Reflexão

O medo de reconhecer erros

Continuando a série “armadilhas da mente”, reflexões a partir de Augusto Cury, agora veremos a 3ª delas, o medo de reconhecer os erros.



 

“O medo de reconhecer erros é, acima de tudo, o medo de se assumir como um ser humano com suas imperfeições, defeitos, fragilidades, estupidez, incoerência. Formamos nossa personalidade em uma sociedade superficial que esconde nossa humanidade e supervaloriza nosso endeusamento.

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Por vivermos em uma sociedade que valoriza os super-heróis, negamos consciente ou inconscientemente nossa humanidade. Temos medo de assumir o que realmente somos, seres humanos, mortais, falíveis, demasiadamente imperfeitos. Não há sábios que não tenham loucuras. Gostamos de ver as chagas dos outros, não as nossas. Os noticiários televisivos expõem as falhas alheias e cativam nossos olhos, enquanto ficamos na sala silenciosos, escondidos de nós mesmos em nossas poltronas.

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O ser humano é de um lirismo ácido. Todos sabem que errar é humano, mas insistimos em ser deuses, temos a necessidade neurótica de sermos perfeitos. Amamos conviver com pessoas simples, despojadas, mas complicamos nossa vida. A energia gasta pela necessidade neurótica de ser perfeito é caríssima, esmaga o prazer de viver.

O medo da crítica, do vexame, da rejeição, do pensamento alheio, dos olhares sociais, tem feito mentes brilhantes apagarem seus luzeiros.


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Muitos pais querem que seus filhos sejam humanos, mas eles mesmos se comportam como se fossem supra-humanos. Pais no mundo todo, da Europa à China, do Oriente Médio às Américas, querem que seus filhos reconheçam seus erros, mas neuroticamente não reconhecem os erros deles. Querem que seus filhos se humanizem, mas eles se comportam como deuses.

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Uma pessoa que defende suas idéias está correta, mas quem defende demasiadamente sua posição revela uma grande insegurança. Não se deixa influenciar, corrigir, repensar. Defender excessivamente nossas opiniões reflete fragilidade.


Há pessoas educadas, que nos primeiros cinco minutos de conversa são agradabilíssimas, parecem serem angelicais, mas conviver com elas é um tormento. Tecem mil argumentos para sustentar suas atitudes. Nunca reconehcem erros, nunca pedem desculpas. Sugam a energia vital dos outros por falar muito e procurar excesso de atenção. Não cresceram psiquicamente.

O homem Jesus teve reações que chocaram o mundo e nos deram grandes lições antes de ser preso. (…) Era seguro, lúcido, coerente, enfrentava os vales do medo com incrível coragem, mas quando precisou decifrar o código das lágrimas não se segurou, quando precisou se despir de sua força e decifrar o código da autenticidade admitiu sua dor com uma clareza cristalina, disse que sua alma estava deprimida até sua morte. Quando atravessou o deserto do desespero não se calou. Discorreu sobre o seu drama.(…) Só um ser humano verdadeiramente forte pode declarar sem medo sua fragilidade! Só um ser humano maduro não tem medo de si mesmo!

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Muitos não sabem que decifrar o código para falar de si e reconhecer seus erros é altamente relaxante, reconfortante, agradável. A sociedade nos estimula a sermos deuses, mas tentar ser um deus perfeito e intocável é altamente desgastante e psiquicamente deprimente.”


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