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O príncipe e a andorinha, uma história sobre o perigo do apego

A história que trazemos abaixo é muito poderosa e pode transformar a maneira como você enxerga o apego. Leia-a com muita atenção.

Em um reino distante, um príncipe passava grande parte de seus dias na janela, à espera de que algo novo acontecesse por perto. Depois de muito tempo sem nada de especial acontecer, em uma manhã de abril, uma andorinha pousou na sua janela.


“Que pássaro delicado”, pensou o príncipe consigo mesmo. A andorinha cantou um pouco para ele e depois seguiu o seu caminho. O príncipe ficou encantado pela ave, que apesar de ser pequena, possuía um grande dom. Sentiu-se grato por ter apreciado os encantos do animal único.

Depois desse acontecimento, todos os dias o príncipe esperava o retorno da ave, para compartilhar outro momento especial ao seu lado. Depois de algum tempo, sua espera terminou, a ave voltou e cantou outra canção para o príncipe, que ficou ainda mais encantado. Antes de sua partida, ele pensou consigo mesmo se ela não sentia frio.

No terceiro retorno da andorinha, o príncipe se preocupou com sua fome. Então, decidiu se preparar para recebê-la melhor e teve a ideia de construir uma casa especialmente para ela. Pediu ao seu servo que comprasse os materiais e fizesse a casa para a ave. “Pássaro maldito”, murmurava o servo.


Quando a casa estava pronta, ele colocou dentro dela insetos, água e tecidos de seda para fazer uma cama para a andorinha. Ao perceber que a ave tinha retornado para o palácio, o príncipe colocou a casa por perto e observou como ela desfrutava da comida e água que tinha preparado.

“Você gosta destes insetos, doce andorinha? Eu os peguei especialmente para você”. Depois de um tempo, a ave voou para longe novamente.

A andorinha ficou muito tempo sem aparecer e o príncipe começou a ficar apreensivo e ansioso. E se ela nunca mais voltasse? E se encontrasse uma casa melhor? Talvez outros príncipes tenham construído casas melhores para ela. Mas ele não poderia permitir isso, ela era a ave mais especial que existia!


O príncipe perdeu o sono pensando em como poderia impedir a andorinha de ter outro dono. Então, mandou fazer uma porta com cadeado para a pequena casa. Quando a andorinha finalmente voltou e entrou para provar a comida, ele a trancou dentro da casa, e disse:

“Eu te amo, nunca mais lhe faltará água, comida e não sentirá frio”.

A ave se sentiu um pouco contrariada no princípio, mas como percebeu a comodidade da casa, aceitou. Ela sempre tinha comida e água, além de uma cama muito confortável para dormir.

O príncipe colocou a casa da andorinha na sua mesa de cabeceira para que pudesse cumprimentá-la todas as manhãs ao acordar.

“Você é a minha andorinha, cante uma linda canção para mim”, ele dizia.

A andorinha, até então, pensava que essa nova vida não era tão ruim, mas ao passar dos dias foi perdendo a habilidade de cantar, até que um dia ficou completamente muda.

O príncipe ficou completamente surpreso quando percebeu que sua ave não podia mais cantar as mais belas canções do mundo.

– “Você já não canta mais?” – Perguntou a ela. “Você me fazia muito feliz quando cantava.”

– “Minha canção era inspirada pelo fluir do rio, pelo som do vento nas árvores, pelo reflexo da lua nas rochas das montanhas. Eu era feliz, mas agora, nesta gaiola, não encontro motivos para cantar.”

– “Eu faço isso porque a amo” – disse o príncipe. “É perigoso andar sozinha por aí. E se acontecer um acidente? E se não encontrar comida? E se um caçador atirar em você?”

– “Quem? O que é um caçador?” – a andorinha tentava entender.

– “Eu cuido de você e a protejo, aqui você está a salvo de qualquer perigo.”

Um dia, quando o príncipe acordou, percebeu algo muito triste. A andorinha estava morta. No mesmo momento, encheu-se de raiva e indignação. Ele despediu o seu servo, porque o culpou pelo acontecido. No entanto, mesmo colocando a culpa em alguém, ainda se sentia muito triste e sozinho, porque aquela era a melhor companhia que poderia encontrar, a melhor andorinha do mundo.

Até que outra andorinha pousou na sua janela e cantou uma canção: a mais linda canção que ele já havia escutado…

Essa história nos faz refletir sobre o sentimento de apego, e como quando ele não é controlado, pode interferir na liberdade e felicidade do outro.

Quando amamos alguém, precisamos permitir que essa pessoa viva sua própria vida, fazendo o que a deixa feliz, porque ao tentarmos possuí-la, podemos perdê-la de uma maneira muito ruim. Quando realmente sentimos amor por outra pessoa, devemos respeitar suas escolhas e valorizar sua felicidade acima de nossos desejos pessoais.

Nossos amados são nossas andorinhas, e precisam voar, encontrar razões para cantar e complementar nossas vidas com sua liberdade.


Direitos autorais da imagem de capa licenciada para o site O Segredo: berka / 123RF Imagens





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