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O amor nos tempos do tinder…

Mais um domingo comum na vida de uma garota solteira. Acordo cedo, preparo meu café, vou checar minhas atualizações nas redes sociais. Opa! Chegou uma mensagem nova no Tinder, vou ver! Puxa, mais uma pessoa com a mesma ladainha de sempre: estou em busca de uma amizade colorida, uma diversão momentânea, blá, blá, blá!



O cara me escreveu uma verdadeira carta para, ao final, me dizer o que todos os outros sempre falam: que não querem nada sério, que fogem das garotas que querem namorar em uma semana e dos joguinhos de amor que sempre rolam. Olhei, ri, reli, pensei: não vou perder meu tempo respondendo. Peraí… Vou sim! Alguém nesse mundo precisa saber qual é a minha opinião a respeito.

Depois de respondida a mensagem ao moço (minuciosamente respondida, para fazer jus à carta que ele me fez ler), pensei também em vir aqui e escrever esse texto, é meu desabafo que não sei se alguém um dia vai ler, além de mim mesma e desse moço “tinderiano”, mas, como acordei inspirada, resolvi arriscar algumas palavras sobre esse tema: o amor nos tempos do Tinder.

Amor e Tinder são duas palavras quem nem combinam, é verdade. Já começa por aí. Mas tem um montão de gente por aí que, assim, como eu, achou que entrar num aplicativo de relacionamentos poderia ser um começo. Vai que existam pessoas legais lá dispostas a um relacionamento? Vai que existam mentes tão sonhadoras quanto a minha lá? Bem, pode até ser, mas depois de uns dias ou meses de likes e dislikes e poucas trocas de mensagens, a conclusão sempre é a mesma: não, ninguém que valha a pena por lá, é muita superficialidade para quem está em busca de conteúdo.


Mas, se você der uma navegada no perfil das pessoas, vai ver fotos lindas, viagens ao exterior, corpos bem esculpidos, carrões, festas, praias, diversão, pessoal com cultura, descolado… Enfim, o currículo é sempre bom. Mas ninguém preenche os requisitos da vaga do seu coração. Poucos passam de um “olá, bom dia”. Os que passam e te convidam pra sair, já chegam com toda a sede ao pote, já vão querendo logo te levar pra cama, afinal, pra que perder tempo com conversinha fiada, não é mesmo? Ela é apenas mais um corpinho, o que ela pensa, quais são seus objetivos de vida, quais são seus gostos pessoais, isso tudo é balela.

O fato é que eu ando muito cansada disso tudo. E acho que não sou a única a estar achando tudo muito confuso e assustador. Às vezes eu perco as esperanças, minha personalidade introvertida diz a si mesma: esqueça! Fica escondida dentro do seu casulo que assim as chances de se machucar são bem menores. Eles não valem a pena. E, mais uma vez, eu me fecho, fico uns meses sem conhecer ninguém, me achando a pessoa mais esquisita e sem graça do mundo. Outras vezes, em minhas orações e pensamentos mais íntimos eu penso, de verdade, que eu mereço muito uma pessoa especial, que não posso me contentar com pouca coisa, com migalhas de amor, encontros e uma noite, com likes e comentários virtuais, mas pouco contato pessoal. Pouca troca verdadeira. Pouco interesse no meu mundo.

Bem, o lado bom disso tudo, se é que existe lado bom, é que acabo me fortalecendo a cada decepção, a cada pessoa que aparece nesses sites e me diz a mesma coisa: “quero transar, apenas isso, não se iluda, mocinha”. Indiretamente isso me faz bem. Me faz me valorizar um pouco mais, impor meus limites pessoais, não aceitar mais esse tipo de situação, correndo o risco de ficar solteira por mais tempo, mas sem deixar de acreditar no meu potencial de encantar alguém um dia. E não precisar me submeter a homens vazios, que são movidos pelo seu nível de testosterona e carência.


Homens que quiserem conhecer uma mulher de verdade, com qualidades, defeitos, neuras e sonhos, parceria e melancolia, vontade de crescer e batalhar junto, vontade de passear num domingo ensolarado de mãos dadas ou passar um sábado a noite debaixo das cobertas vendo filme, vontade de conhecer música nova, ler aquele livro clássico que há anos está na lista dos sonhos, ir ao cinema ver aquele filme novo que a gente comentou e que só agora entrou em cartaz, sair pra ouvir um rock and roll e tomar um chopp, ou então fazer um afago na gatinha de estimação, enquanto discute sobre a crise econômica mundial, colocar uma roupa de ginástica e ir caminhar sem pressa pela beira mar e se der vontade parar pra tomar um sorvetinho, afinal, ninguém é de ferro e estava no caminho mesmo, fazer um almoço caprichado de domingo ou pedir uma pizza na tele-entrega numa quarta-feira cansativa, de trânsito caótico e reuniões de trabalho intermináveis, planejar aquela viagem dos sonhos pra Europa, juntando as moedinhas pra isso ou simplesmente ficar calados, frente a frente, mas com a certeza de que um olhar fala mais que mil palavras… Bem, eu estou aqui. Sem Tinder, sem redes sociais, sem artifícios para provar que posso ser tudo isso e ainda ser o amor da sua vida. Muito prazer!

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Texto escrito com exclusividade para o site O Segredo. É proibida a divulgação deste material em páginas comerciais, seja em forma de texto, vídeo ou imagem, mesmo com os devidos créditos.




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