ColunistasCrônicas

Nunca te vi, sempre te amei…

NUNCA TE VI SEMPRE TE AMEI capa e dentro

Foi um filme antigo, com Anthony Hopkins e Anne Bancroft.



A história se passa durante a Segunda Guerra Mundial.

Ele na Inglaterra, ela nos EUA. O resumo é o seguinte: eles se correspondiam porque ela era uma ávida leitora de determinado autor e não conseguia comprar livros do mesmo nos Estados Unidos, até que em uma livraria, o vendedor lhe deu o endereço de uma antiga livraria em Londres, onde ela poderia fazer encomendas dos livros que quisesse daquele autor.

Ela então entra em contato com o dono da livraria, vivido por Anthony Hopkins, e daí em diante eles começam uma linda amizade – como algumas de hoje através da Internet – sem nunca terem se conhecido. Havia tanto respeito entre eles e ao mesmo tempo, muita cumplicidade. Uma paixão velada e latente cresceu naquelas cartas.


Eles ansiavam na espera das respostas um do outro. Ela era solteira e ele casado com filhos. Nunca cogitaram um encontro. Era uma amizade platônica, pois ambos eram cônscios da inviabilidade de um relacionamento mais estreito, até por causa da distância que os separava – naquela época não era tão fácil ir de um continente a outro como se faz hoje – mas isso não os esmorecia, embora desse para sentir certo lamento no sub texto das correspondências.

Não sei por que razão este filme me veio à mente hoje.

Bem, pra falar a verdade, sei sim. Tive uma experiência bastante parecida com esta. E hoje, fuçando meus e-mails antigos, tudo me veio à tona. Como somos capazes de, literalmente, construir a imagem de alguém através das palavras!

Para mim as palavras têm um poder enorme. Posso tranquilamente construir laços ou mesmo me apaixonar por alguém que escreve bem, com humor, eloquência e espírito.


Então, revendo aqueles e-mails, me lembrei deste delicado filme que fala sobre a paixão etérea, idealizada, mas não menos real.

Nem percebemos e o ano já se foi…

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