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O melhor conselho que recebi

Já recebi imensos conselhos. Guardo  todos com muito carinho, sobretudo aqueles que foram



benéficos para mim.  De entre todos, há um mais especial e muito simples que me foi passado

pelo meu pai. A mensagem que ele me passou foi para escolher ser diferente.

Quando  era  nova  surgiu  a  moda  de  colocar  a t-shirt  por  cima  da  camisa  e  depois  dobrar  as mangas da camisa até à manga da t-shirt…não sei se te lembras desta moda. Não me recordo que idade eu tinha, sei que foi nos anos 90, mas lembro-me que era muito nova e tinha uma necessidade  enorme  de  ser  aprovada  pelos  outros.  Logo,  aderi  a  tudo  o  que  me  pudesse colocar num lugar de concordância.


O  meu  pai  não  colaborava  com  esta  atitude.  Questionava-me  porque  eu  tinha  que  seguir tantos os outros e ser mais uma ovelha. Dizia que se eu gostava dessa moda, então deveria usá-la quando todos a deixassem de usar, pois pelo menos aí seria diferente.

Na época da “poupa” foi igual. Ele gozava todas as manhãs comigo. Eu perdia quase uma hora

a fazer a “poupa” perfeita, para ser igual às outras “poupas”.

O  meu  pai  sempre  escolheu  ser  diferente  e  original.  É  alguém  que  se  preenche  a  criar  e  a inovar e essa mensagem foi-me sendo passada e foi essencial para chegar aqui. Sempre que ele  me  via  na  posição  de  seguir  os  outros,  ele  empurrava-me  para  me  conectar  à  minha essência e sair do caminho onde a maioria andava.


Normalmente,  um  dos  principais  obstáculos  para  abraçar  a  nossa  diferença  é  o  medo  da rejeição  e  este  medo  é  muito  enganador.  Ele  faz-nos  acreditar  que  algo  de  errado  pode acontecer  no  futuro  ou  que  vamos  sofrer  muito  por  sermos  diferentes.  Mas,  cada  vez  que deixamos  de  fazer  algo  para  evitar  uma  rejeição,  nesse  momento  ela  já  está  a  acontecer, porque nós estamos a rejeitar-nos a nós mesmos.

A rejeição não acontece no futuro, ela acontece no momento em que criamos a história acerca

da rejeição e nos rejeitamos. Sem a história futura acerca da rejeição, a rejeição não acontece, é apenas algo na nossa mente.

O que ganhamos afinal ao negar a nossa verdade e viver para ser aprovado pelos outros?


Se formos honestos,  conseguimos ver que não ganhamos nada. A aprovação que surge é por base numa mentira. Se a imagem que apresentamos é falsa, qualquer aprovação que venha do exterior não terá grande valor para nós. Nunca nos vamos sentir verdadeiramente aprovados,

porque o que está a ser aprovado não somos nós, mas a imagem que criamos de nós próprios.

Ser  diferente  pode  ser  doloroso,  mas  senti  que  dói  menos  do  que  a  dor  e  a  frustração  que estamos a criar quando nos abandonamos. Este último para mim foi mais violento.

O percurso pode ser solitário se realmente formos muito diferentes, mas na nossa diferença pode estar um génio, escondido e camuflado pela nossa máscara.


Talvez  o  meu  pai  pense  que  eu  tenha  ido  longe  de  mais  com  esta  minha  vontade  de  ser diferente.  Mas,  na  verdade  eu  não  sou  diferente,  sou  apenas  o  que  consigo  ser  a  cada momento. Umas vezes mais falseada, outras vezes mais autêntica. No entanto, se hoje tenho uma ligação mais profunda a mim mesma, foi graças à influência do meu pai e ao exemplo que ele me deu ao abraçar a sua diferença e aquilo que o torna especial e original.

A minha lembrança de hoje é para seres tu mesmo, para valorizares a tua individualidade e singularidade. A rejeição e a crítica não impedem a tua liberdade, o que impede a tua liberdade é o  apego à rejeição e à crítica.

 

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Clarisse Cunhaperfil

Curiosa, questionadora e irrequieta levanta-se todos os dias a pensar no que vai partilhar.

Comunicar com os outros tornou-se na porta de acesso à sua essência. Além de colaborar com O Segredo podes deixar-te inspirar pelas suas palavras no seu site (clarissecunha.com) e instagram (@cunhaclarisse).


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