O DOCE BARULHO DO BULE…

Ah, o abraço do amigo! Esse laço enfeitado que envolve o corpo todo, do pé ao pescoço, da alma ao coração. Amigo, esse cara bonito, que sonha comigo e traça o destino no voo de um balão. Meu parceiro de fé, guerreiro da vida! Companheiro das antigas, das más e boas vividas, das furadas, das enrascadas, das batalhas perdidas.

Sempre pronto, meu amigo de luz! Senhor do tempo, propulsor do vento, rei das galáxias. Olho no espelho e vejo um reflexo inteiro de duas metades de nós. Teu lado aventureiro com minha temporada pé no chão. Teu espírito coerente com minha mais louca versão. E dá pé, e dá fé e dá canção.

E a gente canta, pois somos o mais belo exemplo do que o amor é capaz de “viver e não ter a vergonha de ser feliz”. Você tem a cadeira cativa e a poltrona preferida – da casa mais bonita que eu puder fazer. Nós dois olhando juntos o horizonte da sacada, e a brisa tão rasa, passa e leva embora qualquer fragmento do sofrer.

Nosso canto limpo é palco sagrado de uma amizade desenhada para nunca mais morrer. E se a rotina quiser correr nosso anjo, e se o percalço se fizer corpo estranho, ainda assim, você estará na sacada de casa, onde o tempo não cansa. Não há paisagem mais linda do que a sua chegada depois daquele tempo longe. Não há lugar mais bonito do que qualquer canto que comporte nossas cadeiras de balanço.

E você pode correr o mundo na maratona da vida ou se esconder numa casinha de campo lá no interior da Bahia. O mundo inteiro pode perder o freio e cair na avalanche do medo. Mas você e eu, ah… você e eu estaremos sentados na sacada, de joelhos encostados, braços entrelaçados e aquele traço de esperança na cara.

Você e eu fizemos a mais bonita história de amor, muito maior do que qualquer escritor de novela. Fomos mocinhos, bandidos, casa de luxo e favela. Somos certeza e mistério, somos playboy e donzela, somos Dorothy e Cinderela.

Somos revista em quadrinhos, somos filme de guerra no céu. Qualquer tema não chegará aos pés do nosso mais bonito papel: amigos. No infinito do momento ou na finitude do futuro, em qualquer pronome ou tempo verbal, você e eu ainda seremos aquela dupla rara de joelhos encostados, braços entrelaçados e aquele traço de esperança na cara.

Estaremos falando de como o tempo passou, recordando o que não volta mais, rindo das mazelas da vida, das vezes que não achamos saída para os buracos que a dor nos deixou. Estarei sempre esperando o portão abrir para você entrar sorrindo naquelas tardes de domingo, onde só se ouve o canto dos pássaros e o barulhinho do bule no fogão.



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