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O amor-próprio nos enche de ousadia!

Pois de amor (próprio, destaque meu) estamos todos precisados! –  como diz Carlos Drummond de Andrade.



Você tem medo de quê?

O meu texto de hoje é para você, que tem medo de sentir medo e mostrar o seu lado mais vulnerável!

A vida é entremeada por desafios, que se mostram tão assustadores que naturalmente caímos na armadilha de evitar confrontá-los, por um instinto de defesa,  talvez. Isto é óbvio, uma vez que tudo que é novo, nos causa estranheza, e andar num terreno onde nunca pisamos causa-nos desconforto emocional.


A natureza humana não é atraída pela dor, mas sim pelo prazer. E para continuarmos neste estado de gozo, usamos de inúmeros artifícios para nos manter o máximo de distância deste incômodo: vícios de toda ordem, compulsão por trabalho e comida, gasto desmedido de dinheiro, até atitudes consideradas de boa índole praticadas frequentemente.

Podem ser alternativas válidas até o momento em que a vida força a posicionarmos diante de certa situação que volta e meia nos assombra e estamos deixando sempre para depois.

Sim, ela em sua infinita sabedoria vem cobrar uma decisão, e aí, o que fazer a respeito? 

Fato é que a covardia encontra terreno fértil no nosso íntimo para se instalar, quando existe o medo de se enxergar dentro daquela questão, ou até mesmo de vislumbrar as consequências posteriores a esta ou àquela decisão. Sem esquecer de mencionar as críticas de pessoas que gravitam ao nosso redor com o objetivo único de atazanar o pensamento, feito aves de rapina sobre cadáveres em decomposição.


O que faria alguém permanecer em sofrimento, preferindo cultivar um estado psicológico vegetativo? Digo sim que esta é uma escolha, mais imediata e previsível que alguém pode tomar. Eu diria que ganhos secundários, ou seja, vantagens a surgirem a partir da insistência em permanecer em determinado posicionamento lhe confere uma certa comodidade, como por exemplo, atenção de entes queridos a partir de doenças ditas “crônicas”.

Poderíamos dizer o mesmo no caso de duas pessoas que permanecem em relacionamento falido, em virtude de benefícios econômicos ou porque “as crianças ainda estão pequenas e cresceriam traumatizadas vendo o lar desintegrado pela separação dos pais”?. Quem já não viu ou se identificou com esse tipo de justificativa plausível? Uma hora este fardo começa a pesar de modo a tornar-se insustentável, porque ninguém, em sã consciência, aguenta infelicidade por um longo período de tempo.

E aí, não se sabe como, o sujeito cria uma coragem do nível de um cavaleiro medieval disponível a arrancar se preciso for, a cabeça de seu adversário. Pagar o preço que for necessário para um pouco de paz e felicidade, pois de amor (próprio, destaque meu) estamos todos precisados, como diz Carlos Drummond de Andrade, amor este que “nos alegre, reumanize, corrija, que nos dê paciência e esperança, força, capacidade de entender, perdoar, ir para a frente!”

“Amor que seja navio, casa, coisa cintilante, que nos vacine contra o feio, o errado, o triste, o mau, o absurdo e o mais que estamos vivendo ou presenciando.” 

Siiiimmmm! O amor-próprio nos enche de ousadia e intrepidez, adestrando-nos de modo a nunca aceitarmos menos do que realmente merecemos.

Mas nem todos, infelizmente, conseguem percorrer esse caminho de empoderamento, de libertação de amarras!

Encontrei na figura do mar uma rica e valiosa metáfora para que os leitores apreendam melhor o que é transpor desafios, transmutando-os.

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Direitos autorias da imagem de capa: aylor Bryant on Unsplash

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