A família de um adolescente, inicialmente suspeito e depois testemunha na morte do cachorro Orelha, expressou alívio após o encerramento do inquérito
Após o encerramento do inquérito que investigava a morte do cachorro Orelha, a família de um dos adolescentes inicialmente investigados e que depois foi reconhecido como testemunha no caso decidiu se manifestar.
Em nota oficial, os familiares demonstraram indignação com as reações nas redes sociais, criticaram os boicotes convocados contra sua empresa e classificaram como irresponsável a “incitação de violência” em meio à comoção pública.
Afirmaram ainda que a etapa mais dolorosa de suas vidas chegou ao fim, reforçando que “a verdade prevaleceu”.
Recebemos essa conclusão com o alívio de quem vê restabelecido o senso de justiça em relação ao nosso filho. Isso não apaga o sofrimento terrível vivido. Nossa família atravessou semanas de angústia, medo, desgaste emocional e pressão psicológica
Na mesma nota, a família também lamentou a propagação de conteúdos falsos e ofensivos ao longo da apuração:
Nossa família atravessou semanas de angústia, medo, desgaste emocional e pressão psicológica. Fomos alvos de boatos, mentiras, incitação de violência e crimes digitais que jamais deveriam fazer parte de uma sociedade que preza pelo respeito à vida de humanos e animais
Os parentes reforçaram compreender a comoção social diante da morte de um cão comunitário, mas fizeram uma distinção importante entre manifestação legítima e linchamento virtual. Segundo o posicionamento, parte das críticas extrapolou o razoável ao expor indevidamente um jovem inocente.
“A indignação social contra a morte de um cão comunitário é legítima. Mas há uma grande diferença quando a manifestação ultrapassa os limites do bom senso ao criar narrativas difamatórias que geram ameaças à vida de um inocente”
O comunicado encerra destacando que, após o sofrimento enfrentado, o foco será restaurar a estabilidade emocional e buscar compensações legais pelos danos causados durante o processo.
A partir de agora, nosso foco é seguir em frente: cuidar da nossa família, mitigar os impactos pessoais deixados por esse terrível episódio e recompor, com dignidade, o que foi abalado. Buscaremos a reparação legal dos danos sofridos não por revanchismo ou rancor, mas como exercício de cidadania, transparência e afirmação de que crimes digitais e difamações não podem ser naturalizados
Na terça-feira, a Polícia Civil de Santa Catarina encerrou formalmente o inquérito. As conclusões indicam que um outro adolescente foi o único autor das agressões contra o cachorro Orelha.
Foi solicitada a internação provisória do menor, medida equivalente à prisão em casos envolvendo adultos. Os advogados de defesa, no entanto, negam as acusações. Além disso, outros três adultos foram indiciados por tentativa de coagir uma testemunha durante o andamento do caso.

Direitos autorais: Reprodução / Instagram – @ivomeirelles
Conhecido por sua natureza dócil, Orelha era um cão comunitário que vivia há cerca de dez anos na Praia Brava, sendo alimentado e protegido por comerciantes e moradores.
No mês passado, ele foi encontrado com ferimentos graves em uma área de mata. Apesar dos esforços da equipe veterinária, não resistiu e foi submetido à eutanásia, devido à gravidade dos traumas.
A polícia não confirmou se o adolescente acusado pelas agressões é o mesmo que inicialmente foi investigado.
Informações como nome, idade e endereço dos envolvidos seguem protegidas, conforme estabelece o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que garante sigilo absoluto nos procedimentos que envolvam menores de idade.
Os laudos da Polícia Científica apontaram que Orelha sofreu uma forte pancada na cabeça, que teria sido causada por um chute ou por um objeto rígido, como pedaço de madeira ou garrafa.
A agressão aconteceu por volta das 5h30 da manhã do dia 4 de janeiro.
Durante a investigação, a Polícia Civil ouviu 24 testemunhas e examinou mais de mil horas de filmagens, provenientes de 14 equipamentos de monitoramento espalhados pela região.
Também foi usada uma ferramenta francesa de análise digital para determinar a posição exata do autor no momento da agressão.
O inquérito foi oficialmente concluído após o adolescente apontado como autor prestar depoimento.
Com a investigação encerrada, o material foi enviado para análise do Ministério Público e do Poder Judiciário, que darão prosseguimento ao caso conforme os trâmites legais.
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