Comportamento

Nossos filhos nos esquecerão

Capa Nossos filhos nos esquecerao

O terror de muitos pais é dedicar uma vida toda aos filhos e não ter reconhecimento, mas isso pode ser algo inevitável



Ter um filho, um bebê, por vezes pode ser assustador. Além de toda carga social que trazer uma criança ao mundo representa, é impactante o quanto uma criança pode depender de você até mesmo para continuar viva e respirando, ainda mais na tenra idade, em que há não muito tempo a casa desse pequeno indivíduo era o útero de sua genitora.

A primeira infância não é fácil, mas os desafios que vêm a seguir na jornada da parentalidade faz com que vários homens e mulheres desejem ter de volta seus bebezinhos e frágeis, ao invés de adultos formados em que sua prole se transformou. Por incrível que pareça, a tarefa incansável de manter um ser tão vulnerável vivo pode ser menos complexa do que outros desafios de sermos pais.

Uma verdade amarga é que não nos preparam para esse golpe que a maioria dos pais sofre: nossos filhos nos esquecerão. O pequeno ser humano que um dia precisou de você para tudo um dia irá caminhar por esta terra com vagas lembranças – quando muito – de tudo que você sacrificou por ele.


E muitos não farão isso por maldade, por ingratidão, nem por vingança, é apenas porque é assim que as coisas funcionam, o caminho segue. Eles esqueceram de nós no sentido de que ganharam o mundo, para o bem e para o mal, e outras prioridades ocuparam mais espaço em suas mentes.

Um dia você é o ser humano mais importante da vida deles; no outro, apenas alguém para quem eles esquecem de ligar nas datas comemorativas. E não podemos julgá-los, pois muitos de nós fizemos o mesmo com nossos pais. E aqueles que foram impedidos de conhecer o mundo fora da perspectiva de seu pai ou mãe ficaram a contragosto e agora se ressentem justamente das pessoas que os criaram e trouxeram até aqui.

Dizemos que criamos filhos para o mundo, mas ficamos devastados quando de fato eles voam para fora do ninho. Uma relação de cuidado que por muitos anos foi nutrida apenas de um lado, o nosso, pois eles não sabiam ainda como se comunicar nem entender o que a nossa luta em sua criação significou.

Não é possível cobrar sua permanência conosco para sempre, que voltem a ser nossos pequenos bebês, os quais era o nosso dever mais sagrado proteger. E continuará sendo! Nossos filhos nos esquecem por momentos para que possam escrever as próprias histórias. Devemos celebrar a sua garra e vontade de alcançar o desconhecido, não sentar e nos lamentar amargamente, embora algumas lágrimas sejam permitidas, pois como é agridoce a sensação de vê-los partir!


Aproveite seus bebês enquanto ainda é possível! Lembre-se que um dia, talvez não amanhã, nem nos próximos 20 anos, mas um dia você faria o que fosse preciso para ter toda aquela devoção e necessidade de volta. Você até mesmo os amaldiçoaria por deixá-lo para trás na fase em que eles precisam seguir em frente.

Tenha noção desde a gravidez que, mais cedo ou mais tarde, sua criança preciosa terá de deixar a cena para construir a própria narrativa. Incentive-a a ir, a voar para longe, aonde você mesmo nunca foi. Mas deixe suas camas vagas e um abraço reservado para sua volta.

Nossos filhos nos esquecerão por vezes, mas, quando menos se espera, quando nós mesmos já aprendemos como era viver antes de sua chegada gloriosa ao nosso lar, eles voltarão.

Se tudo for feito com amor, eles se lembrarão de nós. Suas memórias podem falhar, seus planos darem certo ou naufragar terrivelmente. Quando o afeto reinou desde que eram apenas crianças, eles se lembrarão de nós e de que têm para onde voltar.


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