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O que fazer com tudo que de você em mim ficou?

O QUE FAZER COM TUDO capa e dentro

De onde veio…



Como não descrever o que em um piscar de olhos eu deixei de ver?
Quantas páginas poderiam relatar o tamanho do espaço que vai ficar?
Quantas pegadas na areia ficarão quando não mais lava sair desse vulcão?


Como não rasgar aquele papel, jogar da ponte o anel?

O que fazer com aquele cartão que na minha mão você deixou.
O que fazer com tudo que de você em mim ficou.

Como andar com esse sapato que não cabe no meu pé?


Como andar por essas ruas, como olhar para o céu, como deixar o vento me levar como papel?
Como ver a noite cair, olhar para o cais e perceber que você não está aqui?
Como deixar tudo ir, tudo partir?

De onde tudo surgiu, por que tudo desapareceu? De onde vem todo esse breu?


Caminhante da noite que não para em ponto algum,
Viaja através do tempo, sobrevoa continentes e se agarra na minha mão, me faz esquecer todos os nãos.

Sentou na mesma mesa que eu, um pouco do vinho ainda está lá, a garçonete desesperada está a esperar mais uma vez a gente chegar.

Passado e futuro cruzam um presente que perambula em busca de respostas.


Tentando entender porque tudo subiu e tão logo caiu.
Por que deixou escapar, teve medo de segurar? Ou tudo que criou na verdade nunca existiu?
Tentativa de fugir de um mundo que não te pertence? Tentativa de viajar dentro de você, tem medo de me olhar e se ver?

Mas se você conseguiu chegar lá, tudo ver, o coração ajudou a acender, porque tentou tudo esquecer? Teve medo de se perder? De ter que se virar para dentro e se deixar enxergar tudo aquilo que um dia quis negar?


Em que caixa conseguiu tudo guardar? Eu não tenho água suficiente nesse planeta pra tudo lavar, ainda sinto você no ar, em cada rua que viro penso em te encontrar. Talvez surge mais uma vez do nada e faça tudo mudar.

Como uma doce onda em um mar rebelde você apareceu, fez o mundo virar de ponta cabeça e desapareceu, levantou uma bandeira no pé do monte e de lá correu. Com os olhos me levou para longe e lá me esqueceu. Talvez esteja em busca do seu próprio eu.
Talvez esteja  em busca de matar os monstros que atormentam o silêncio, o vazio, aquele vazio onde só você está, porque com você mesmo o mostro não te deixa ficar.

O tempo leva o que o coração se deixa sufocar,  a água lava os pés que cansados estão de andar.


O corpo deixa de sentir, deixa de respirar, teima em se deixar ir, mas o sol o faz voltar a sorrir, ajuda uma lágrima a cair, as pernas voltar a caminhar e por mais um grandioso momento voltar a procurar.

Não posso deixar de sentir, sou emoção ao quíntuplo!

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