos deixa exaustos e muitas vezes nos sentimos assim, não querendo sair do lugar.

Muito bem! Essa questão complica quando isso passa a ser uma constante em nossas vidas.

Ai parece que inércia e preguiça viram sinônimos, de todo modo todas as duas motivadas pela desmotivação (se é que isso é possível).


A inércia é um conceito da física, onde, quando um corpo está em repouso, o mesmo tende a permanecer em repouso.

A física diz também que para mover um objeto é preciso de uma força igual ou superior à sua massa, onde massa é a energia inerte. Ou seja, em alguns dias ou fases de nossas vidas, precisamos de solavancos para nos mover e, às vezes, esse solavanco tem que ser muito forte para nos tirar do comodismo.

Quanto à preguiça, esta não aparece só na lista dos sete pecados capitais. Normalmente, diz-se que preguiçoso é aquele indivíduo avesso às atividades que mobilizem esforço físico ou mental.

Na verdade, penso que o preguiçoso é avesso ao esforço emocional. É o momento em que precisamos daquela força, que nem pode ser igual, mas muito superior a essa energia inerte, o que parece ambíguo, pois uma energia inerte parece algo impossível.


Ou seja, a energia está ali, mas parada, temos dentro de nós os elementos para romper o círculo vicioso da preguiça, mas é necessário que haja uma força para que esta entre em movimento.

Preguiçoso é o sinônimo de pessoas que frequentemente adiam compromissos, decisões, projetos, mudanças, ou até simples afazeres rotineiros, comprometendo o resultado desejado, com a justificativa de que não houve tempo, ou que irá realizar outro dia. Utilizam-se do desânimo, esquecimento, como estratégia para fugir da necessidade de arregaçar as mangas e enfrentar a parte que lhes cabe realizar na vida.

Esta não é uma abordagem  crítica, pejorativa ou julgadora, mas para ser refletida, pois todo comportamento é fundamentado em alguma razão, independente de qual seja.

Esta conduta “preguiçosa” leva-nos à inércia e assim, sentimo-nos muitas vezes imobilizados perante a vida.

Ao invés de sentir vergonha por ter preguiça, , deveríamos tentar entender as razões de sua presença em nossos dias.

O movimento que parece pequeno para o atleta é vivenciado como avassalador para quem vive sentado no sofá vendo TV. Por que o atleta tem a pré-disposição que o sedentário não tem? Por que uns são elétricos e cheios de atitudes e outros ficam “sentados no trono de um apartamento esperando a morte chegar”?

Encontrar e entender a verdadeira razão de se sentir assim é algo complexo que exige uma profunda vontade de virar o jogo, de admitir que algo não está bem, não é que tudo esteja dando errado ou que você passe noites e noites a fio matutando aquele problema que precisa urgentemente ser resolvido. Pelo contrário, você tem seu trabalho e estudo, casa, familiares, amigos… A grana, às vezes é curta, mas é mais que natural em tempos difíceis como estes, mas enfim, no geral, tudo “está indo” (aquela famosa frase de resposta quando nos perguntam como estão as coisas).

Mas, não, as coisas não estão indo. Quer dizer, os dias passam rápidos, o mês demora a acabar, tudo ao seu redor em movimento e aquela sensação de pausa continua dentro do seu ser. A preguiça está latente e estamos abandonados à inércia.

Chega-se a um ponto em que se tem preguiça de levantar.  Preguiça de pegar o casaco que a mãe mandou.  Preguiça de ler o contrato.  Preguiça de trabalhar.  Preguiça de suar na academia e ter que tomar banho depois.  Preguiça de ser polêmico.  Preguiça de esperar e de ter paciência.  Preguiça de fazer o que sempre quis.   Preguiça de gente.  Preguiça de se importar.  Preguiça de sair.  Preguiça de sujar para não ter que limpar depois. Preguiça de trocar as lâmpadas queimadas.  Preguiça de arrumar o armário.  Preguiça de dar bronca no filho. Preguiça de falar sobre determinado assunto necessário.  Até preguiça de relacionamentos.

Parece que o desânimo de viver tornou-se uma epidemia entre nós. É a preguiça de sorrir e desejar “bom dia” ao caixa do banco antes de efetuar o pagamento. A falta de paciência de continuar o curso de inglês que você já parou dezenas de vezes. O desânimo de se relacionar, conhecer, ouvir a história do outro.

Movimento é vida, tudo o que vive se mexe. Quanto menos nos mexemos mais estamos próximos à morte. Somente o morto está parado. Entender, perguntar-se, mudar de ideia, clarear, discernir, duvidar, sacudir costumes, rever medos e limites… A inércia é fortalecida pela falta de atitudes  e produz um círculo vicioso. Preguiça, inércia, preguiça, inércia…

Em geral, as pessoas não gostam de mudar.  Mudar dá trabalho, exige movimento, atitudes, sair da zona de conforto, do comodismo.   

Se agirmos sempre da mesma maneira, obteremos sempre os mesmos resultados, no entanto, mesmo que isso nos seja claro, existe um enorme sacrifício em tentar fazer diferente, em começar algo novo, em fazer movimento.

Virar esse jogo, interromper o círculo vicioso, mudar o movimento das energias não é algo nada simples. É preciso encontrar um modo, motivos, ferramentas. É preciso refletir, não desistir, é preciso compreender que a vida terá de ser vivida. É preciso entender que a leis da física são exatas e tentar praticá-las, pois se um corpo está em movimento, tende a permanecer em movimento.

Não se pode estar bem e ser feliz se alimentamos a preguiça de viver.

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Texto escrito com exclusividade para o site O Segredo. É proibida a divulgação deste material em páginas comerciais, seja em forma de texto, vídeo ou imagem, mesmo com os devidos créditos.




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