Contratos milionários, luxo e viagem a Londres: veja o que Vorcaro ofereceu a Moraes e à família, segundo a PF
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Contratos milionários, luxo e viagem a Londres: veja o que Vorcaro ofereceu a Moraes e à família, segundo a PF

Investigação da PF aponta contratos milionários, experiências de luxo e viagem a Londres envolvendo Daniel Vorcaro, Alexandre de Moraes e familiares. Veja os detalhes

Avatar De Ana CarolineAna CarolinePolítica02/09/2026 às 12:04

Contratos Milionários, Luxo E Viagem A Londres: Veja O Que Vorcaro Ofereceu A Moraes E À Família, Segundo A Pf
Foto: Divulgação / STF - Antonio Augusto / Presidência da República - Ricardo Stuckert / Banco Master

A investigação conduzida pela Polícia Federal (PF) sobre o Banco Master identificou contratos milionários de honorários advocatícios, uma proposta envolvendo a transferência de cotas de um jato e de um helicóptero, além de despesas com viagem internacional e experiências de luxo que, segundo os investigadores, foram oferecidas por Daniel Vorcaro ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e a integrantes de sua família. Os episódios aparecem descritos em documentos incorporados à investigação.

Entre os pontos destacados pela PF está a relação financeira entre empresas ligadas a Daniel Vorcaro e o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes.

Em um dos contratos analisados, o Banco Master assumiu o compromisso de pagar ao escritório 36 parcelas mensais de R$ 3 milhões líquidos. Considerando os tributos previstos no documento, cada pagamento teria valor bruto de R$ 3.646.529,77.

De acordo com a investigação, o nome de Alexandre de Moraes também foi localizado nos metadados de duas versões da minuta do contrato posteriormente firmado com o escritório de sua esposa.

Em 11 de janeiro de 2024, Viviane encaminhou a Daniel Vorcaro uma primeira versão da minuta. Ao analisar os metadados do arquivo, a PF verificou que a última modificação havia sido atribuída ao usuário “Ministro Alexandre de Moraes” naquele mesmo dia.

Seis dias depois, em 17 de janeiro, Viviane enviou ao empresário a versão final da minuta. Conforme a análise realizada pela Polícia Federal, os metadados desse segundo arquivo também apontavam como responsável pela última alteração o usuário “Ministro Alexandre de Moraes”, desta vez com modificação registrada em 15 de janeiro.

O contrato acabou sendo formalmente assinado em 23 de janeiro de 2024 por Daniel Vorcaro e Ângelo Antônio Ribeiro da Silva.

Transferências ao escritório chegaram a R$ 13,6 milhões

Entre fevereiro de 2024 e outubro de 2025, os investigadores localizaram quatro comprovantes de transferências destinadas ao escritório de Viviane. Os pagamentos, no valor de R$ 3.422.268,14 cada, após descontos específicos, alcançaram aproximadamente R$ 13,6 milhões.

As mensagens recuperadas pela investigação também indicam a importância que Vorcaro atribuía à realização desses repasses. Em uma conversa registrada em março de 2024, o banqueiro afirmou que aquele era “o pagamento mais importante” e que não poderia “atrasar um dia”.

Segundo acordo previa remuneração de até R$ 50 milhões

A Polícia Federal também identificou um segundo acordo de honorários envolvendo o escritório da esposa de Moraes. O documento estabelecia um “limite máximo remuneratório” de R$ 50 milhões “a título de pró-labore” durante os 36 meses previstos para a contratação.

O pagamento de até R$ 50 milhões líquidos, já descontados os impostos, deveria ocorrer ao longo de 36 meses por transferência bancária da Viking Participações, empresa da qual Vorcaro é sócio, para o escritório de advocacia ou “mediante dação em pagamento – de bens imóveis, móveis ou serviços”. Na prática, a previsão permitia que bens fossem utilizados para quitar os valores.

Em um diálogo datado de 16 de maio de 2025, o advogado Leonardo Palhares encaminhou a Vorcaro duas propostas para a quitação do contrato. Conforme uma das minutas, R$ 40 milhões seriam pagos por meio da entrega de cotas de duas aeronaves, sendo um jatinho e um helicóptero. Os R$ 10 milhões restantes seriam destinados ao reembolso das despesas relacionadas ao uso desses equipamentos.

A PF detalhou quais seriam os ativos envolvidos na negociação:

“Os ativos mencionados seriam dois bens vinculados às empresas F24 (FRACTION 024 ADMINISTRACAO DE BEM PROPRIO S.A.) e F53 (PT-PCT ADMINISTRACAO DE BEM PROPRIO). A F24 é possuidora da aeronave modelo Legacy 650, prefixo PP-NLR, enquanto a F53 estava em fase de aquisição do Helicóptero EC 155 B1, fabricado pela Airbus Helicopters”, escreveu a PF.

Em outra conversa reproduzida pelos investigadores, Marcos da Mata, sócio de Vorcaro, perguntou a Viviane de Moraes sobre a utilização das cotas: “Estão gostando da utilização das cotas de vocês”?

Viviane respondeu: “Sim, estamos gostando muito”.

Após a divulgação do relatório, o escritório Barci de Moraes afirmou, por meio de nota, que não assinou um segundo contrato com empresas de Daniel Vorcaro e que os termos apresentados não foram aceitos. O escritório declarou ainda que, por esse motivo, não recebeu cotas de aeronaves nem outros ativos mencionados na negociação.

PF relata planejamento de experiência de luxo em Campos do Jordão

Outro episódio registrado na investigação envolve uma experiência de luxo relacionada a Moraes. Segundo a PF, Vorcaro organizou uma recepção no Six Senses Botanique, hotel situado na região de Campos do Jordão, em São Paulo, para uma comitiva associada nas mensagens a “Alex”.

Conforme o relatório, o planejamento previa almoço, contratação de um chef particular identificado como Zé Maria, passeios a cavalo e assistência de funcionários ligados a Vorcaro. A estrutura teria sido organizada para nove convidados, além de quatro seguranças.

Em uma mensagem enviada a um contato salvo como Thatiane Prime, Vorcaro informou que realizaria um almoço no dia 30 e ressaltou como os convidados deveriam ser recebidos: “Tem que ser experiência completa. Convidados ultra vips”.

Evento em Londres também aparece na investigação da PF

A investigação aborda ainda a participação de Alexandre de Moraes no I Fórum Jurídico Londres Brasil de Ideias, realizado entre 24 e 27 de abril de 2024. De acordo com o material reunido pela Polícia Federal, as despesas relacionadas à viagem seriam integralmente custeadas.

Em 28 de março de 2024, uma mensagem atribuída a Alexandre de Moraes e direcionada ao ministro do STF Gilmar Mendes apresentava um convite para participação no encontro realizado em Londres: “A estadia poderá ser até 28/4. É organizado pelo CONJUR, Correio Braziliense e Banco Master. Topa?”.

Segundo a investigação, esse e outros diálogos também indicariam que Moraes participava de discussões relacionadas à lista de convidados, possíveis vetos e à programação prevista para o fórum.

A estrutura da viagem contemplava ainda transporte terrestre específico para determinadas autoridades. Conforme a apuração, foram disponibilizados veículos Mercedes-Benz S-Class com motoristas para um grupo restrito de participantes classificados como VIPs. Entre os nomes mencionados estavam Alexandre de Moraes e o ministro Dias Toffoli.

Já para a segunda edição do evento, prevista para 2025 e que acabou não acontecendo, a funcionária de marketing Ana Matos encaminhou uma mensagem a Vorcaro em abril informando que o assessor de Alexandre de Moraes havia telefonado para tratar “sobre emissão do aéreo dele”. Diante da informação, o banqueiro autorizou a providência: “Pode fazer”.

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