O amor é a linguagem universal que não precisa de corpos para se fazer presente

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A presença existe enquanto não nos esquecemos, e não há como esquecer, seria apagar uma parte de nós.



Do colo em que costumava se deitar, restou uma almofada.

Onde antes havia uma conversa agradável, agora habita uma poltrona vazia.

Das piadas animadas contadas em festas, restou o silêncio.


Muitos colos deitaria depois mas, para nenhum deles, seria um príncipe/princesa.

Muitas conversas agradáveis teria adiante, mas nenhuma delas lhe diria as coisas que gostaria de ouvir.

Muitas piadas escutaria e riria com elas, mas nenhuma contada com aquele jeito único de ser.


Os móveis mudariam de lugar, as paredes seriam pintadas, mas ainda assim, dentro de você, tudo está no mesmo lugar, e segue enxergando cores que não existem mais.

Não vemos mais as pessoas, mas suas vozes não calam dentro de nós (chegam mesmo a nos aconselhar).

A presença existe enquanto não nos esquecemos, e não há como esquecer, seria apagar uma parte de nós.

Quando perdemos alguém, na verdade, perdemos uma parte de nossa história, uma parte do que somos (já que por mais individual que sejamos, somos únicos com cada um com quem convivemos).

E assim, um a um, vamos desaparecendo, como éramos conhecidos, mas renascendo em histórias que não contamos ou que contamos, mas que o tempo modificou.

Deixando grafada uma tatuagem e impregnando o mundo ao redor de impressões.

Dando significado a coisas insignificantes, que só fazem sentido porque alguém tinha sentido para você.

Os defeitos de alguém, que costumávamos levar tão a sério, agora são leves e nos divertimos com eles. Na verdade, nunca foram importantes, de fato, ou melhor, os fatos é que julgávamos importantes.

Nós nos multiplicamos através de cada um com que convivemos e nos inserem em suas conversas, emprestando o nosso olhar da vida para mudar a vida que alguém está acostumado a olhar.

A morte é uma ilusão (morremos mais em vida). Sempre haverá alguém que dirá: “que absurdo, tudo acabou!”
Mas ousemos olhar para dentro de nós mesmos e nos perguntemos: como algo pode acabar, se continua ali, manifestando-se dentro de nós?

Vivemos cercados de presenças invisíveis, mas assim como as estrelas, cuja morte do astro não apaga o brilho que nos encanta toda noite ao olhar para o céu, o amor não nos deixa só jamais, e segue ao nosso lado nas novas descobertas e realizações. Ele é a ponte que liga os mundos, é a linguagem universal que não precisa de corpos – nem de palavras – para se fazer presente.

Curiosamente, poderíamos nos valer da simples gramática para falar sobre isso e sintetizar todo esse mistério. A morte… Amor-TE. Te amo.

 

Direitos autorais da imagem de capa licenciada para o site O Segredo: Wattanai Techasuwanna/123RF Imagens.

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* Matéria atualizada em 16/03/2020 às 3:53






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