O que faz o coração se abrir, são manifestações de amor, gentileza, carinho e reciprocidade.

Estava eu no salão de uma amiga cortando o cabelo.

Terminei, e uma senhora que tinha acabado de fazer as unhas, o cabelo, a sobrancelha e tudo o mais, chegou até a recepção e eu fiquei ao lado, educadamente aguardando que ela terminasse para que pudesse efetuar o pagamento.

Eu, de tênis, roupa de ginástica, totalmente desligada e apenas observando.

Ela chega e diz para a mocinha do balcão:

– Você poderia pegar minha carteira que está dentro da bolsa?
– Claro!

– Uma pequena que eu comprei na Grécia ao lado da bolsinha que comprei na Itália.
Aí ela diz:

– De repente está perto do chaveiro que comprei na Espanha.

Imaginei: Essa mulher deu a volta ao mundo dentro da bolsa! Até ai nem me importei, mas parecia que ela fazia questão de mostrar onde esteve.
As mãos estavam cheias de anéis, ela tinha muitos adereços e um jeito de quem viajava o tempo todo e consumia muito.
Foi quando ela resolveu comprar um shampoo e um condicionador para o cabelo também.

Perguntou qual era o melhor e assim que resolveu disse:

– Um minuto vou ver qual cartão vou usar.

Pulavam cartões da carteira e eu continuava ali esperando para pagar um simples corte de cabelo.

Finalmente ela efetuou a sua despesa e demorou-se mais ainda contando suas viagens, suas passagens, onde sentia vontade de ir e para onde iria na próxima semana.

Mas a boa educação de um funcionário pede que se sorria escute e diga:

– Muito obrigado! Volte mais vezes!

Paguei meu corte, sem usar cartão algum, sem ostentar nada, agradeci como sempre fiz e sai.
Saí de lá com o seguinte pensamento: Preciso de um café na esquina de casa, isso sim!
E fui pensando como algumas pessoas são materialistas, egocêntricas e gostam de exibir suas vaidades como se fossem troféus.
Naquela hora deu vontade de pagar logo, disfarçar, e sair à francesa.
Pouco importa quantos Euros foram gastos na viagem, ou qual o próximo roteiro. Realmente não me interessa.

Eu me ajeito com minha simplicidade, com uma média e um pão na chapa na padaria da esquina, com um cafezinho com bolo na casa da tia mais querida do mundo, com a prima mais doida que sempre me remete a situações engraçadas e as histórias mais divertidas.

Lá, dá para sorrir, conversar, falar besteira e sentir que é de verdade.

O sofrimento também nos une e o amor se distribui.

Tem coisas das quais eu não abro mão. Não ligo para modismos, excessos, pessoas que se contentam em suprir suas carências gastando muito e vivenciando pouca felicidade e prazer.

O que faz o coração se abrir, são manifestações de amor, gentileza, carinho e reciprocidade.

Quem tem um lugar para chamar de seu onde se encontra paz interna e vontade de viver, já tem muito.

É assim que dou a volta ao mundo. Dentro de sentimentos que não acabam porque são sinceros.

Posso estar onde estiver. O conforto da minha alma alia-se à paz e à certeza de que tem gente que é importante para mim.

Pessoas das quais eu não me desfaço, que não têm preço. A vida fica melhor assim.

__________

Direitos autorais da imagem de capa: asife / 123RF Imagens



Deixe seu comentário