Cão Orelha: boné e moletom ajudaram PCSC a identificar autor do crime
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Cão Orelha: boné e moletom ajudaram PCSC a identificar autor do crime

As imagens de câmeras de segurança foram cruciais na investigação da Polícia Civil de Santa Catarina, revelando inconsistências no depoimento

Avatar De Ana CarolineAna CarolineNotícias04/02/2026 às 09:43 04/02/2026 às 09:52

Cão Orelha: Boné E Moletom Ajudaram Pcsc A Identificar Autor Do Crime
Foto: Divulgação / PMSC

Imagens de câmeras de segurança foram fundamentais para que a Polícia Civil de Santa Catarina identificasse contradições no relato do adolescente acusado pela morte do cão comunitário Orelha, na Praia Brava, em Florianópolis.

O inquérito policial foi concluído na terça-feira (3), e as autoridades solicitaram a internação provisória do adolescente, apontado como o autor das agressões.

Conforme afirmou o delegado Renan Balbino, o investigado omitiu informações relevantes e se contradisse em diversas partes do depoimento.

As câmeras registraram o momento em que o jovem deixou o condomínio onde se hospedava às 5h25 do dia 4 de janeiro, retornando às 5h58 acompanhado de uma amiga. Apesar disso, ele declarou à polícia que permaneceu o tempo todo na área da piscina. As agressões ao cão Orelha teriam ocorrido por volta das 5h30.

O adolescente não sabia que a Polícia possuía as imagens dele saindo do local e disse que havia ficado dentro do condomínio. As imagens, roupas e testemunhas confirmam que ele estava na praia, explicou o delegado

Laudo aponta lesões graves no cão comunitário

No dia 5 de janeiro, Orelha foi encontrado em estado agonizante na praia e encaminhado a atendimento veterinário, mas não resistiu aos ferimentos.

Derli Royer, responsável pelo socorro, relatou que o animal apresentava ferimentos sérios na cabeça e no olho esquerdo, além de estar em condição severa de desidratação.

Um laudo elaborado pela Polícia Científica indicou que o cão recebeu um golpe forte na cabeça, provavelmente causado por um chute ou pelo uso de algum objeto rígido, como madeira ou garrafa.

Por força do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), os nomes, idades e locais de residência dos envolvidos não foram divulgados. A investigação envolveu o depoimento de 24 testemunhas e a apuração de oito adolescentes ao longo do processo.

Vestimentas ajudaram a elucidar o crime

Um moletom e um boné rosa usados pelo adolescente desempenharam papel essencial na identificação do agressor. Segundo a delegada Mardjoli Valcareggi, o jovem havia retornado ao Brasil apenas em 29 de janeiro.

A Polícia Civil monitorou a antecipação de seu voo para realizar a abordagem assim que ele desembarcasse.

Durante a ação, a conduta de um familiar despertou suspeitas ao tentar esconder um boné rosa na própria bolsa.

Durante a abordagem, chamou atenção que um familiar tentou esconder um boné rosa na sua bolsa particular. Na revista da mala, esse mesmo familiar apresentou comportamento suspeito ao afirmar que o moletom havia sido adquirido durante a viagem, afirmou a delegada

As peças de roupa foram apreendidas e comparadas com registros em vídeo, confirmando a correspondência com as utilizadas no momento das agressões.

Investigação utilizou tecnologia internacional e análise extensa

As autoridades analisaram mais de mil horas de gravações de 14 câmeras de segurança diferentes, além de realizarem entrevistas com testemunhas e suspeitos.

Uma ferramenta de geolocalização de origem francesa também foi empregada para rastrear a movimentação do investigado.

“Como se tratava de um adolescente fora do país, ele poderia empreender fuga ou se desfazer de elementos importantes de prova, como a roupa utilizada e o aparelho celular”, afirmou a delegada, ressaltando a urgência e complexidade envolvidas na investigação.

Desfecho do caso Caramelo envolve mais adolescentes

Além do caso de Orelha, a Polícia Civil também concluiu o inquérito referente à tentativa de afogamento do cachorro Caramelo, ocorrida na mesma região.

Quatro adolescentes foram responsabilizados por atos infracionais análogos a maus-tratos.

A responsabilização dos adolescentes acontece por meio de uma “representação”, ato no qual o Ministério Público formaliza uma acusação por prática infracional.

Esse procedimento é o equivalente à denúncia no sistema penal adulto, e tem como objetivo dar início ao processo na Vara da Infância e Juventude.

Caso haja acolhimento por parte do juiz, podem ser aplicadas medidas socioeducativas aos envolvidos, uma vez que menores de idade não respondem criminalmente.

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