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O PODER DE SER VULNERÁVEL

Nossa sociedade atual parece viver um dilema. Estamos num momento de mudanças muito velozes, exigindo cada vez mais aprendizado contínuo e adaptação a novos modos de se viver e se relacionar. Novas tecnologias surgem quase que diariamente. O que é uma inovação hoje pode não ser amanhã.  Isso exige que as pessoas busquem todos os dias criar maneiras inovadoras de solucionar problemas. Com o advento de tecnologias como smartphones, tablets e computadores pessoais, em conjunto com a internet, as redes sociais e as mídias de alcance global, as informações percorrem o mundo em poucos segundos.



Essa evolução é na verdade um sinal de que estamos nos superando consistentemente como a espécie dominante no planeta.  No entanto, este estado de mudança constante cria também algumas anomalias, dado a exponencialidade da rapidez com que essas descobertas são divulgadas. O que levava no passado séculos para ser desenvolvido, hoje pode ser feito em dias e às vezes em horas, minutos. E talvez essa velocidade de mudanças crie dificuldades para que possamos nos adaptar na mesma cadência a essa nova maneira de se viver.

O ponto crucial é que baseado neste modelo, passamos a premiar apenas os vencedores, aqueles que conseguiram de algum modo a se tornar quase que seres sobrehumanos e se adaptar mais habilmente do que a maioria ao fluxo de inovações.  A sociedade como um todo tende a valorizar exclusivamente os esses indivíduos.  Talvez, um bom exemplo são os medalhistas de prata dos jogos olímpicos. Em alguns casos, como no atletismo ou natação eles foram milésimos de segundo mais lentos e por conta disso acabaram recebendo pouca  ou as vezes nenhuma atenção quando comparados ao campeão. Mas isso não significa que eles não ser esforçaram ou que são inferiores.

Todos os que alcançam algum tipo de destaque naquilo que fazem ou são, acabam por receber atenção acentuada e são classificados como superiores.  Porém há uma peça nesse quebra cabeça que imagino estar faltando: todos, sem exceção e até mesmo os bem sucedidos, tem fraquezas e pontos em que precisam melhorar. Seguindo neste contexto, eu gostaria de destacar o conceito de vulnerabilidade. Na realidade, se tornar vulnerável, pode ser muito útil e enriquecedor, mesmo numa cultura que idolatra o sucesso.


É muito agradável falar sobre as conquistas e vitórias que alcançamos em qualquer aspecto de nossas vidas.  Mas dificilmente nos abrimos para falar de nossas fraquezas. Daquele detalhe físico ou comportamental que não gostamos em nós mesmos ou do dia em que fomos ridicularizados perante outras pessoas por falarmos ou agirmos de uma maneira inadequada. A verdade é que muitos de nós passa o tempo todo se esforçando para externalizar uma imagem que é irreal. Pessoas de verdade, o que inclui inevitavelmente todos os seres humanos sem exceção, têm derrotas durante o caminhar pela trilha da vida. E falar sobre estas derrotas é importante.

No que pude experimentar quando apliquei o conceito de vulnerabilidade na prática é que apesar de expor minhas fraquezas para outras pessoas, estava de fato externalizando o que de fato eu sou.  Existe uma cobrança social um tanto prejudicial, em torno da premissa de que seremos classificados como bem sucedidos se somente expusermos nossas qualidades e virtudes. Mas, na verdade, a vulnerabilidade de você se mostrar como é de fato, com fraquezas, defeitos e limitações é talvez um dos maiores sinais de força interior que existem. Quando se pode falar de si mesmo sem restrições pode-se alcançar um discernimento profundo acerca de quem realmente somos. E a partir do momento em que nossas fraquezas não são mais encaradas como negativo e não temos vergonha de falar abertamente sobre elas, conquistamos um domínio inimaginável sobre nossas vidas. O motivo? Nos tornamos seres reais, como de fato somos. O peso de se esconder numa armadura  em torno de um modelo que premia apenas o positivo torna nossas vidas  uma história fictícia. E tudo o que não é autêntico na sua essência tende a se deteriorar com o tempo e não se sustenta no longo prazo. E então passamos por traumas dolorosos ou por momentos de desespero e nos perguntamos o porque.

Seja aberto para falar sobre suas fraquezas, medos ou inseguranças, principalmente quando provocarem uma vergonha intensa apenas ao se imaginar de fato revelando-as a terceiros. São exatamente estas que devem ser externalizadas.  Obviamente que isso deve ser dividido com pessoas em que você confia e que vão te apoiar por entenderem este ser um ato de extrema coragem.


Eu garanto a todos que se aventurarem por esse caminho que muito de suas angústias serão aliviadas pelo simples fato de você retirar do fundo de sua mente os fatos proibidos sobre sua própria individualidade. Nossa personalidade deve também ser trabalhada através do reconhecimento de nossa imperfeição e da liberação de conteúdos ligados ao sentimento de inadequação. Se libertar da vergonha e se tornar vulnerável, mesmo que pareça paradoxal, é um sinal de grande maturidade.

Abram as portas para serem vocês mesmos.  No final a vida é uma sequência de erros e acertos, e nós também somos parte desse fluxo. Para progredir precisamos criar ferramentas para que o que nos incomoda e nos faz sentir diminuídos possa ser um degrau a na construção de uma nova pessoa, aquela que planejamos um dia nos tornar. Uma pessoa que sim tem defeitos, mas que inteligentemente a partir deles, se torna bem sucedida, não pelo sucesso em si, mas sim pelo fato de admitir sem restrições sua imperfeição, trabalhando em si mesmo esse lado que quase sempre não queremos enxergar.

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