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O quanto a tecnologia tornou as relações descartáveis…

É, gostaria de dizer que foi a tecnologia que tornou as relações descartáveis, mas se olharmos bem, se olharmos profundamente, não foi isso o que aconteceu.

Assim como o dinheiro não muda as pessoas, a tecnologia também não muda o ser humano. O dinheiro e a tecnologia só têm a capacidade de maximizar quem você é, de ampliar o que a pessoa já é, ou seja, acaba por trazer muitos comportamentos latentes à superfície.



Veja como é assustador, hoje em dia a tecnologia traz um “catálogo de relações”. É quase um cardápio de pessoas, onde você vai até o aplicativo, escolhe pela aparência, ou por uma descrição superficial, a pessoa que mais lhe agrada, a que mais lhe desperta interesse.

Você pergunta para a pessoa o porquê daquela escolha, e são sempre as mesmas respostas rasas e superficiais. Quando se definem, falam o que fazem e não o que são.

O fato é que muitas pessoas não sabem o que são, definem-se por suas profissões ou por suas experiências profissionais, até mesmo por seus signos, mas esquecem que isso é o que fazem e não o que são, o que são os seus sentimentos, mas isso é assunto para outro texto. Voltemos ao caos das relações líquidas do século atual.

Quando você tem um catálogo de pessoas à sua “disposição”, você fica sem foco.

Assim como em um restaurante que tem muitas e muitas opções, o nosso cérebro não fica à vontade com tantas escolhas, mas é um paradoxo, porque se temos poucas opções, também reclamamos, e quando temos demais, não conseguimos nos decidir, e então damos origem às relações líquidas e descartáveis.


A alta do WhatsApp e seus recursos de privacidade, ajudam as pessoas que não querem mais outra pessoa a simplesmente descartá-la (vale uma ressalva aqui: a culpa não é do WhatsApp, ele é uma ferramenta extraordinária de comunicação, agora a forma como você manuseia essa ferramenta, diz mais sobre você do que sobre o próprio WhatsApp) elas tiram o visto por último, tiram o check-in, tiram a visualização dos status, etc., mas dentre tudo isso, o que mais me chama atenção é o fato de parar de responder. Isso mesmo, a pessoa começa a conversar com você e, às vezes, parece que a conversa está fluindo numa boa, só que você não sabe as motivações das outras pessoas, e quando outros assuntos são mais interessantes, ou tornam inviável manter a relação de conversa com você, a pessoa lhe descarta, e sem falar nada, sem dar ao menos uma simplesmente satisfação param de responder, param de visualizar e vida que segue, você já não serve mais, outro “catálogo” chamou atenção de uma forma mais agradável. Talvez, amores do passado tenham ressurgido, não importa.

O que importa é que não houve dificuldades daquela pessoa em parar de responder às suas mensagens, nem a própria curiosidade epistêmica do ser humano foi capaz de fazê-la abrir aquela conversa, porque para ela não é mais interessante.

Se você está lendo esse texto, reflita se já fez isso com alguém, talvez valha a pena limpar sua alma com um simples pedido de desculpas, sem esperar que seja bem recebido, mas lembre-se você é responsável pelo que faz, não pelo o que outro entende, ou se você já passou por isso e esse texto faz sentido para você, fique tranquilo, 2018 é o ano da lei do retorno, e por mais que deixar alguém no famoso “vácuo” do WhatsApp possa parecer banal, uma coisinha boba, não estou aqui falando da atitude em si, e sim do mal estar sentimental que ela gera.


Afinal, deixar o outro sem resposta, acho que é a pior resposta que um ser humano pode dar ao outro.

Deixar às cegas, sem finalizar algo, abre margens para dúvidas, para outros pensamentos e entendimentos, que no fim nunca serão certezas, e, parafraseando Bob Marley.

A verdade dói, a mentira mata, e a dúvida, ah, a dúvida! Essa tortura!

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Direitos autorais da imagem de capa: rawpixel.com on Unsplash

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