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Nunca quis machucar o seu coração, as coisas simplesmente aconteceram…

Nunca quis machucar seu coração…

Lembro-me do dia em que tive a maior das minhas desilusões amorosas. Tempo nublado, paisagem cinza e um recado dela me dizendo que as coisas não eram como eu imaginava; não estávamos na mesma sintonia.


Para ela, eu era apenas alguém legal que estava curtindo conhecer e só. Para mim, meu Deus, para mim aquilo era o suspiro que meu coração precisava para seguir palpitando e vivo.

Passaram-se os dias, acabei me conformando com a situação e segui a minha vida. Com o tempo, conheci uma garota que teve toda a paciência do mundo comigo, fazendo-se especial (de certa forma) em minha vida. Ela ouviu meus desabafos sobre a faculdade, sobre meu trabalho, sobre minhas brigas familiares e, além disso, sobre meus traumas de relacionamentos. Ouviu e me apoiou, elevou minha autoestima e  foi parceira em todos os momentos em que estive, ou não, com ela.

Estava curtindo a sua presença em minha vida, porém cheguei à conclusão uma conclusão e, infelizmente, não gostaria que fosse esta. Constatei que não era apaixonado por ela, e que as coisas não iriam sair muito daquilo que já tínhamos.

Porém, passou bastante tempo até que eu chegasse a esta conclusão e, quando o fiz, muita coisa já havia acontecido.

Ela estava totalmente envolvida comigo e essa certeza eu tive quando saiu de sua boca o primeiro “estou apaixonada por você”. Nesta hora pensei: “Não! Tornei-me aquilo que sempre jurei lutar contra.” A pessoa que me fez criar esperanças de algo que ela já sabia que não rolaria.


Quando eu me encontrei naquela situação, eu pude perceber que aquela desilusão que tive há tempos atrás, não foi feita por mal.

As coisas simplesmente acontecem e nós não temos o controle de tudo à nossa volta.

Sofri muito com a decisão de colocar um fim nessa nova história que, de certa forma, aconteceu. Fiquei imaginando o quanto a pessoa que teve que fazer o mesmo comigo deve ter sofrido por ter se sentido um monstro fazendo o que fez e como a pessoa que iria receber a notícia sofreria, assim como sofri.

Esta é uma decisão difícil de se tomar, pois quando nos damos conta da situação, ela já está do jeito que está e não podemos fazer muita coisa com o que já aconteceu.


Aquele lance de responsabilidade afetiva/emocional, ele é importante quando temos claro o que achamos e o que queremos de certo relacionamento, mas quando as coisas acontecem da forma que aconteceram, não podemos nos autointitular monstros, pois todos estão sujeitos a passar por isso (nos dois lados da moeda).

A empatia tem que ser usada nos dois extremos, não só quando não somos nós que estamos “na pior”, entende? Fiquei muito tempo achando que eu era a vítima dessa desilusão amorosa, porém, hoje sou eu quem está na posição contrária, e não estou nenhum pouco feliz com isso.

Então quando chegar a viver algo parecido com isto, lembre-se sempre: não há ganhadores quando o assunto é término. Todos, de certa forma, sofrem com isso.


Direitos autorais da imagem de capa licenciada para o site O Segredo: zinkevych / 123RF Imagens





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