Suspeito, que conheceu a vítima em um abrigo, já havia sido condenado por matar a própria mãe

A mulher cujos restos foram encontrados em uma mala na Estação Rodoviária de Porto Alegre e o suspeito do crime se conheceram durante uma enchente, em um abrigo da cidade, em junho do ano passado, conforme relatou Raquel Costa, cunhada da vítima. O homem está preso preventivamente desde quinta-feira (4).
Brasília Costa, de 65 anos, e Ricardo Jardim, de 66, haviam encerrado o relacionamento em outubro de 2024, mas reataram há cerca de cinco meses. Eles planejavam uma viagem para João Pessoa (PB).
Brasília, que preferia ser chamada de Bia, era divorciada, não tinha filhos e era descrita como “reservada“, gostando de momentos sozinha. Ela nunca apresentou Ricardo aos familiares.
Segundo relatos, o publicitário alegou ter problemas com a mãe e os filhos, o que o fazia evitar sair. Em 2018, Ricardo foi condenado por matar a mãe e ocultar o corpo, crime cometido em 2015.
Ela (Brasília) sempre foi de ficar o final de semana todo aqui em casa. Vinha sexta e ia embora só domingo. Depois que estava com ele, ela não vinha mais e ficava. A última vez que ela veio foi em julho. E só almoçou com a gente e foi embora. Ele começou a mandar mensagem dizendo que ela tinha que ir
contou a cunhada
Até a última atualização desta reportagem, o suspeito ainda não tinha constituído defesa, segundo a Polícia Civil.
O suspeito estava com o celular da vítima e teria se passado por ela em mensagens para familiares após o crime, conforme a investigação. O conteúdo do celular e de outros dispositivos apreendidos será analisado pelos peritos.
A principal linha de investigação indica que, ao enviar mensagens pelo celular da vítima, nenhum amigo ou familiar suspeitou de algo errado, evitando assim o registro de desaparecimento.
A cabeça da vítima ainda não foi encontrada. Essa etapa é crucial para a identificação completa do corpo e para determinar a causa da morte.
A Justiça autoriza a progressão para o regime semiaberto e a liberação com monitoramento, devido à falta de vagas, exigindo apresentação obrigatória em até 48 horas.
Ricardo é solto da prisão.
Ricardo se apresenta ao Instituto Penal de Monitoramento Eletrônico, que informa não ter tornozeleiras disponíveis.
Uma tentativa de agendar a instalação da tornozeleira é feita, mas Ricardo não atende às chamadas.
É registrado um “Não Apresentação”, e ele passa a ser considerado foragido.
O Ministério Público solicita a emissão de um mandado de prisão.
O juiz regride cautelarmente o regime para fechado e expede um mandado de prisão.
Imagens de câmeras revelam um homem deixando a mala no guarda-volumes da Rodoviária no dia 20 de agosto. O objeto permaneceu no local por cerca de 12 dias, até ser aberto pela equipe do setor devido ao mau cheiro.
O autor cortou as pontas dos dedos para dificultar a identificação e deixou a cabeça por último, uma estratégia que, segundo a polícia, tinha o objetivo de atrasar o reconhecimento da vítima.
Conforme a investigação, o suspeito tinha um relacionamento com a vítima e tentou utilizar os cartões dela. Comprovantes de transações entre os dois foram encontrados. A motivação financeira está sendo investigada.
Os policiais apreenderam celulares e um notebook com o suspeito. O material será periciado após solicitações judiciais para acesso aos dados.
Atualmente, a Polícia Civil classifica o caso como feminicídio. Laudos complementares deverão indicar a causa da morte assim que todas as partes do corpo forem reunidas.
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