AmorAtitudeFelicidadeReflexãoVida

O casal perfeito

img 1 34 2454

A solidão dos homens tem a medida da solidão de suas mulheres.



Isso eu disse e escrevi – e repito – em dezenas de palestras por este país afora.

Aí me pedem para escrever sobre o casal perfeito: bom para quem gosta de desafios.

O casal perfeito seria o que sabe aceitar a solidão inevitável do ser humano,


sem se sentir isolado do parceiro – ou sem se isolar dele?!

O casal perfeito seria o que entende, aceita, mas não se conforma,

com o desgaste de qualquer convívio e qualquer união?!

Talvez se possa começar por aí: não correr para o casamento, o namoro, o amante (não importa) imaginando que agora serão solucionados ou suavizados todos os problemas – a chatice da casa dos pais, as amigas ou amigos casando e tendo filhos, a mesmice do emprego, chegar sozinho às festas e sexo difícil e sem afeto.


Não cair nos braços do outro como quem cai na armadilha do “enfim nunca mais só!”, porque aí é que a coisa começa a ferver.

Conviver é enfrentar o pior dos inimigos, o insidioso, o silencioso,

o sempre à espreita, o incansável: o tédio, o desencanto, esse inimigo de dois rostos.


Passada a primeira fase de paixão (desculpem, mas ela passa, o que não significa tédio nem fim de tesão),

a gente começa a amar de outro jeito.

tumblr_ly7pi9zjub1rnblh4o1_500_large

Ou a amar melhor; ou, aí é que a gente começa a amar. A querer bem; a apreciar; a respeitar; a valorizar; a mimar; a sentir falta; a conceder espaço; a querer que o outro cresça e não fique grudado na gente.


O cotidiano baixa sobre qualquer relação e qualquer vida, com a poeira do desencanto e do cansaço, do tédio.
A conta a pagar, a empregada que não veio, alguém na família doente ou complicada(o),

a mãe ou o pai deprimido ou simplesmente o emprego sem graça e o patrão de mau humor.

E a gente explode e quer matar e morrer, quando cai aquela última gota


– pode ser uma trivialíssima gota – e nos damos conta: nada mais é como era no começo.

Nada foi como eu esperava.
Não sei se quero continuar assim, mas também não sei o que fazer.

Como a gente não desiste fácil, porque afinal somos guerreiros ou nem estaríamos mais aqui, e também porque há os compromissos, a casa, a grana e até ainda o afeto, é preciso inventar um jeito de recomeçar, reconstruir.


Na verdade devia-se reconstruir todos os dias.

img_1_34_2454

Usar da criatividade numa relação.

O problema é que, quando se fala em criatividade numa relação, a maioria pensa logo em inovações no sexo,


mas transar é o resultado, não o meio.

Um amigo disse no aniversário de sua mulher uma das coisas mais belas que ouvi:

Todos os dias de nosso casamento (de uns 40 anos), eu te escolhi de novo como minha mulher”.
Mas primeiro teríamos de nos escolher a nós mesmos diariamente.


Ao menos de vez em quando sentar na cama ao acordar, pensar: como anda a minha vida?
Quero continuar vivendo assim? Se não quero, o que posso fazer para melhorar? Quase sempre há coisas a melhorar, e quase sempre podem ser melhoradas.

Ainda que seja algo bem simples; ainda que seja mais complicado,

como realizar o velho sonho de estudar, de abrir uma loja, de fazer uma viagem, de mudar de profissão.

tumblr_lxv87fXzcc1qcma95o1_r2_500

Nós nos permitimos muito pouco em matéria de felicidade, alegria, realização e sobretudo abertura com o outro.
Velhos casais solitários ou jovens casais solitários dentro de casarão terrivelmente tristes e terrivelmente comuns.
É difícil? É difícil. É duro? É duro. Cada dia, levantar e escovar os dentes já é um ato heroico, dizia Hélio Pellegrino.

Viver é um heroísmo, viver bem um amor mais ainda.

O casal perfeito talvez seja aquele que não desiste de correr atrás do sonho

e da certeza de que, apesar dos pesares, a gente, a cada dia, se escolheria novamente!!!

Por Ita Portugal

Pergunte-se…

Artigo Anterior

Comece o dia amando mais você!

Próximo artigo

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site.