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O direito de ser solteira: sobre dar um tempo para si mesmo…

No filme romântico na sessão da tarde, você busca seu “grande amor” ou pelo menos busca saber a sensação de estar apaixonado.


Um tempo depois, você dá seu primeiro beijo e, mais para a frente, você encontra aquela paixonite que gera em você aquela ansiedade para vê-lo, que arrepia, que você sente as tais borboletas dentro do estômago.

Como de costume, na sua vida que nada dá certo, ele dá uma mancada, você chora, desmorona e acha que vai ser o fim do mundo… mas, não é!

E ao longo do caminho, mesmo você sabendo todas as probabilidades de dar errado, você continua em busca de uma pessoa legal, parceira e que o amor seja recíproco, tudo aquilo que vimos na TV.

E óbvio que, no meio tempo, conhecemos pessoas aleatórias e temos nossas histórias de bares, internet e, às vezes, um cinema.

Demos risadas? Lógico! Choramos? Algumas vezes. Mas conhecemos pessoas incríveis, amigos e até algumas paixões.


Depois de algum tempo, você começa a considerar que, de tudo isso que você passou, entre quebrar a cara e ter amigos não tão sinceros assim, foi um aprendizado. E agora, neste atual momento, você se olha e pensa: caramba, mas todo esse aprendizado tornou-me mais velho, mais chato, mais calado, mais cansado, deixei de confiar nas pessoas e parei de me abrir.

E, ao mesmo tempo, mesmo colocando tantas desvantagens, você consegue perceber um amigo que está sempre presente, que você está cuidando mais de si mesmo e aproveitando mais sua própria companhia.

Conclui que não estou velha, como muitos me chamam e como até eu mesma me denominei, muitas vezes, mas que estou cansada e com preguiça de mais do mesmo, sem novidades alguma.

Sabe quando você sai já sabendo que a mesma pessoa vai dar PT, que a outra vai querer ir embora quando as músicas estiverem incríveis e que vai ter um bêbado chato enchendo o saco e cortando totalmente o resto do clima que você arranjou para sair com os seus amigos naquela noite cinzenta?


E pior, passar 90% da festa pensando que é por isso que você paga Netflix e que poderia estar em casa, de pijama, sem maquiagem e com o cabelo sujo, onde seu único trabalho seria pegar um delivery no portão.

Conclui também, que estou mais calada e me abrindo menos para as pessoas em geral, mas estou vendo tanta evolução na minha vida. Estou me sentindo gente grande e bem cuidada.

Esses dias, uma amiga me mandou mensagem dizendo o quanto eu estou linda nas fotos que estou postando. Mal sabe ela que o dia foi péssimo, mas estava com pessoas boas, rindo e eu simplesmente estou “linda” porque estou me cuidando e dando prioridade para mim mesma!

Numa festa, recentemente, ouvi aquela sagrada pergunta “e os namoradinhos?”. Tia, que namoradinho? O dia tem apenas 24h! Estou tentando me formar, indo pra academia, fazendo um curso de espanhol e aprendendo andar de skate, ou seja, não tenho tempo nem para minha família e amigos, quem dirá para uma pessoa complexa, querendo estar sempre por dentro (minha agenda está, mas nem eu estou sabendo de tudo), querendo atenção e eu simplesmente querendo que o dia tivesse mais horas para poder fazer aulas de italiano.

E mesmo depois de toda essa explicação lógica, vem seus amigos: Ok, mas e os contatinhos (rolo, ficante ou sei lá como estão chamando no momento)?

Amigos, todos nós sabemos que a parte da conquista é a mais melosa, interessante e a mais cansativa, o que necessita de TEMPO. Lógico que tem aquelas pessoas que aceitam o verão apenas, talvez, uma vez por mês, que você demora cerca de 24h para responder. Agora, reflita se essa pessoa vale a pena ou se é só um contatinho mesmo? Vejamos, é um domingo e a pessoa manda um whats. Opção A – Sair com ele. B – Ver netflix na sua única brecha da agenda da semana. Pois é, e não está errado escolher a opção B!

Estou, ao contrário do que muitos pensam, valorizando meu tempo! Estou simplesmente querendo assistir pela milésima vez aquele filme que sei até os diálogos de cor, usando a camiseta rasgada do meu primeiro JUCA.

Tudo isso sem me preocupar em dar satisfação, responder mensagens no celular ou dizer “não” pela terceira vez e sem medo, para uma festa que não quero ir. Estou simplesmente me amando mais e não dando muita importância pelo que andam pensando de mim.

Status: Cheguei de um job às 7h da manhã do sábado, coloquei uma roupa velha e estou comendo batata frita com direito a maratona de American Pie, até eu pegar no sono. E quando eu acordar, vou deixar meu celular no carregador, longe da minha cama e, talvez, vou abri-lo somente no iFood, mantendo todas as notificações lá, sem ao menos visualizar.
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Direitos autorais da imagem de capa: mimagephotography / 123RF Imagens





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