O lado bom do adeus…



Felizes são aqueles que encontram o lado bom do Adeus.

Que não tentam segurar aquilo que já nem está mais ali. Que não caminham pelo presente com o peso do passado nas costas. Que não perdem a oportunidade de um futuro melhor, por causa de velhas histórias que não foram boas.

Felizes são aqueles que encontram o lado bom do Adeus.

Que não se lamentam pelo que não aconteceu. Que não insistem no que não tem mais conserto. Que não enxergam apenas perdas, e sim os aprendizados que obteve por tudo aquilo que passou.

Não, nem tudo tem que ser para sempre. Melhores são aquelas coisas que terminam, do que aqueles que nunca acabam e só nos fazem mal.

É preciso aceitar que o fruto apodrece, que o leite azeda, que o pôr-do-sol chega, que o café esfria, que o hoje se tornará ontem.

Tem coisas que acabam sim, acabam porque precisam terminar. Tem coisas que não foram feitas pra durar para sempre, que tem seu prazo de validade, e que só são boas enquanto estão nesse prazo. Você pode insistir em não querer ver isso, é um direito seu. Mas quem escolhe conviver com o que não presta mais, não pode reclamar por não viver bem.

A vida se renova a cada dia, porque é esse fluxo de renovação que garante a existência.

Tudo se transforma; renova-se; muda.

É um piscar eterno, um pulsar que não cessa, um movimento que não acaba.

A vida se renova porque a Lei de Unidade garante que tudo que existe precisa ser único. Nada se repete: o hoje não é como o ontem, você não é como já foi, algo que aconteceu não acontecerá de novo da mesma maneira, nada é criado igual, apenas semelhante. Tudo é único, vivo e especial.

Insistir no que precisa ir embora é abrir mão de viver o novo. É morrer estando vivo, é se acomodar em vez de se aventurar, é querer criar muros diante das experiências a serem vividas, é abdicar de se encantar de novo pela vida, por uma falsa segurança que o conhecido traz.

São as mudanças e as transformações que garantem que a nossa consciência continue desperta.



Quando você faz uma atividade monótona e repetitiva você começa a ter sono, perder o interesse e, por consequência, a consciência. Você passa a agir mecanicamente, e não conscientemente, até apagar no sono. Porque é o novo, o dinâmico, que chama a atenção da consciência, e que, mais do que tudo, dá ânimo a ela.

Ânimo vem do latim animus, que significa alma, vontade, ou energia de vida. Tudo que se repete muito faz a gente perder o ânimo, porque perde a sua alma. E a sua alma é a sua unicidade, que é seu modo único de ser. Quando algo passa a ser repetitivo, deixa de ser especial, porque não é mais algo único e novo. É rotineiro. A maioria dos seus dias são iguais, por isso você nem lembra o que vestiu ontem. Mas aquele dia especial, que foi diferente, que te marcou, você lembra. Porque foi único. Porque teve alma.

O repetitivo cansa, perde o sabor, faz perder o interesse.

É por isso que a vida se renova, muda, transforma, faz a magia acontecer.

Não queira uma vida estável para ter segurança, coloque sua segurança em você e não nas coisas de fora. Porque tudo vai mudar, e você não deve ter medo disso.

Cada coisa tem o seu tempo, enquanto é necessário para nós. Tem a sua serventia, o seu valor, a sua utilidade, enquanto ensino e experiência. Depois que isso acabou, ou isso se renova ou vai embora da nossa vida.

É por isso que nós precisamos nos renovar, renovar nosso trabalho, nossos relacionamentos, nossa maneira de lidar com as coisas. Não precisamos mudar de emprego, de parceiro, de cidade, para isso. Precisamos apenas aprender a reinventar isso que já temos. Mas se mudar for preciso, então que mudemos.

Que deixemos isso para trás sem medo de dizer adeus.

Que não tenhamos medo de dizer adeus para  as pessoas que não nos fazem mais bem, para o trabalho que já não nos realiza, para o lugar que já não nos oportuniza crescimento, para as ideias que não nos fazem crescer, para os hábitos que não nos contribuem mais, para as relações que nada nos acrescentam.

Que não tenhamos medo de dizer adeus para a velha pessoa que éramos, para os medos que nos prendiam, para as lembranças que nos faziam sofrer, para as culpas que carregávamos, amores que eram apenas ilusões, planos que já não queremos mais, para a imagem pequena que fizemos de nós, a velha vida que levávamos e não nos fazia feliz.

É hora de dar adeus ao que te faz mal, de se renovar, se virar do avesso e se reinventar, como pessoa e como vida que leva.

Não há como andar para a frente, sem deixar um pedaço do caminho para trás. Por isso só quem enxerga o lado bom do adeus, pode deixar para trás o que fazia mal e construir algo mais bonito e melhor.

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Direitos autorais da imagem de capa: volare2004 / 123RF Imagens






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