Doze idosos perderam parcial ou totalmente a visão após passarem por cirurgia de catarata

Doze idosos que se submeteram a cirurgias de catarata em um mutirão realizado em Taquaritinga, localizada a aproximadamente 300 km da capital paulista, perderam a visão parcial ou totalmente.
As cirurgias foram realizadas no dia 21 de outubro do ano passado. “Saí com muita dor, vista embaçada, e estou assim até hoje“, relata o soldador aposentado Benedito Donizete, 63 anos, que perdeu a visão do olho direito.
O paciente retornou à unidade em busca de ajuda. De acordo com Donizete, ele foi ao Ame (Ambulatório Médico de Especialidades), onde realizou o procedimento, para reclamar sobre o desconforto pós-cirúrgico.
O médico, entretanto, afirmou que era “normal“. “Toda semana eu ia lá. O médico disse que levava três meses para melhorar“, conta.
Dia 22, voltei para ser atendido e contei o que estava sentindo. O médico disse que estava tudo bem. Ele disse que [o embaçamento] era normal Benedito Donizete, 63.
Em novembro, a equipe médica se encontrou com os pacientes. Um mês após as cirurgias, diante de queixas constantes, os médicos convocaram uma reunião com os 12 idosos para discutir a situação. “Não sabem se foi a cirurgia ou o medicamento. Aí disseram que a gente ia passar a ser atendido em Araraquara, que tinha mais estrutura, e que todo mundo ia fazer transplante de córnea”, conta o soldador.
A Secretaria de Saúde de Taquaritinga comunicou que foi detectada uma inadequação na Sala de Materiais para Esterilização. Essa informação foi repassada à emissora EPTV.
Além disso, a secretaria informou que o local foi interditado pela vigilância sanitária estadual. A secretária executiva da Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, Priscilla Perdicaris, classificou o incidente como “um fato isolado gravíssimo” e anunciou uma investigação para esclarecer as causas.
A cirurgia de catarata é um dos procedimentos mais frequentes entre pessoas idosas e, quando executada de maneira adequada, pode recuperar a visão de forma eficaz.
O oftalmologista Oswaldo Ferreira Moura Brasil, que preside a Sociedade Brasileira de Oftalmologia, esclarece que, embora seja um procedimento seguro, é essencial que seja realizado em um ambiente apropriado e por profissionais qualificados.
É uma cirurgia extremamente segura, mas, como toda cirurgia, deve ser feita em condições adequadas. Ainda assim, complicações podem ocorrer, embora sejam raras, especialmente aquelas que levam à perda da visão explica o oftalmologista.
Uma das complicações mais sérias é a infecção ocular grave resultante da contaminação do material cirúrgico. “A bactéria prolifera dentro do olho e causa um quadro inflamatório intenso. Quando detectado precocemente, esse quadro pode ser tratado com injeção de antibiótico ou, em alguns casos, uma nova cirurgia chamada vitrectomia“, esclarece o médico. Ele ressalta, contudo, que não possui informações suficientes sobre o incidente que ocorreu em Taquaritinga.
Em certas situações, pacientes podem necessitar de um transplante de córnea. “Isso ocorre quando a córnea fica comprometida [pela infecção], mas o restante do olho está saudável. Podemos comparar a córnea ao vidro de um relógio: se o vidro está opaco, ele pode ser trocado, preservando o funcionamento interno“, explica. Ele enfatiza que um diagnóstico precoce e um tratamento adequado podem prevenir danos permanentes.
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