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Patrão que filmou funcionária já foi denunciado por outras três mulheres em MG

Hélio Borges Junior enfrenta novas denúncias de assédio e gravações inapropriadas em sua imobiliária

Avatar De Ana CarolineAna CarolineNotícias02/09/2026 às 11:01 02/09/2026 às 11:03

Patrão Que Filmou Funcionária Já Foi Denunciado Por Outras Três Mulheres Em Mg
Foto: Reprodução / Arquivo pessoal - Hélio Borges

O empresário Hélio Borges Junior, de 53 anos, acusado de filmar uma ex-funcionária nua dentro do banheiro de sua própria imobiliária, em Santa Juliana, no Alto Paranaíba, em Minas Gerais, já havia sido citado em outras três denúncias envolvendo importunação e assédio sexual. Os relatos anteriores foram formalizados em registros da Polícia Militar (PM).

As ocorrências anteriores foram feitas entre 2023 e 2024 por mulheres que trabalhavam no estabelecimento. Uma delas declarou ter sido importunada sexualmente quando tinha 17 anos. Em outra denúncia, duas funcionárias relataram à polícia que teriam sido tocadas pelo empresário sem consentimento.

“O pior foi quando ele não usou cueca e se sentou de frente pra mim com uma bermuda larga, de maneira que aparecia as partes íntimas”, relembrou uma das mulheres. Veja o vídeo acima.

As identidades das mulheres envolvidas nas denúncias foram mantidas em sigilo para impedir a identificação das vítimas.

O caso mais recente veio a público em junho de 2026, depois que uma ex-funcionária, de 26 anos, afirmou ter encontrado imagens nas quais aparecia nua no banheiro da imobiliária. A ocorrência passou a ser investigada como importunação sexual.

Procurado pelo g1, o advogado de Hélio, Cássio Ernani Costa, foi questionado sobre eventual manifestação a respeito das acusações. Não houve resposta até a última atualização da reportagem.

A Polícia Civil informou ao g1 que instaurou um inquérito para investigar a denúncia registrada em 2026. O veículo também solicitou informações sobre os episódios denunciados entre 2023 e 2024, mas não havia recebido retorno até a atualização da matéria.

O Ministério Público do Trabalho (MPT), por sua vez, informou que ainda não havia sido acionado sobre o episódio. Entretanto, diante da repercussão alcançada pelo caso e da gravidade das acusações, a Procuradoria Regional do Trabalho decidiu instaurar um procedimento para investigar os fatos.

O órgão explicou ainda que não existe um prazo determinado para o início das apurações, uma vez que recebe denúncias relacionadas a diferentes modalidades de violações trabalhistas.

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Adolescente denunciou importunação sexual em 2023

Em um boletim de ocorrência registrado em 2023, uma jovem afirmou ter sido importunada sexualmente pelo empresário quando tinha apenas 17 anos e trabalhava na imobiliária.

Conforme o depoimento apresentado à polícia, os episódios teriam acontecido de maneira frequente, e o empresário teria se aproveitado da condição de vulnerabilidade da adolescente.

A jovem declarou ainda que outras mulheres teriam enfrentado situações semelhantes. De acordo com ela, algumas das supostas vítimas, incluindo menores de idade, também teriam registrado ocorrências contra o empresário. O g1 informou não ter tido acesso a outros boletins envolvendo Hélio além daqueles mencionados na reportagem.

Duas funcionárias denunciaram episódios de assédio

Outro boletim, registrado em 2024, reúne os relatos de duas funcionárias da imobiliária que tinham, naquele período, 19 e 25 anos. A ocorrência foi formalizada por assédio sexual e também registra estupro consumado na classificação da natureza do crime.

Segundo consta no documento, as duas mulheres afirmaram ter sido tocadas pelo proprietário da imobiliária sem consentimento.

A funcionária que tinha 19 anos relatou que foi convocada pelo chefe para trabalhar durante um sábado, justamente em um dia que seria destinado à sua folga. Conforme seu depoimento, Hélio teria oferecido R$ 800 pelo trabalho e informado que precisava de auxílio para realizar a avaliação de um imóvel.

Ainda segundo o relato da jovem, no encerramento do expediente, por volta das 16h30, o empresário teria se aproximado e tentado abusar dela. A funcionária declarou que ele expôs o órgão genital e tocou seus seios e nádegas sem consentimento.

Assustada com a situação, a mulher afirmou que recolheu seus objetos pessoais e saiu imediatamente do estabelecimento.

Em um primeiro momento, ela teria contado o ocorrido somente ao namorado. Posteriormente, decidiu revelar o episódio ao pai, que a acompanhou até uma unidade da Polícia Militar para que a ocorrência fosse registrada.

A jovem também relatou ter descoberto posteriormente que outras pessoas poderiam ter sido vítimas de situações envolvendo o empresário.

Segunda funcionária relatou abuso dentro da imobiliária

No mesmo boletim policial, a segunda funcionária, que tinha 25 anos na época, descreveu um episódio que teria ocorrido em abril de 2024.

Segundo a mulher, Hélio teria aproveitado um momento em que os dois estavam sem outras pessoas por perto no ambiente profissional para se aproximar e tocar sua coxa e suas nádegas.

Conforme o depoimento prestado aos policiais militares, a funcionária deixou o estabelecimento logo depois do ocorrido.

A mulher contou que, quando retornou ao trabalho, o empresário teria se comportado normalmente, como se o episódio relatado por ela não tivesse acontecido.

De acordo com a vítima, o receio de não receber pelo trabalho realizado esteve entre os motivos que a fizeram voltar à imobiliária. Ela também declarou que tinha medo de procurar a polícia porque considerava a família do empresário influente e temia possíveis retaliações.

Ex-funcionária afirma ter encontrado gravações feitas no banheiro

A denúncia mais recente envolvendo o empresário foi formalizada em 29 de junho de 2026. Uma ex-funcionária, de 26 anos, afirmou à polícia que encontrou fotografias e vídeos nos quais aparecia nua armazenados no celular do ex-patrão.

De acordo com a denunciante, as gravações teriam sido realizadas enquanto ela utilizava o banheiro existente dentro da imobiliária.

A mulher explicou que teve acesso ao aparelho depois que Hélio pediu que ela usasse o telefone para realizar o pagamento de uma marmita. Enquanto o empresário teria saído para fumar, ela verificou as abas que estavam abertas no dispositivo e encontrou uma pasta contendo fotografias e vídeos.

“Eu esbarrei naquela opção de mostrar as abas do celular e a segunda aba era de fotos e eu vi que eram fotos que eu aparecia nua”, relatou.

A ex-funcionária ressaltou que não costumava trocar de roupa no banheiro e que utilizava o espaço exclusivamente para fazer suas necessidades.

Depois de encontrar o conteúdo, ela afirmou que registrou a tela do aparelho utilizando seu próprio telefone celular e, em seguida, deixou a imobiliária.

Vítima percebeu mudança de comportamento antes de encontrar imagens

A mulher responsável pela denúncia mais recente contou que já havia trabalhado anteriormente no estabelecimento, durante 2024, e que, naquele primeiro período, não havia percebido atitudes do empresário que considerasse inadequadas.

Ela deixou o emprego em agosto de 2025, porém retornou aproximadamente dois meses depois, após receber do empresário uma nova proposta profissional.

Foi durante essa segunda passagem pelo estabelecimento, segundo seu relato, que Hélio teria começado a se aproximar de uma maneira considerada excessiva.

A ex-funcionária afirmou que o empresário passou a tentar construir uma relação de amizade e começou a convidá-la para acompanhá-lo em atividades que, até então, ele costumava realizar sozinho.

“Todo trabalho que ele poderia fazer sozinho, ele passou a querer que eu fosse”, relatou.

A mulher também contou que passou a perceber atitudes que considerava estranhas quando entrava em determinados espaços da imobiliária. Conforme seu relato, o empresário e outro funcionário interrompiam o que estavam fazendo e demonstravam surpresa quando ela aparecia.

As suspeitas teriam aumentado quando ela percebeu que Hélio acessava seu perfil no TikTok e assistia aos vídeos pessoais publicados por ela na plataforma.

“Foi então que ele começou a acessar meu perfil e ver meus vídeos pessoais. Passei a ficar com um pé atrás”, afirmou.

Empresário teria admitido que escondeu celular no banheiro

Segundo o boletim de ocorrência relacionado à denúncia mais recente, seis aparelhos celulares foram apreendidos e encaminhados para os procedimentos de investigação.

O registro policial aponta ainda que, durante o depoimento, o empresário admitiu ter escondido um telefone celular no banheiro para realizar as gravações. Ele teria afirmado, entretanto, que não divulgou o material e negado a prática de outros atos contra a ex-funcionária.

Depois de encontrar as imagens, a mulher afirmou que deixou a cidade por medo e começou a realizar acompanhamento psicológico.

“Eu tentei aguentar porque sou provedora do meu lar até encontrar outro serviço. Eu tenho medo. Eu me mudei de cidade porque fiquei com medo”, afirmou.

A ex-funcionária relatou também que, após o episódio, tomou conhecimento da existência de outros boletins de ocorrência envolvendo o empresário, inclusive registros relacionados a suspeitas de estupro tentado e assédio.

Segundo a denunciante, depois que o caso foi levado às autoridades, o advogado do empresário teria apresentado uma proposta de acordo. Ela afirmou ainda que o pai de Hélio teria oferecido dinheiro para que não comentasse publicamente o episódio.

“Meu silêncio não se compra”, declarou.

Em nota, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) informou que o processo tramita sob segredo de justiça. Por esse motivo, o tribunal declarou que não pode fornecer outras informações relacionadas ao caso.

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