Durante a posse de Guilherme Boulos na Secretaria-Geral da Presidência, o presidente Lula homenageou as vítimas de uma operação letal no Rio de Janeiro com um minuto de silêncio

O presidente Lula (PT) fez um minuto de silêncio em homenagem às vítimas do Rio de Janeiro durante a cerimônia de posse de Guilherme Boulos na Secretaria-Geral da Presidência, realizada no Palácio do Planalto nesta tarde.
evento foi marcado por momentos de reflexão e discursos impactantes.
Durante a cerimônia, Boulos pediu um minuto de silêncio em respeito às vítimas da operação no Rio de Janeiro. “Para policiais, moradores, por todos eles”, disse antes de iniciar seu discurso.
O deputado assume o cargo anteriormente ocupado por Márcio Macêdo, um aliado próximo de Lula, na pasta responsável pela ligação com os movimentos sociais, que compareceram em peso ao Salão Nobre do palácio.
Boulos questionou as mortes ocorridas durante a operação.
“Um presidente que sabe que a cabeça do crime organizado deste país não está num barraco de favela, está na lavagem de dinheiro na Faria Lima, como vimos na operação Carbono Oculto da Polícia Federal”, afirmou, elogiando o presidente Lula.
Como é costume em posses, o presidente Lula não discursou. Até o momento, ele não se manifestou publicamente sobre a ação.
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, declarou estar “estarrecido” com o número de mortes e “surpreso” com a operação.
Com mais de cem vítimas, esta foi a operação mais letal já registrada no Rio de Janeiro. Mais de 70 corpos foram levados para a Praça São Lucas, no Complexo da Penha, entre a noite de ontem e a manhã de hoje.
Lula também não conversou com o governador Cláudio Castro (PL), cuja postura irritou o governo federal. Para o Planalto, o governador agiu de maneira imprudente e eleitoreira ao conduzir a operação sem aviso prévio, e posteriormente, reclamar da falta de apoio do Executivo federal.
Boulos chega à Esplanada com dois desafios centrais, mirando em 2026. O principal deles é fortalecer a relação com movimentos sociais de alcance nacional, que vem se enfraquecendo, e aumentar o contato com movimentos ligados à juventude.
Lula deseja “popularizar” o Planalto.
Segundo aliados, apesar do trabalho social desempenhado por Macêdo nos últimos três anos, Boulos possui mais conexões com grandes movimentos algo que teria demonstrado a Lula nas duas últimas eleições, especialmente na cidade de São Paulo, onde o petista melhorou seu desempenho em 2022 e busca manter essa vantagem, principalmente se o adversário for o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Lula busca maior adesão de uma juventude aguerrida, um desafio também enfrentado pelo PT. O partido admite que tem se distanciado progressivamente dos jovens e, embora Lula mantenha boa votação entre as faixas etárias mais jovens, o governo reconhece que tem pouca relação com esse público a expectativa é que Boulos e seu grupo no PSOL representem uma mudança nesse sentido.
Macêdo abriu a cerimônia. Tem sido costume nas transições do Planalto permitir que os demitidos falem durante a passagem do cargo: foi assim com Cida Gonçalves (ex-Mulheres), Juscelino Filho (ex-Comunicações), Nísia Trindade (ex-Saúde) e Paulo Pimenta (ex-Secom).
Lula realizou uma reunião de emergência com ministros sobre o tema hoje. Segundo o ministro da Justiça, ele ficou “estarrecido” com o número de mortes e “surpreso que uma operação desta envergadura fosse desencadeada sem conhecimento do governo federal”.
Lewandowski criticou a atitude do governador.
A comunicação entre governantes tem de se dar no nível das autoridades de hierarquia mais elevada. Uma operação deste nível, deste porte, não pode se dar no segundo escalão, afirmou o ministro.
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, declarou que a corporação só foi informada no nível local.
Houve um contato de nível operacional informando que haveria uma grande operação. Nós verificamos com nossa equipe do Rio de Janeiro, não tivemos detalhes, entendemos que não era o modo de fazer a operação. A deflagração dela não nos foi comunicada, disse.
Pelo menos oito ministros participaram da reunião, e parte deles viajará ao Rio de Janeiro. Ontem, solicitaram uma reunião de emergência com Castro o ministro Lewandowski, que viajou diretamente de Fortaleza, as ministras Anielle Franco (Igualdade Racial) e Macaé Evaristo (Direitos Humanos) e Rodrigues, da PF. O encontro está previsto para ocorrer às 15h.
Segundo Lewandowski, não foi discutida a decretação de uma GLO (Garantia da Lei e Ordem), pois ela precisa ser requisitada por Castro.
O governador precisa estabelecer a incapacidade das forças locais de enfrentar essa violência, explicou o ministro. Caso acionada, a lei garante o controle da segurança pelas Forças Armadas.
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