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Nunca seremos completos. Esqueça o passado!

NUNCA SEREMOS COMPLETOS capa e dentro

Nós nunca sentimos falta do outro. Sentimos falta de nós mesmos. Ou seja, sentimos falta de quem éramos quando estávamos com o outro, do que sentíamos quando estávamos com o outro. Somos nós a todo instante.



Aristóteles tinha razão sobre «sermos animais sociais», mas nunca disse que éramos dependentes afetivos nem pessoas constantes. A ser esta uma verdade, damos razão também a Hobbes, «somos egoístas». A saudade que sentimos de quem nós éramos naquela altura com aquela pessoa impossibilita que vejamos a dura realidade: «somos imperfeitos».

Numa concepção lógica, sem entrar em questões de teologia, o perfeito é completo, o imperfeito não. Por outras palavras, o que já se perfez, não mais evolui, é constante. O perfeito não pode sofrer, porque sofrimento demanda mudança que, por sua vez, anda associada à ideia de imperfeição. A imperfeição é irreversível, a ciência, até então, ainda não provou o contrário.

Duas pessoas imperfeitas não podem tornar-se perfeitas. O mínimo que pode acontecer é a participação de uma na evolução ou involução da outra. Entretanto, a incompletude permanece. O Amor real não é tão lindo quanto a sua descrição. O nosso cérebro tem sede perfeição, então, naturalmente, pinta as coisas não como elas são, mas como se quer que seja.


É importante perceber que nenhum prazer eterniza o idílio, isto é, o prazer fantasia e a dor elucida. O prazer e a dor sucedem-se sempre. Torna-se imperioso ter em mente que momentos de contentamento podem gerar arrependimento futuro.

No fim de tudo, não faz parte de nós nos conformarmos com a nossa imperfeição, – isso também é sinal de imperfeição. Mesmo assim, o melhor é não perder a fé (utopia, para quem preferir) nas relações humanas. Sempre foram a fé e a persistência que nos possibilitaram fazer grandes coisas, como ações solidárias, declarações de amor e de amizade e muito mais. Mas, nada de ilusão, «nenhum prazer por muito que dure eterniza o idílio».

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