O que eu não quero da vida…

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Essa semana fiz vinte e cinco e continuo não sabendo o que quero da vida. Na real, sempre achei essa pressão desnecessária.

É como se jogassem uma bomba relógio prestes a explodir no seu colo. Ou você decide imediatamente que fio cortar, ou terá que lidar com dedos na cara e bocas que insistem em gritar “O tempo está passando. E aí? Já decidiu?”



Não eu não decidi. Eu não tenho vivência suficiente para decidir, de imediato, o que quero para o resto dos meus dias; por uma questão lógica: EU AINDA ESTOU VIVENDO!

Eu estou no auge das minhas descobertas, vontades, desejos. Eu ainda preciso aprender a ouvir mais e a calar quando farpas estão prestes a sair pela minha boca. Eu tenho muito chão para andar, muita fronteira para cruzar, muita gente para amar. Eu não posso fixar raízes num solo infértil. Eu quero voar.

Não vou me torturar por não ter status, diploma da faculdade mais incrível da cidade, aliança dourada na mão esquerda, um apartamento planejado ou um cargo de destaque na multinacional, porque os meus anos vividos me ensinaram o que eu NÃO quero da vida.


Eu não quero passar oito horas do meu dia trancada num escritório, sentindo o gelado do ar-condicionado nas costas, enquanto a quarta xícara de café me mantém acordada. Na minha essência há mais arte que planilhas de Excel e relatórios urgentes.

Eu quero escrever. Quero que a vida me conceda com amigos que acreditam que eu posso, que eu tenho que, que eu vou longe. Quero que o universo afaste de mim gente pequena, gente que diz que isso tudo é bobagem, perda de tempo.

Não quero passar cinquenta anos respirando ar poluído, nem apodrecer com a negatividade de pessoas amargas, infelizes, que não amam o que fazem.

Eu quero chegar em casa mais cedo. Eu quero poder ver o carnaval nos olhos da minha vó, quando ela perceber que eu tô abrindo porta. Eu quero jantar com a mulher que me ensinou a ter bom coração, pois o tempo é perecível, ela é frágil e as rugas no rosto dela me dizem que eu tenho que ficar.


Eu não quero perder o sono com amores errados – com gente que não sabe se vai ou se fica. Eu quero reciprocidade. Eu quero um “eu tô indo te ver agora”.

Eu quero ter tempo para buscar o meu irmão mais novo na escola. Quero carregá-lo nas costas todas as vezes que quisermos fugir do lobo mau que vive na parte escura da nossa casa. Quero poder segurá-lo forte quando ele correr na minha direção gritando “Me salva, Dé” porque daqui a pouco ele cresce, daqui a pouco ele põe o pé na estrada.

Eu quero almoçar com a minha mãe todos os dias, não só aos domingos ou em datas comemorativas. Eu quero encontrá-la na sala, enraivecida porque tem marca de pé no sofá novinho dela. O tempo não está passando só para mim, um dia ela não estará mais aqui e ausência dela vai dilacerar o meu peito.

Quero ter a liberdade para ser quem eu sou. Sem amarras, sem máscaras, sem ferir ninguém.

Eu não sei o que quero da vida, mas sei que o tempo voa, as crianças crescem, as pessoas morrem. Eu sei que o depois é incerto e que não há garantias de que eu vá ver o sol raiar. Talvez eu não esteja aqui amanhã, o mesmo vale para quem eu amo. Por isso, nas minhas veias correm amor, afeto, cuidado, empatia.

É por isso que meu coração bombeia sentimentos bons. É por isso que as pessoas da minha vida sempre serão prioridade. Eu não sei quando fecharei os olhos para não mais abrir. Eu preciso cuidar delas porque é isso que eu vim fazer nesse mundo: cuidar dos meus.

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Direitos autorais da imagem de capa: rido / 123RF Imagens

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