Ministério Público investiga saúde mental do Maníaco do Parque e debate sobre sua soltura em 2028
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O Ministério Público de São Paulo investiga o estado mental de Francisco de Assis Pereira para decidir se pode haver internação compulsória, enquanto a defesa afirma que ele está apto a voltar à sociedade. Sua pena máxima de 30 anos será cumprida em 2028, mas isso não garante sua libertação imediata.
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O que se sabe
FAQ editorial
O Ministério Público de São Paulo trabalha para esclarecer as condições de saúde do Maníaco do Parque, que em agosto de 2028 chegará a 30 anos consecutivos de prisão. Um relatório psicológico indica a necessidade de avaliações complementares, embora não traga diagnóstico conclusivo sobre seu quadro. Já a defesa sustenta que ele reúne condições para retornar à sociedade.
A hipótese de Francisco de Assis Pereira ser libertado em 2028 ganhou novo desdobramento: o órgão apura indícios de possível confusão mental do condenado e avalia se cabe pedido de internação compulsória. O despacho que deu início às investigações cita informações ainda de caráter informal e determina a busca por dados técnicos capazes de confirmar a veracidade desses relatos.
Ele cumpre pena na Penitenciária de Iaras, no interior de São Paulo, por assassinatos e crimes sexuais que chocaram o país durante os anos 1990.
Francisco de Assis Pereira atuava como motoboy quando passou a ser associado a ataques contra mulheres no Parque do Estado, em São Paulo. Fingindo ter ligação com o meio da moda, ele oferecia sessões de fotos para conduzir as vítimas até áreas de mata, local onde praticava violência sexual e cometia os assassinatos.
Foi a partir do achado de corpos e de depoimentos de mulheres que sobreviveram aos ataques que as investigações avançaram até chegar a sua identificação. Ele acabou preso em agosto de 1998, na cidade gaúcha de Itaqui, onde se mantinha escondido. No início, negou envolvimento nos crimes, mas depois admitiu parte deles e chegou a apontar os pontos onde havia abandonado as vítimas.
Somando todas as condenações, a pena calculada pela Justiça chega a 285 anos, 11 meses e 10 dias. A lista de crimes inclui homicídios qualificados, estupros, atentados violentos ao pudor, roubos, além de ocultação e vilipêndio de cadáveres.
A pena somada de Francisco de Assis Pereira ultrapassa dois séculos, mas o teto legal para cumprimento, no caso dele, é de 30 anos. A extensão para 40 anos, prevista no pacote anticrime de 2019, não pode retroagir para piorar a situação de quem foi condenado por crimes cometidos antes da mudança na lei.
Segundo despacho do Ministério Público, o Maníaco do Parque completará 30 anos ininterruptos de cumprimento de pena em 11 de agosto de 2028. É essa data que alimenta o debate sobre seu futuro — mas ela, isoladamente, não representa uma determinação de soltura já emitida pela Justiça.
No dia 24 de junho de 2026, o procurador de Justiça Paulo José de Palma determinou que a Secretaria da Administração Penitenciária fornecesse, no prazo de 15 dias, dados sobre o estado do detento e suas condições psicológicas. O texto mencionava um quadro aparente de intensa confusão mental e não afastava a possibilidade de, futuramente, ser aberta uma ação de internação compulsória.
Um laudo referente a atendimento psicológico realizado em 1º de julho apontou que Francisco se mostrou respeitoso e colaborativo ao longo da entrevista. A profissional relatou ainda falas extensas, retorno constante a determinados temas e a necessidade, em certos trechos, de intervir para reorganizar a ordem dos fatos narrados por ele.
Ao final, a psicóloga sugeriu que o caso fosse aprofundado tecnicamente, com acompanhamento neurológico e avaliação psiquiátrica complementar. Ela deixou claro que esse encaminhamento não tinha, naquele momento, caráter conclusivo ou diagnóstico. Assim, o documento não permite concluir que alguma doença específica tenha sido confirmada.
Já em agosto, a administração penitenciária comunicou a existência de mais três relatórios psicológicos, produzidos em julho. Em 25 de agosto, a Promotoria de Cerqueira César remeteu o expediente à unidade encarregada das execuções criminais da região de Bauru, para conhecimento e adoção das medidas cabíveis.
O advogado José Luiz Carmo Chaves declarou ao jornalista Josmar Jozino, do UOL, que seu cliente reúne condições para retornar ao convívio social. Ele solicitou ainda que uma psicóloga particular participe do processo.
Nos documentos analisados até o momento, consta apenas o registro da apuração sobre o estado de saúde de Francisco e a possibilidade de que medidas sejam adotadas posteriormente. Não há, portanto, nenhuma decisão que determine sua internação ou que garanta sua soltura em 2028.
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