Míriam Leitão assumirá a cadeira deixada por Cacá Diegues, falecido em fevereiro

A jornalista e autora Miriam Leitão foi escolhida como a mais nova membro da Academia Brasileira de Letras, ocupando a cadeira número 7. Entre os 16 postulantes, apenas ela e o ex-ministro Cristovam Buarque foram votados. A eleição foi decidida rapidamente, em menos de trinta minutos, com Miriam recebendo 20 votos contra 14 de Cristovam.
Miriam sucede o cineasta Cacá Diegues e se torna a 12ª mulher a integrar a academia em seus 128 anos de existência.
O patrono da cadeira é o poeta Castro Alves. Merval Pereira, presidente da Academia, celebrou sua chegada: “Ela tem um espectro muito amplo de interesses. Meio ambiente, causa indígena, causa dos negros, e nós estamos nessa mesma sintonia”.
Uma delegação da ABL visitou a residência da escritora para comunicar pessoalmente a notícia. Miriam expressou seu entusiasmo:
Meu sonho era escrever livros, ser capaz de escrever livros. E os livros me levaram até esse ponto, a Academia Brasileira de Letras, que é uma instituição de 128 anos, que tem um papel muito importante na sociedade brasileira, fundada por Machado de Assis, e o papel é preservar a língua portuguesa, proteger o nosso patrimônio cultural, disse ela.
Miriam Leitão não só escreveu ficção como também crônicas, romances e literatura infantil. Contudo, ganhou notoriedade principalmente por suas obras que desvendam as complexidades do Brasil. Ela aborda temas econômicos de uma maneira única, focando nas pessoas em vez de apenas números.
Sua abordagem sempre incluiu ouvir diretamente da população sobre suas experiências diárias com economia, indo além das explicações oficiais. Essa postura desafiadora tem sido uma constante em sua vida. Nascida em Caratinga, Minas Gerais, Miriam foi presa e torturada durante a ditadura militar brasileira enquanto estava grávida de seu primeiro filho.
“A eleição dela é, de certa maneira, uma dívida que o Brasil tem com ela, de alguém que arriscou a própria vida, a juventude, na defesa da democracia”, comentou Rosiska Darcy, jornalista e também imortal da ABL.
Após sua prisão, Miriam viveu no Espírito Santo e iniciou sua carreira jornalística em Vitória. Posteriormente mudou-se para Brasília e destacou-se nos principais periódicos nacionais. Em 1991 juntou-se ao Grupo Globo. Atualmente é comentarista no Bom Dia Brasil na Globo e na GloboNews. Além disso, contribui como colunista no jornal “O Globo” e comentarista na rádio CBN.
Miriam foi pioneira ao integrar as discussões sobre economia e meio ambiente. Seu trabalho inovador lhe rendeu reconhecimento internacional, incluindo ser a primeira brasileira laureada com o prestigioso prêmio Maria Moors Cabot pela Universidade de Columbia nos EUA.
Nesta quarta-feira (30), Miriam realizou seu sonho de infância: tornar-se imortal. “Papai mandava dormir e eu ficava lendo. Eu colocava o lenço e ficava lendo lá. Eu sou basicamente, no começo dessa história, uma menina de Caratinga que vivia agarrada nos livros”, relembra Miriam Leitão.
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