Fábio Faria é apontado como intermediário entre Moraes e Vorcaro em investigações da PF
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Fábio Faria é apontado pela Polícia Federal como intermediário da aproximação entre Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, tendo articulado encontros e indicado o escritório da esposa de Moraes para contrato com o Banco Master. Faria nega irregularidades e diz que sua relação com Vorcaro já existia antes dos...
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O que se sabe
FAQ editorial
Ex-titular do Ministério das Comunicações no governo Jair Bolsonaro (PL), Fábio Faria figura no relatório da Polícia Federal (PF) como a pessoa que teria intermediado a aproximação entre Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
De acordo com mensagens localizadas no celular de Vorcaro, foi Faria quem passou ao banqueiro o contato de Moraes, ainda no fim de 2023, e que, nos meses posteriores, colaborou na articulação de encontros entre ambos. A investigação da PF mapeou pelo menos seis reuniões realizadas entre o ministro e o empresário.
Natural de Natal (RN), Faria tem 49 anos e é filho de Robinson Faria, que já ocupou os cargos de governador e deputado federal. Graduado em Administração, foi deputado federal pelo Rio Grande do Norte e ocupou o Ministério das Comunicações no governo Bolsonaro.
As mensagens mais antigas que situam Faria no centro do relacionamento com Vorcaro datam de dezembro de 2023. Em 26 daquele mês, Faria repassou a Vorcaro o contato identificado como “Alexandre de Moraes BRASILIA”. No dia posterior, ambos trataram de um possível almoço de Moraes em Campos do Jordão (SP).
Desde então, o nome de Faria passou a se repetir nas trocas de mensagens ligadas aos encontros entre as partes. Em um dos diálogos, ele comunicou a Vorcaro que Moraes já havia confirmado um jantar reunindo os três casais. Em outro momento, discutiu o endereço de uma reunião para transmitir a informação ao ministro.
Segundo o relatório da PF, o primeiro dos ao menos seis encontros entre Moraes e Vorcaro teria acontecido em fevereiro de 2024, na residência de Faria, com a presença das respectivas esposas. Há registros também de encontros ocorridos em julho e novembro de 2024, além de fevereiro, março e abril de 2025.
O nome do ex-ministro aparece igualmente em mensagens vinculadas ao contrato celebrado entre o Banco Master e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.
Em uma troca registrada em março de 2024, Faria escreveu a Vorcaro: “O careca não pode atrasar”. De acordo com a PF, a frase fazia referência ao pagamento estabelecido no contrato com o escritório da advogada. Pouco depois dessa mensagem, Vorcaro orientou um executivo do banco a efetuar o repasse financeiro.
O contrato entre o Banco Master e o escritório, avaliado em cerca de R$ 130 milhões, esteve em vigor entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025. A investigação da PF também identificou metadados que indicam que Moraes teria promovido alterações em uma versão preliminar do documento antes de sua assinatura final.
A trajetória política de Fábio Faria começou em 2006, ano em que se elegeu deputado federal pelo Rio Grande do Norte. Foram quatro mandatos seguidos, entre 2007 e 2023, período em que também integrou a Mesa Diretora da Câmara dos Deputados.
No ano de 2020, ele foi alçado ao comando do Ministério das Comunicações. Segundo dados oficiais da própria Câmara, o afastamento do mandato parlamentar ocorreu em 17 de junho daquele ano, com retorno à cadeira apenas em dezembro de 2022.
Além da atuação parlamentar, Faria costuma ser lembrado por seus laços familiares com Silvio Santos: ele é marido de Patrícia Abravanel, filha do empresário e apresentador.
Após sua saída do governo Bolsonaro, migrou para atividades ligadas à iniciativa privada.
Questionado sobre o assunto, Faria declarou que seu vínculo com Daniel Vorcaro já existia antes dos fatos trazidos à tona pelo relatório da Polícia Federal.
A respeito do escritório de Viviane Barci de Moraes, alegou ter apenas sugerido a banca ao empresário, após ser consultado sobre uma indicação jurídica, negando qualquer participação nas tratativas contratuais ou conhecimento sobre os valores envolvidos.
O ex-ministro também nega ter cometido qualquer irregularidade ao intermediar a aproximação entre Vorcaro e Moraes.
As mensagens fazem parte do material apurado pela Polícia Federal e, por si só, não configuram acusação formal nem condenação contra Faria.
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