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O importante papel cuidador…

Hoje observei mais atentamente as pessoas que se encontram no papel de cuidador de alguém que necessita de atenção especial, como no caso de doença em família.

Isso me fez observar que o papel do cuidador é muito mais difícil do que o do doente.


Este, o doente, já tem seu programa traçado e não tem outra escolha a não ser “lutar com garra e coragem” e seguir o tratamento.

Entretanto, muitas vezes, essa caminhada exige o acompanhamento de um cuidador.

É nisso que estou focando, nessa pessoa que mostra um nível de abnegação e devoção, muitas vezes, sem o reconhecimento adequado.


O cuidador é uma pessoa  que está sempre junto, que divide todas as angústias, exercendo também um papel de apoio psicológico, uma atividade que envolve um caráter emocional. É alguém que o doente pode contar e nem sempre isso é uma tarefa fácil.

Aos cuidadores são exigidos oferecer cuidados intensos e com isso ter sua vida pessoal modificada, pois além da dedicação ao paciente, precisam substituir as tarefas por ele desempenhadas previamente e reorganizar as tarefas de sua responsabilidade e vida pessoal.

O exacerbado senso de responsabilidade fica em contraposição com o reduzido senso de liberdade, diminuindo sua independência, restrição de tempo para as atividades pessoais e, muitas vezes, restrição de sono e descanso.


Muitas vezes, o cuidador não está preparado para o exercício da função que acaba sendo consolidada pelo próprio doente, por isso, eventualmente, mostrar uma fragilidade não é problema algum. É preciso que haja uma relação de confiança para não haver sofrimento de ambas as partes.

O ponto focal é que, muitas vezes, o cuidador “para sua vida”, abrindo mão de suas atividades, de seus projetos, objetivos e de sua própria vida. Mas, o cuidador não pode se esquecer dele próprio e que tem de se cuidar também. Precisa ter em mente que se não estiver bem, não consegue dar conta do outro.

Mas, imbuído do espírito de dedicação, muitas vezes, esses limites não são reconhecidos.

Existem alguns sinais de que o cuidador está chegando ao seu limite e que é preciso uma pausa momentânea, um descanso da atividade. A irritação é um deles, pois quando começa a perder a paciência, dormir mal ou incomodar-se com coisas banais, está na hora de parar um pouco, descansar e pedir uma ajuda a outras pessoas, que podem assumir, temporariamente, o seu papel.

Por mais que o doente necessite de atenção é sempre possível encontrar um tempo para cuidar de si próprio.

A relação cuidador/paciente é muito delicada. Aliado ao esforço físico o sofrimento emocional desse contato com alguém que está sofrendo, que está perdendo sua vitalidade dia após dia é muito difícil e requer equilíbrio e controle emocional.

A redução do estresse pode ser encontrada no apoio emocional, social e familiar. O cuidador precisa ser cuidado, para suportar as perdas, construir alternativas e aproveitar as possibilidades.

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Direitos autorais da imagem de capa: obencem / 123RF Imagens





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