Comportamento

O encantamento transmitido pelas ondas do rádio

No dia 25 de setembro comemora-se o Dia Nacional do Rádio, esse elemento de comunicação que desperta uma série de sentimentos em nós.



Quando criança acreditava que os radialistas morassem dentro dos estúdios, pois as programações eram ininterruptas – eu sei, não era lá muito inteligente. Também tinha a impressão de que esses profissionais vivessem em um mundo paralelo, sabe? Onde apenas nos era permitido conhecer suas vozes (algumas lindas, outras nem tanto) todas rodeadas por aquele mistério que pairava sobre o pequeno aparelho, por vezes esquecido no canto da sala.

Ainda hoje em dia, com a tecnologia nos permitindo reconhecer os rostos aos quais as vozes pertencem, mesmo assim quando me disponho a escutar, transporto-me para aquele lugar desconhecido e especial, onde apenas o som das palavras nos chama a atenção, exige o silêncio e possibilita o exercício da escuta do outro.

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Talvez o essencial seja isso: Ouvir o próximo! E o rádio nos lembra desse caráter fundamental da convivência. Em um mundo onde todos querem ser ouvidos, vistos, curtidos e amados, na ânsia de atingir a esses objetivos aumenta-se o tom de voz, alguns gritam e até chegam as vias de fato com o outro, para que sejam finalmente enxergados e notados.

Em meio a toda essa desordem, quando o caos se instala, e ninguém mais se ouve… O som baixo daquele aparelho, no fundo da casa me chama a atenção, mas não de maneira brusca e imperiosa, mas sim de forma serena e mansa, trazendo de volta a calmaria e a esperança de que o respeito possa surgir novamente.

A realidade é que o rádio estimula o nosso imaginário, nos divertimos com as situações engraçadas, nos informamos com o noticiário, em sua maioria imparcial, destacando temas relevantes para a sociedade. Agora, ao menos pra mim, existe uma questão central: por meio dele podemos ouvir música. Mas não apenas aquelas que se encontram na atualidade. O caráter mais especial dessa função (particularmente o que sempre me encantou, no rádio) foi a valorização das raízes da música, o fato de, além de apresenta-las aos mais jovens, nos recordar de canções lindas que inevitavelmente se perderiam no tempo, e cairiam no esquecimento para sempre, não houvesse essa preocupação de trazê-las aos nossos ouvidos de um jeito saudoso, como forma de lembrar-se com carinho delas.

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Sou muito agradecida por pertencer a uma geração que ouvia (e ainda ouve) o rádio.

O meu mundo de fantasias e sonhos de criança se tornou possível graças a esse instrumento de comunicação, que dialoga conosco de uma maneira tranquilizadora e pacífica.

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