Os advogados encontraram inconsistências no processo.

No momento que o júri o considerou inocente, Thiago Augusto Alves de Souza irrompeu em lágrimas, comemorando de maneira emocionante.
Poucas coisas valem mais para o ser humano do que sua liberdade, o direito de ir e vir, de acessar espaços, de fazer sua voz ser ouvida e de ser respeitado. Alguns indivíduos passam anos lutando para ter certos espectros de liberdade, como a financeira, a intelectual ou até mesmo a pessoal.
Para Thiago Augusto Alves de Souza, preso em 2019 por tentativa de homicídio e supostamente integrar uma organização criminosa, ter a possibilidade de ouvir o júri concordando com sua inocência foi um dos momentos mais emocionantes de sua vida. O crime do qual o homem foi acusado aconteceu há três anos, e desde então ele estava preso.
Segundo reportagem do G1, o caso ocorreu em janeiro de 2019, em um supermercado que fica no bairro Parque São Vicente, no litoral de São Paulo. Um trio de assaltantes entrou no local e atirou cinco vezes no segurança, que sobreviveu ao ataque, passou por uma cirurgia com sedação e fez reconhecimento fotográfico de dois suspeitos cerca de quatro horas depois de dar entrada no hospital.
Thiago Augusto foi considerado um dos principais suspeitos e ficou preso até o julgamento, em março deste ano. Ele não era mais réu primário, pois foi preso em 2011 por tráfico de drogas e passou cinco anos cumprindo pena. Na época do tiroteio no supermercado, ele trabalhava com o pai em uma mecânica de carros, e alegou que não estava envolvido no caso, tendo inclusive um álibi para o momento do crime: ele estava na casa da mãe da namorada.

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As câmeras de segurança do local mostram que os atiradores usavam roupas diferentes das que Thiago usava naquele dia. No prédio em que morava com a mãe, as câmeras de monitoramento mostram que ele usava uma bermuda vermelha e uma blusa branca com bolso preto, apenas duas horas antes do crime. Uma foto do momento da prisão mostra que ele ainda estava com a bermuda vermelha.

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No ano passado, a família de Thiago já estava em busca de justiça e tentava provar sua inocência. Um dos pontos levantados pelos advogados Sirat Hussain Shah, Thiago Passos e Eduardo Elias foi justamente a diferença entre as roupas que os assaltantes usavam e as do seu cliente. Além disso, o porte físico deles também foi colocado como algo diferente.
Outra questão abordada pelos advogados foi o fato de não existir nenhum resíduo de pólvora nas mãos de Thiago, isso logo depois do exame residuográfico. Para eles, a forma de identificação dos suspeitos colocou em dúvida a certeza de que ele realmente tinha participado do tiroteio, principalmente porque o segurança tinha acabado de passar por uma cirurgia.
A namorada de Thiago, o padrasto e a mãe prestaram depoimento afirmando que eles tinham permanecido juntos o tempo inteiro e que era impossível ele estar no local do crime. O júri popular aconteceu no dia 15 de março, e depois de ouvir tudo sobre o caso, os jurados decidiram absolver o réu, considerado-o inocente. Segundo entrevista ao G1, mesmo depois de três anos preso injustamente, gostou de ver a Justiça sendo feita.
Assim que o juiz proclamou oficialmente a decisão do júri, Thiago se ajoelhou, chorou e agradeceu por ter sido colocado em liberdade. Todos ficaram emocionados no local e sentiram que finalmente viram uma resposta da justiça, mesmo que tenha demorado tanto.
Enquanto esteve preso, os advogados de Thiago afirmam que ele perdeu peso, não teve a chance de acompanhar o crescimento da filha, já que foi transferido para Lavínia, no interior de São Paulo, e perdeu outras inúmeras oportunidades. A detenção ainda resultou em prejuízos físicos, emocionais e psicológicos, ensejando possibilidade para que Thiago e sua família ingressem com ação de danos materiais e morais contra o Estado.