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O dilema do porco-espinho, de Arthur Schopenhauer

Você já ouviu falar do dilema do porco-espinho?

O dilema do porco-espinho é uma metáfora curta, mas que pode nos ajudar a refletir sobre como nos comportamos na convivência com as outras pessoas ao nosso redor.



Ele foi criado pelo filósofo alemão Arthur Schopenhauer e apresentado ao mundo como uma parábola na obra Parerga und Paralipomena, publicada em 1851, que reuniu algumas de suas anotações filosóficas.

O dilema do porco-espinho consiste em apenas um parágrafo e é encontrado no Volume II da obra, mas por seu valor reflexivo, ficou bastante conhecido e até se tornou um conto popular citado por Sigmund Freud, o pai da psicanálise.

O filósofo e autor alemão Rüdiger Safranski, em seu livro “Schopenhauer e os anos mais selvagens da filosofia”, sugere que Schopenhauer inspirou-se para criar o dilema em uma escalada que realizou aos 16 anos:


Finalmente, em 30 de julho de 1804 — quando a grande viagem já se aproxima de seu fim — chega à escalada da montanha Schneekopp [o Pico da Neve] na Silésia, então alemã, hoje na Polônia. A jornada leva dois dias. Arthur pernoitou com seu guia em uma cabana construída em um planalto intermediário, no sopé do cume mais alto da montanha. “Entramos em uma peça única, cheia de pastores embriagados. […] Era insuportável; sua quentura animalesca […] produzia um calor candente”. A “quentura animalesca” dos homens amontoados naquele espaço exíguo — foi daqui que Schopenhauer tirou sua metáfora posterior dos porcos-espinho que se empurravam uns contra os outros para se defenderem do frio e do medo. (SAFRANSKI, 211, pg. 99)


O dilema do porco-espinho

Um número de porcos-espinho ​​se amontoaram buscando calor em um dia frio de inverno; mas, quando começaram a se machucar com seus espinhos, foram obrigados a se afastarem. No entanto, o frio fazia com que voltassem a se reunir, porém, afastavam-se novamente. Depois de várias tentativas, perceberam que poderiam manter certa distância uns dos outros sem se dispersarem.

Podemos perceber esse mesmo padrão em nossas vidas em sociedade. Nossas necessidades, obrigações, monotonia e até mesmo o medo de ficarmos sozinhos nos motivam a nos unirmos às outras pessoas, mas quando percebemos as diferenças e as dificuldades de convivência (os espinhos), acabamos por nos afastar, porque não nos fazem bem.


Ficamos perdidos por um tempo, sem saber se o certo é manter distância ou nos aproximarmos, até conseguirmos compreender que a chave para uma convivência saudável para ambos os lados é conquistada através de uma distância equilibrada, que permite o respeito e as boas maneiras. As pessoas que tentam burlar esse esquema são repreendidas.

Essa organização de média distância não satisfaz totalmente a necessidade de calor, mas proporciona uma realidade confortável, porque não deixa ninguém ferido.

Ainda é importante notar que as pessoas que procuram cultivar o calor em si mesmas podem ter uma realidade de vida melhor, porque têm a oportunidade de ficar mais afastadas, cuidando de suas próprias vidas. Além disso, não ferem outras pessoas e também não correm o risco de serem feridas.

Você concorda com o dilema do porco espinho, proposto por Arthur Schopenhauer? Compartilhe suas opiniões através dos comentários abaixo!


Direitos autorais da imagem de capa licenciada para o site O Segredo: Sebastian Duda / 123RF Imagens

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* Matéria atualizada em 23/10/2018 às 5:39





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