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O ouro interior: quem tem o ouro dentro não cobiça o ouro fora

o ouro interior

Há uma questão filosófica, dentre diversas nas teorias de Platão (“As três almas”), que diz mais ou menos assim: quem possui ouro dentro não cobiça ouro fora.



Tudo que possui um cunho filosófico dá abertura a diversas interpretações, e nenhuma está errada, desde que seja feita conforme as próprias questões e conhecimentos da pessoa. Reflexões devem ser internalizadas, para que possam evidenciar aquilo que a pessoa já possua em seu interior, seja de conhecimento, seja de crenças, etc.

Contudo, vale ressaltar, conforme Paulo de Tarso: “tudo é permitido, mas nem tudo convém”. Ou seja, é preciso ter cuidado nessas interpretações, pois a reflexão filosófica predispõe uma reflexão mais aprofundada e, consequentemente, interior: o voltar-se para dentro, para si, e dali tirar o seu “alimento”. Portanto, devemos questionar onde ela se aplica em nossa realidade, em nosso processo de aprendizado.

Desta forma, proponho duas interpretações que acredito que possam ser feitas, sem nenhum intuito de esgotar a questão.


Sabemos que o que está em nosso exterior, à nossa volta, é um reflexo do nosso estado interior. O que está fora está dentro. O que enxergamos fora é possibilitado pela lente interior. Somente aí já temos campo fértil para diversas interpretações, diversas considerações. E, novamente, nenhuma está equivocada.

Mas o que quero instigar hoje é o seguinte questionamento: o que estamos buscando fora? O quanto sofremos por buscar o amor de alguém ou das pessoas e não receber?

O quanto sofremos porque os outros não nos aprovaram em determinadas ações? O quanto sofremos porque não obter o apoio em um objetivo ou projeto, por não acreditarem em nós, por não termos a companhia de outras pessoas?

Agora, o mesmo questionamento, mas de outra forma: Por que buscamos o amor fora, a aprovação fora? Por buscamos o apoio fora, a credibilidade, companhia fora?


Você sofreu uma decepção, uma mágoa por que alguém não acreditou, não apoiou um projeto seu? Sim? E o quanto você acreditou em si mesmo? O quanto estava seguro e firme com o que acreditava, com o que desejava?

Em vista disso, culpamos os outros por questões que nem nós mesmos conseguimos estimular dentro de nós.

Quem tem o ouro dentro não só não cobiça o ouro fora, como nem o procura. Portanto, é preciso que tenhamos a coragem e a dignidade de plantar em nosso jardim interior tudo o que admiramos e reclamamos para nós.

A vida interior, o processo de autoconhecimento e reforma íntima, predispõe encontrar e estimular todas essas questões, esses sentimentos, essas condições… onde? Dentro de nós mesmos!


Tudo que estamos, consciente ou inconscientemente, buscando no externo que nos rodeia, nas situações, nas pessoas, é por que não temos isso dentro, para com nós mesmos. Qual é a analogia do ouro? Ouro, em nosso mundo material, é extremamente valioso. Quanto mais puro e maciço, mais valor de mercado ele tem.

E como cultivamos aquilo que é valioso para nós em nosso íntimo? Como cultivamos o nosso ouro interior, ou seja, a nossa essência? Esta que é nossa, individualizada, personalizada, divina. Lapidada vida após vida, contendo todas as cicatrizes, mas também contendo todo seu brilho próprio, proveniente de tudo que já desenvolvemos de bom. E é para isso que descemos novamente à experiência na Terra: para que possamos buscar e encontrar este brilho interior, através do autoconhecimento.

Não há mistérios, não há segredos. O mais significativo feito que podemos proporcionar é o do autodesenvolvimento, da evolução através do olhar interior.

O que seria ouro para você? O que é realmente valioso para você?  Você cuida do seu ouro interior? Procura conhecê-lo? Procura polir o seu ouro, para que ele ilumine de dentro para fora? Quais são os sentimentos que você alimenta para formar o seu ouro interior?


Desejamos viver com amor? Desejamos viver com apoio? Desejamos viver com companhia? Desejamos viver com credibilidade? Então comecemos por dentro, que é onde tudo começa. E aí sim, tudo isso e muito mais que venha de fora fará sentido e somará com o que já há em nossa vida interior. Aí poderemos viver de forma mais plena e consciente em nossas relações, o que obteremos de retorno de tudo que nos rodeia.

Não há pressa, não há o que temer. Temos uma vida inteira para isso, e nem sempre uma só é o suficiente. Mas dar o primeiro passo e buscar este caminho de dentro, procurando compreender estas questões mais profundas e existenciais, é fundamental e nos proporcionam uma significativa mudança de vida.

De que forma o seu ouro reluz? Que formato ele tem? Que tonalidade de dourado somente ele possui?

Que essa reflexão possa despertar em você a vontade de conhecer e cuidar mais do seu ouro interior, pois ele é muito importante e valioso. Ele é sua “moeda de troca” para viver e sair melhor desta passagem na Terra. É isso que levaremos daqui.


Há ainda uma segunda reflexão que acredito que possamos tirar dessa importante questão filosófica. Mas fica para o próximo texto.

Enquanto isso, deixe seu comentário e a sua proposta de reflexão sobre a frase levantada aqui: quem tem o ouro dentro não cobiça o ouro fora.



Direitos autorais da imagem de capa: wallhere.com / 692195

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