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Cão Orelha: boicote de agências provoca cancelamentos em hotéis de SC

A morte do cão comunitário Orelha em Santa Catarina por adolescentes gerou grande repercussão

Avatar De Ana CarolineAna CarolineNotícias02/02/2026 às 14:17

Cão Orelha: Boicote De Agências Provoca Cancelamentos Em Hotéis De Sc
Foto: Reprodução / Instagram - @ivomeirelles

O caso envolvendo a morte do cão comunitário Orelha, ocorrida em uma praia de Santa Catarina e atribuído a atos de maus-tratos cometidos por adolescentes, provocou reações que ultrapassam a esfera policial.

Agências de turismo ligadas às famílias dos jovens envolvidos começaram a enfrentar uma série de cancelamentos em resposta à indignação do público.

A mobilização, conduzida principalmente pelas redes sociais, ganhou corpo por meio de notas oficiais que condenam a violência contra animais e reafirmam princípios éticos.

Empresas anunciam suspensão de parcerias

Nos últimos dias, o movimento ganhou força com diversas agências anunciando a suspensão de parcerias comerciais. Uma das primeiras a se posicionar foi a ERS Viagens e Turismo, de São Caetano do Sul (SP).

A empresa publicou em suas redes sociais: “Somos uma empresa que preza pelo respeito, pela ética e pelo cuidado com todos — pessoas e animais. Não compactuamos com qualquer tipo de ação que vá contra esses valores.”

A ERS reforçou o compromisso de continuar trabalhando com parceiros alinhados aos seus princípios fundamentais.

Na sequência, a Bony Travel Experience, especializada em viagens com milhas e roteiros personalizados, compartilhou um posicionamento semelhante. Em publicação no Instagram, a fundadora Luciene Bony declarou:

“Todo o nosso trabalho é voltado para pessoas e empresas que prezam o respeito e a ética. O cuidado deve ser voltado para todos. Em nenhuma hipótese vamos compactuar com qualquer tipo de atitude que vá contra nossos valores.”

Luciene, que se identificou como mãe de pet, ressaltou que “defendemos quem ama a vida”, inspirando-se na iniciativa da ERS Viagens.

Outras agências aderem ao movimento

A mobilização se expandiu rapidamente. A Tâmega Turismo e Seguros, com sede em Santos (SP), anunciou que suspendeu de forma definitiva a comercialização de hospedagens vinculadas ao caso:

“Diante do grave ocorrido envolvendo o cachorro Orelha, informamos que suspendemos de forma definitiva a comercialização.”

Outras agências, como Globo Tour Viagens, Mundo Color Prime e LTC Viagens e Turismo, também se manifestaram nas redes sociais.

Em suas notas, destacaram que “viajar vai além de destinos e hotéis, envolvendo valores, ética e responsabilidade”. A Excellence Viagens e a Brasil Tur adotaram a mesma postura, enfatizando o compromisso com o bem-estar animal e a rejeição de qualquer forma de violência.

Grandes operadoras também tomam posição

O movimento chegou a grandes operadoras. Uma franquia da CVC, uma das maiores redes de turismo do país, comentou em publicações relacionadas ao episódio que suspendeu as vendas associadas às empresas mencionadas, desde o início das investigações.

A empresa afirmou: “Não toleramos atos de agressão.”

Impacto nas redes sociais e mobilização digital

Embora o impacto econômico ainda esteja sendo mensurado, há relatos de cancelamentos em massa nas empresas associadas às famílias dos adolescentes.

A disseminação de Reels e postagens gerou engajamento expressivo, impulsionando a hashtag #JustiçaPeloOrelha no X (antigo Twitter). Uma das postagens mais viralizadas dizia:

“Agência de viagem interrompe comercialização de hospedagens para rede de hotéis dos pais dos adolescentes envolvidos na morte do cachorro Orelha.”

Especialistas do setor turístico veem o caso como parte de uma tendência mais ampla: empresas e consumidores estão cada vez mais atentos a causas sociais e ambientais.

Segundo um analista de mercado, “o turismo está mais sensível a questões éticas”, e episódios como esse podem afetar o setor a longo prazo.

Investigação policial e mobilização contínua

As investigações policiais continuam, com adolescentes sendo indiciados por maus-tratos e familiares por coação de testemunhas. Enquanto isso, a mobilização nas redes sociais permanece ativa.

As agências envolvidas no boicote afirmam que a decisão de se afastar das empresas ligadas ao caso se baseia em valores institucionais — não em pressão popular — e que novas adesões ao movimento continuam ocorrendo diariamente.

Posicionamento dos hotéis envolvidos

Frente à repercussão, alguns hotéis passaram a divulgar notas de esclarecimento. O Majestic Palace Hotel Florianópolis publicou um comunicado oficial no qual nega qualquer envolvimento com os adolescentes investigados.

O hotel atribui as associações a uma coincidência de sobrenomes e ressaltou sua política pet friendly mantida há mais de 15 anos, seu apoio à adoção de animais e seu repúdio a qualquer forma de violência contra animais.

A Polícia Civil de Santa Catarina confirmou que, até o momento, não há vínculo comprovado entre o hotel e os suspeitos.

Já a Rede Mar Canavieiras e o Al Mare Florianópolis também enfrentam boicotes, mas ainda não divulgaram posicionamentos oficiais em resposta às acusações ou às suspensões das agências.

Revisões e ajustes nas medidas de boicote

Em meio às reações, algumas agências optaram por revisar seus posicionamentos. A Eurotrip Consultoria, com sede em Anápolis (GO), chegou a remover o Majestic Palace de sua lista de boicote após esclarecimentos fornecidos pela administração do hotel. No entanto, manteve a suspensão em relação a outras empresas ligadas ao caso.

Enquanto os desdobramentos seguem na esfera jurídica e o debate se intensifica nas redes, o caso se consolida como um marco na relação entre turismo, responsabilidade social e ativismo digital.

O episódio de Orelha mostrou como valores éticos estão, cada vez mais, no centro das decisões comerciais e da opinião pública.

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