O amor e seus sonhos “reponíveis” de pipoca…

Eu era uma destas românticas que até bem pouco tempo analisaria La La Land como um daqueles filmes sem Happy End. Sabe aquele um minuto de pensamento no qual você insere o amor da sua vida nos últimos anos em ele não esteve presente? Mas, ele, na verdade, não esteve lá de corpo presente. Essa sensação dá aquele suspirinho frustrante. Num primeiro momento, baseado em nossas crenças limitantes, é isto que pensamos Quem nunca parou para admirar o “E se…”, que atire a primeira pedra!



Mas, vencido este romantismo infantil, descobrimos que há um pouco mais que apenas insucesso e frustração na história de um amor descontinuado.

Há algo poético e lindo num amor sonhado.

Talvez, porque no mundo dos sonhos, eles sejam perfeitos, sem a mácula do vilão cotidiano. Nele, os mocinhos estão sempre a concorrer ao Oscar da paixão. E não há nada mais apaixonante que um suspiro de saudade de algo não vivido.

Mas, será que se tivéssemos vivido, seria tudo o que idealizamos? Seria exatamente nossa história perfeita? Ou, uma vez deixado de ser ideal para se tornar fato, o efeito seria outro? Seríamos as mesmas pessoas? Teríamos as mesmas experiências ou a vida levaria a outros caminhos e descaminhos? Estaríamos dispostos a pagar o preço do futuro não vivido?


No fundo, amar é uma decisão. E, decisões, como já escrevi, são sempre difíceis, pois carregam ideias e ideais numa proporção única e intransferível.

Então, uma decisão amorosa requer uma dose de coragem.

Uma coragem que a nostalgia devasta em questão de segundos se não tivermos atentos para o fato de que na vida o que importa é sonhar, mesmo que os sonhos mudem ao longo dos caminhos e descaminhos. Afinal, sonhos – como sacos de pipocas – são “reponíveis” se não alucinarmos com eles.

Não importa se três horas ou 30 anos de vida, que tenhamos a grandeza de decidir por amar, não importando os senões que tenhamos que responder, pois quem, como, quando, porque são conceitos que criamos para limitar o que não cabe dentro de uma única pessoa, um único momento, uma só vida e o suspiro é apenas a liberação de um eu que ficou para trás, dando lugar ao que se é hoje, aqui e agora, que em breve pode dar lugar a um novo suspiro se você por um único momento se prender ao que poderia ter sido.


Que o tempo permanecido neste suspiro seja o suficiente para levar em seu coração o auge do amor romântico, mas que liberte-se para seguir adiante com o amor presente. Não há nada mais sem amor do que um eterno “E se…”

( * ) – Reponível foi um neologismo criado pela psicóloga Marha Trugilho, que significa aquilo que se pode repor.

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