“O agora é a porta estreita que o leva à vida”. Então viva, apenas isso!

O que existe entre o “que foi” e o “que será”?

Um chefe nativo numa conversa de roda diria: “Os homens brancos possuem rostos tensos, um olhar fixo e um comportamento cruel. Andam sempre à procura de alguma coisa. O que procuram eles? Querem sempre alguma coisa, estão sempre inquietos e insatisfeitos. Não sabem o que querem. Pensamos que são loucos”.

Na bíblia Jesus reporta-se a esta inquietude questionando os seus discípulos: “Poderá um pensamento ansioso acrescentar algo em vossas vidas?” E Buda ensinou que a raiz do sofrimento deve ser procurada no nosso incessante querer e ansiar por mais.

Esta sabedoria milenar, exposta muito antes da existência do conceito de autoajuda, remete-nos a uma questão mais densa.

Que capacidade é esta de nos sustentarmos no passado e ansiarmos pelo futuro? Será apenas porque sentimos que se largarmos o passado perderemos a nossa identidade?

E o futuro? Será porque necessitamos projectar algo diferente do que nos causa insatisfação no presente?

Não precisamos perder a nossa identidade, se olharmos para o passado como um simples conjunto de memórias cronológicas. Ele não precisa ter o peso da emoção desmedida, precisa apenas ser uma memória saudável. E o futuro, essa incógnita que vira presente quando atingido e que nos cria tamanha ansiedade pela incerteza.

Então, por que resistir em viver o presente, o agora? Esta é a única forma de sentirmos o que nos rodeia, contemplarmos sem a preocupação de percebermos.

Viver o presente é termos a capacidade de observar as luzes, as formas, as cores. Sentirmos as texturas e os cheiros. É ter a capacidade de captar o detalhe de algo que nos falha a vida inteira por ocuparmos a mente num rodopio incessante entre o que foi e o que será.

Então, é necessário apenas ser o momento, focar a nossa atenção no ar que respiramos e nos movimentos que ele provoca. Inspirar e expirar sem controlar nada. Com a prática acontecerá naturalmente.

Se quer sonhar, sonhe, nada o impede de fazê-lo. Mas faço-o como se já estivesse a acontecer no momento presente, no agora. Viva a emoção pela emoção, sentindo o que o seu corpo lhe diz quando se entrega à magia do acontecimento real.

Eckhart Tolle diz: “O agora é a porta estreita que o leva à vida”. Então viva, apenas isso!


Direitos autorais da imagem de capa licenciada para o site O Segredo: 123RF / gladkov



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