O dia em que eu me salvei



Em uma conversa comigo mesma esses dias, fazendo um digging em theta, pude perceber que a maioria das situações difíceis que eu vivi eu estava sozinha.

Lembro-me que sentia o chão se abrir e que não tinha ninguém para segurar minha mão, se por acaso eu quisesse me jogar no buraco.

Muito pelo contrário, parecia que quanto mais eu ameaçasse pular, mais pessoas me viravam as costas.

Era muito doloroso para mim ter que olhar para tudo aquilo desmoronando, sem saber o que fazer, tampouco sem alguém para me ancorar se eu caísse.

E eu caía.

Eu desabei muitas vezes.

E eu ficava lá, esperando alguém para me salvar.

Nunca vinha ninguém e eu me sentia cada vez mais solitária e abandonada.

Eu reclamava e perguntava se Deus não via aquilo, se não via como eu estava sofrendo e porque eu estava novamente tão sozinha.

Até que um dia, num desses momentos de escuridão, uni minhas mãos em oração.

Eu perguntei quem poderia me ajudar e olhei para minhas mãos, juntas, em posição de prece. Era eu. Eu precisava me dar a mão.

Eu precisava entender o quanto me abandonara e não fazia nada por mim mesma.

Eu comecei a compreender que só eu poderia fazer algo ali, comigo e para mim.

Neste dia eu comecei a mudar os meus pensamentos e sensações, comecei a buscar dentro de mim tudo aquilo que eu queria dos outros e que eu mesma não me dava.

Tudo pareceu ter outro sentido! Iniciei uma jornada só de ida para dentro, para o único lugar que eu poderia ter conforto, mesmo lidando com as minhas piores trevas.



E foi aí que eu finalmente acordei daqueles pesadelos tão constantes e repetitivos.

Não que os buracos não aparecessem, mas eles ficavam cada vez mais rasos e eu conseguia construir degraus.

Eu comecei a desconstruir tudo aquilo que aprendi… e comecei a aprender novamente.

Ressignificando, reaprendendo, recomeçando.

A dor já não virava sofrimento, eram apenas gatilhos para minha própria evolução e eu passei a ver algo bom em cada experiência não muito bem-sucedida.

Mas o mais importante disso tudo é que eu aprendi a ter constância.

A ver que não é o que acontece, é sobre como reagimos a isso.

Eu tenho medo, eu sinto raiva, eu tenho vontade de gritar, às vezes, também.

E grito. Mas eu não sou. Eu tenho momentos de estar.

Eu aceito minhas sombras como parte valiosa de mim, na plenitude, na totalidade do universo infinito que há na minha existência.

Agora eu vejo que nunca estive sozinha. Jamais fui abandonada. Eu apenas não sabia como estar comigo. Eu não via que eu não tinha a mim.


Direitos autorais da imagem de capa: wallhere.com /






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