MAR

Primeira crônica (do ano), movida pelo empurrão de uma amiga de que eu deveria expôr o que ando pensando, sentindo, vivendo.



Escrevo hoje, quando chove, e muito.
Sim, a verdade é que faltou coragem para dar início à crônica que seria a primeira deste ano.
Ano que mudou tudo aqui dentro, lá fora.


Peguei a mochila, subi na minha moto e voltei para casa.
Aquela já não era mais a minha casa, aquele olhar, aquele chão.
E tudo voltou…

A adolescência me pareceu voltar, não!


Eu estava com 30 anos e já não era mais hora.

Mas o meu quarto, que continuava como deixei, com a cor que pintei (verde natureza), os meus golfinhos pendurados na parede,
os origamis que eu mesma fiz, tudo, tudo continuava ali, como deixei.

Descobri que, por isso, a imagem da adolescência voltava seguidamente a minha mente.


Mas me redescobri como mulher.

Uma mulher já não com tantos medos, uma mulher muito mais forte, mais disposta a viver o que a vida estava e está oferecendo.
Uma mulher que se apaixona com um olhar, palavras e natureza.

Algumas paixões avassaladoras surgiram nesses quatro meses…


Algumas que já esqueci, outras que insistem em fazer parte da minha lembrança, mesmo que não saibam.

Chamo de paixão porque é o que sinto quando desejo ardentemente alguém,como num passeio de moto, num dia de chuva (temporal),
ou mesmo deitada na areia, olhando para o céu e escutando o barulho das ondas, essa mexeu, essa mexe ainda.
O medo, a tensão, o tesão de nos descobrirem ali…


A redescoberta do meu sexo, porque aquela fora a minha redescoberta, afinal, depois de anos com uma pessoa, você se redescobre
quando se sente livre para ser e fazer o que sente vontade.

Não falo em promiscuidade, mas em sentir, desejar, poder tocar…
Teve o surfista também.


Mas esse, definitivamente, só enxergava as ondas quebrando.
Chutei o balde!
Não acrescentou em nada.
Desculpa, surfista!


Mas de todas as que vivi, porque sim, é maravilhoso se apaixonar, de todas as que vivi, a que mais mexeu foi o Mar.
Sim, ele era como o mar,

Foram ondas gigantes de emoções até o encontro.
Palavras que provocavam frios na barriga sempre que o celular mostrava que ele estava ali…


Palavras que me instigavam, me provocavam, fazendo com que aquele momento fosse único.

E foi.
Único e ponto.
Meu olhar fixo no dele enquanto, ao mesmo tempo, eu batia a porta de casa.
Caminhei, como se numa maratona, até o carro, até o seu rosto.

Depois de um breve sorriso, me enrosquei no seu abraço, porque há exatos 30 anos esperei por esse momento.
E naquele lugar cheio de gente, só o que eu conseguia enxergar era ele, aquele mar azul, brilhando, aquelas ondas que iam e vinham.

Aquele rosto que chegava próximo do meu, que tocava levemente a minha face quando a conversa se tornava necessária.
Aquela paixão, a do mar, foi a avassaladora, aquela que pensamos: como cai nessa?
Te vejo agora, há exatos sete dias, indo embora, procurando novas conquistas, ou a antiga, quem sabe?
Procurando novas “duplas”, novas viagens (que sequer aconteceram)…

Será que ele não pensou o quanto poderia me machucar falando tudo o que falou?
Claro que não!

Certos homens não pensam, apenas vivem.
Mas sou muito mais fã daqueles, como o motoqueiro, que sequer falava, apenas o olhar dizia e sorria que o desejo ali estava, presente.
O Mar não, o Mar se fez tsunami, falou o que queria, sem medir as palavras.
E recolheu-se.

A sorte do amor tranquilo?
Se nem o Cazú teve, eu vou ter?
Não, desisto desse amor tranquilo!
Nem quero!

Deve ser chato ter um amor tranquilo, sem tesão, sem puxões de cabelo, sem areia, sem banho de chuva, sem moto, sem sorrisos largos.
Amor tranquilo é sentar no sofá e esperar o marido chegar e perguntar se o jantar está pronto.
E esse amor tranquilo não me serve.

O amor que me serve é àquele que me faz viajar, que me leva para viajar, que me faz rir e me tira o sossego.
Do Mar, só restou a saudade de viver o prometido.
E de dançar o que não deu tempo.
Essa realmente foi a paixão Avassaladora, sabe?

Sim, quem assistiu ao filme entende o que estou falando.
Agora entendo porque gostava tanto de assistir, inúmeras vezes, a esse filme.
Porque ele me remetia a quem eu era, àquela pessoa que sempre gostou dessas paixões.

Comecei a sentir falta de algo além do desejo.
Queria mais brilho nos olhos, dormir de conchinha,não namorar, ainda não.
Apenas o apego, passear de mãos dadas.
Pasmem!

Esse produto acabara de sair de linha, esgotado e não haveria reposição!
O que fiz?
Me afoguei em mais um copo de cerveja.
Pensei em ligar.
É, ligar.
Perguntar qual era a dele.
Como em intermináveis sete dias, a pessoa te deixa em transe e, no oitavo dia, desaparece?!
Sem notícias!

Nem um tsunami estava previsto!!
Ele me viciou.
Parecia com o efeito do Ecstasy.
Não conseguia dormir, olhava o celular, o meu corpo dava sinais de que precisava tocar o dele.
Mas mesmo assim,

Nunca fui chegada em drogas.
E o meu corpo precisou se libertar da mais avassaladora de todas:
A paixão.

Um amigo verdadeiro chega quando todos vão…

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