ColunistasComportamento

O fato é que, realmente, eu me importo.

O fato é que eu realmente me importo.

Você finge não se importar e, na maior parte do tempo, você realmente acredita nisso.



Você escuta uma notícia ruim e ok, fica triste, mas segue sua vida como se aquilo não o tivesse afetado de alguma maneira.

Como se fosse possível ser a mesma pessoa que costumava ser após perceber até onde a maldade humana pode ir.

Você promete a si mesmo, todo santo dia, que não mais irá criar expectativas.


Mas o fato é que você acredita, de novo, de novo e um pouco mais.

E sabe o quanto isso é realmente sério quando se vive em uma realidade como a nossa? Uma realidade na qual as pessoas simplesmente não se importam?

Mas, o fato é que eu também me importo sim.

Importo-me com a senhora que não foi respeitada pelo próprio filho. Importo-me com as crianças que são abandonadas pela própria mãe.


Importo-me com a falta de gentileza. Com a falta de respeito. Com a falta de gratidão.

Importo-me muito com todas as ausências que precisamos lidar durante a nossa vida.

Aprendemos a nos valorizar, a não deixar que percebam nossos sentimentos, a ser superiores, a não se rebaixar, mas o fato é que a gente se importa, sim, com a forma como somos olhados e com todas as vezes que fomos deixados em segundo plano.

Eu sei, sei que não deveria, sei o quanto exponho meus sentimentos ao decidir importar.


Mas, talvez, importar-se não seja, de fato, uma decisão.

Eu sei que não deveríamos esperar nada em troca.

Sei que criar expectativas é o maior erro que podemos cometer contra nós mesmos, mas como não se importar?

Como viver sem esperar que, pelo menos, você seja reconhecido por todas as vezes que deixou suas lágrimas de lado para enxugar as de um outro alguém?


Como entender que no mundo possa haver pessoas que são capazes de não se importar?

Eu ainda me pergunto: até que ponto elas realmente não se importam?

Será que de uma maneira bizarra elas aprenderam a disfarçar seus sentimentos a ponto de realmente acreditarem que são capazes de não se importar?

Como você não se importar com os sentimentos daquele que você ama?


Como alguém consegue trair e voltar para sua casa e dormir ao lado de quem diz amar, como se nada tivesse fora do lugar?

Talvez eu viva em um mundo fantasioso, em minha mente tão sonhadora. Mas a verdade é que nunca vou entender como alguém pode fazer algo, sabendo que pode ferir outro alguém.

Mesmo que esse alguém jamais venha a saber, meu Deus, como realmente não se importar com o fato de existir a mínima possibilidade de ferir alguém?

A verdade é que quem se importa sofre demais e sofre porque importar-se dói.


Realmente dói perceber que, fazer o seu melhor, nem sempre é o bastante para algumas pessoas.

Vivemos na era do desapego.

Desapegue das coisas, desapegue das pessoas, desapegue das falsas ideias que tem de si mesmo.

Mas, até que ponto isso é realmente aceitável? Qual o limite que nos separa de nos transformarmos em meros robôs controlados por máquinas e não por um coração?


O que eu sei é que seguirei importando.

Importando-me em mudar a vida daqueles que estão a minha volta.

Importando-me em não deixar que o amor desapareça.

Importando-me em ser eu mesmo em um mundo de aparências.


Importando-me em doar-me para aqueles que fazem a minha vida um pouco melhor.

Importando-me em fazer o meu melhor.

Talvez possa doer aqui ou ali. Talvez eu possa pensar em desistir, em alguns dias cinzentos.

Mas eu seguirei acreditando que após a tempestade sempre haverá um dia de sol.

E por saber que esses dias existem, sempre valerá a pena acreditar um pouco mais.

_______

Direitos autorais da imagem de capa: primephoto / 123RF Imagens

Tire alguns minutos do seu dia para você! medite…

Artigo Anterior

É possível estar em um relacionamento e aproveitar a vida, sim!

Próximo artigo

Os comentários são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião deste site.