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O amanhã não pertence a mim e muito menos a você, o que pertence a nós é o agora!

“E se o amanhã nunca chegar?”

A frase acima não é minha, é do cantor e compositor Garth Brooks e começou a tocar inesperadamente em minha playlist (ao que me lembro ela nem estava selecionada), algo me fez pensar sobre a letra “If Tomorrow Never Comes” (Se o amanhã nunca chegar).


Os dias passam, as horas vão, a vida passa e a velha máxima de que pode ser suas últimas horas sobre a terra (já que ninguém sabe que horas vai), continua.

Existe uma frase que diz “o amanhã a Deus pertence”, se ela é real eu não sei, só sei que o amanhã não pertence a mim e muito menos a você, o que pertence a nós é o agora e por isso volto a repetir: Se o amanhã nunca chegar?

E se estes forem meus últimos minutos em frente a este computador com minha caneca de café que esfria lentamente?

Conheço uma história verídica de um grande amigo que perdeu seu pai. Eles viviam brigando e na hora da partida dele (do pai), deste mundo, eles também estavam brigados e foi quando ele se deparou com a realidade de que não conseguiria pedir desculpas e muito menos dizer que o amava. E foi quando ele se deparou com outra realidade que não conseguiria dizer tudo o que tinha para dizer e as frases não ditas teriam que ser guardadas para o resto de sua vida em sua caixinha de memórias. Ficou mal, muito mal quando se deparou com a única certeza da vida, a morte.


Este caso aconteceu com um filho que perdeu o pai, porém acontece no dia a dia com pais que perdem filhos, com amigos que perdem amigos, com parentes que perdem parentes, com namorados, maridos, mulheres que se perdem.

Alguns poderão contestar dizendo que há o poder do perdão divino. Eu pergunto: Não seria um subterfúgio para aliviar a culpa? Não seria mais certo perdoar, ser mais humildes do que jogar a bola para Deus e esperar que tudo se resolva de uma forma qualquer?

Somos humanos passíveis de erros e só acredito na evolução humana (e de qualquer coisa), quando percebemos isso e procuramos melhorar, caso contrário ficaremos estagnados em nossos próprios erros achando que sempre o outro é o culpado.


Partindo deste pressuposto, acredito que temos que rever como temos vivido nossas vidas, o que temos feito, o que temos deixado de fazer, como jogamos nossas palavras, temos que pensar mais antes de destilar o veneno, temos que ser mais coerentes, mais pensadores, temos que ser menos juízes, temos que pensar em ser mais do que ter.

Temos que nos colocar na “pele”da outra pessoa e analisar nossas ações, pois o amanhã poderá não mais existir para mim, para você ou para qualquer outro ser vivente. E daí? O que você fará?

Nunca vi ou soube de um relato de um paciente que quando recebe a notícia que vai morrer pede: “Doutor, eu quero viver mais 2 semanas para comprar um carro novo”, ou ainda “Doutor, eu quero viver mais um mês para comprar uma casa e abastecer meu saldo bancário”. Os pedidos sempre são: “Doutor eu quero viver mais duas semanas para abraçar meus filhos e dizer o quanto os amo”, “Doutor, quero viver mais duas semanas para encontrar uma amiga, pedir desculpas pelo que fiz e dizer que a amo”, “Doutor, eu quero viver mais duas semanas para passear com meu marido e agradecer por tudo de bom que ele foi para mim”, “Doutor, eu quero mais duas semanas para…”

Na hora “H”, é que percebemos que temos que ser mais do que ter. O Ter é consequência, o Ser é eterno.
Ninguém é melhor que ninguém, então que tal observarmos nossos modos e procurar mudança sem que necessitemos passar por isso? Que tal procurar ser um ser humano melhor, menos egoísta? Que tal pensar antes de falar, pensar antes de agir, pensar antes de se julgar o juiz todo poderoso que tudo julga e sempre está certo, pensar antes de executar, pensar…

E se o seu amanhã nunca chegar?

Jr. Pereira

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Direitos autorais da imagem de capa: gilitukha / 123RF Imagens





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