O pedido de desculpas é como um bálsamo que dá ao outro a chance de recobrar a mansidão

O pedido de desculpas que fazemos, mesmo quando julgamos estar com a razão, serve como um bálsamo, um paliativo, para dar uma chance ao outro de parar, de relaxar e recobrar a mansidão.

Num certo dia, magoada com uma situação, escrevi a seguinte frase: Todas as palavras grosseiras que você atira sobre mim, eu as recolho e descarto, com muito cuidado. Sei que, na verdade, você queria dizê-las para si mesmo, mas as palavras assim despejadas ficam pelo caminho e eu não quero que você tropece nelas depois.



Fico pensando nas muitas vezes em que a gente se desculpa, sem ter feito nada para magoar, nada para provocar o choro, a zanga ou a raiva do outro. A gente se desculpa para aliviar uma culpa que não temos, mas que o outro planta, rega e cuida até germinar e acabar de vez com nosso senso lógico, com nosso raciocínio normal.

A gente se desculpa porque não quer causar mal ou dano, mesmo que o engano, às vezes, a nosso ver, seja do outro.

A gente se desculpa porque tem medo de julgamento, medo de condenação, a gente tem muito medo de um não, e não quer ver a dor alheia, porque a nossa dor, em alguns momentos, já é grande o suficiente.

A gente sente que deve fazer algo para que não se acabe uma amizade, um amor ou relação familiar; a gente quer dar, e dá qualquer coisa para que tudo fique bem, mesmo que dê seu amor-próprio naquele momento e sua falta de entendimento do problema.


O amor-próprio de nada vale quando você vê no rosto de outra pessoa, uma certa angústia ou mágoa por algo que você, mesmo sem intenção de ferir, disse ou fez. A gente acaba entregando a razão para quem faz questão. Depois ficamos com a dúvida, tentando encontrar nosso erro para que não mais se repita e nossa consciência grita: fica tranquila, você nada tinha feito de mal, porque seu sentimento não era o de magoar. O outro viu apenas o que sentia no momento. Então, depois da gente se desculpar, vê que de nada adiantou, porque quem muito se ofendeu, foi na verdade, quem mais nos pisou.

Em muitos momentos, o outro apenas reage ao que não lhe cai ou faz bem. O que precisamos entender é que quando o ego está no comando, corremos o risco de não ver além daquele momento, de não nos lembrarmos o quanto aquela mesma pessoa é cheia de qualidades, generosidade, carinho, e aquela agressividade que demonstrou ali, naquele instante, pode ser um claro sinal de medo, medo de se envolver, medo de sofrer, medo de se entregar, medo de amar. Sei que em uma situação tensa, é difícil pensar, (nisso) e manter a calma, mas se você conseguir observar vai ver que o ressentimento do outro dará lugar a uma grande paz e a agressividade será substituída pela harmonia, a discussão nem existirá mais.

Não vale a pena discutir ou brigar por nada. Nenhum motivo serve de razão para darmos vazão aos nossos piores instintos ou para colecionarmos lembranças de coisas negativas que o outro nos fez um dia, porque temos a mania de levar tudo para o lado pessoal. A gente se esquece que, às vezes, uma pessoa age com grosseria ou agressividade por um problema, na maioria das vezes, talvez emocional e desconta na pessoa que está mais próxima (no caso, você), numa tentativa desesperada de chamar a atenção, de pedir indiretamente uma ajuda, sem ser você, necessariamente, o foco da questão.


Se conseguir, nesses momentos, raciocinar, ter calma, clareza de ideias e não compactuar com a disputa pelo poder, vai ver no olhar do outro a mágoa se dissipar e também uma imensa gratidão.

O pedido de desculpas que fazemos, mesmo quando julgamos estar com a razão, serve como um bálsamo, um paliativo, para dar uma chance ao outro de parar, de relaxar e recobrar a mansidão.

Na verdade, não importa quem está certo, porque os conceitos de certo ou errado são muito elásticos e variam de pessoa para pessoa. O mais relevante é haver paz e qualidade nos nossos momentos, para que sejam desfrutados com alegria e leveza.

Se você não conseguir pedir desculpas, isole-se por um tempo, para dar ao nervosismo uma pausa e a outra pessoa envolvida uma chance de recobrar a lucidez.

Dê a si mesmo também uma oportunidade de não se aborrecer e deixe para conversar, então depois, quando a tempestade passar e a luz brilhar de novo nos olhares e nos corações. Quando nos deixamos levar pela emoção do momento, perdemos o foco, o ponto central.

Amar e ser generoso é dar a todos o melhor presente, algo tão íntimo que não se compra ou vende: fragmentos de sua própria essência!  Quando interagir com alguém, pense nas seguintes palavras:

Olho para você e vejo apenas um anjo, a outra parte eu esqueço, desconheço.

Quero apenas abraço, beijo, carinho. Vou fazer de suas asas um manto divino, que acenda nossas brasas e trace nosso destino.


Direitos autorais da imagem de capa licenciada para o site O Segredo: ackbara / 123RF Imagens

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