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O que os outros vão pensar? Vamos nos desligar disso! Não são os outros que vivem a nossa vida!

Passei anos da minha vida me preocupando com o que iam pensar os outros.

Houve uma época em que eu temia mais os outros do que a minha própria morte. Eu temia mais os outros do que o meu futuro. E, nesse medo dos outros, eu temia junto o meu passado. Vai que os outros conhecessem o meu passado! Deus! Eu realmente achava que estaria perdida.


Um dia percebi que havia uma espécie de sopa bem na minha frente, onde lá estavam o medo dos outros, do meu passado, do meu futuro incerto, da minha preocupação e ansiedade em tentar lidar com tudo isso e, como tempero final, a minha culpa paralisante que não me deixava nem ir nem ficar. Era um estado de completo paradoxo, porque percebi que eu não estava vivendo. Não completamente. Era como no filme Gravidade, onde o astronauta estava fora do tempo, mesmo podendo observar o tempo ao seu redor. Enfim, para todo momento de loucura há momentos de lucidez.

No meu momento de lucidez, ou seja, quando eu me dei conta de todas essas coisas, resolvi voltar para mim mesma. Não importavam mais os outros.

Redescobri-me em frente ao espelho, revirei as minhas roupas no armário e joguei fora os esqueletos que estavam há tempos ocupando um espaço demasiado.

Tchau para aquele relacionamento tóxico que só nos faz exigências, brinca com os nossos sentimentos e na sua fala bonita, que diz o que você quer ouvir, mascara as atitudes que nos humilham e maltratam a individualidade.


Tchau para aquele trabalho ruim que não paga como deveria, que tem um horário ruim, que não nos valoriza. Prefiro sempre vender pastel e bolo de porta em porta do que estar submissa a um ambiente que não me deixa ser eu mesma.

Tchau para as reuniões de família. Não há mal algum em dizer para você mesmo que não quer ir. Nem sempre queremos o que os outros querem.

Família de verdade entende quando precisamos nos ausentar ou mesmo nos afastar. Se há cobranças é porque não estão sendo família de verdade. Família não é laço de sangue.  E laço de sangue não deve ser mais um compromisso na sua agenda que você precisa cumprir para ser um bom cidadão.

Tchau para conceitos herdados que já não dizem mais nada. Amor tem a ver com amor. Química tem a ver com química. Precisamos descomplicar. Mas não podemos nos perder com as pessoas erradas. Podemos dizer que queremos nos perder, mas sempre no sentido figurado. Amar com o cérebro, refletir com o coração.


Chega de ficar nas redes sociais espionando a vida alheia e esquecendo de viver intensamente a própria vida. Da mesma forma que a gente publica aquela selfie numa atitude desesperada de dizer que nunca estivemos melhores, os outros também o fazem. A questão é que a gente acredita mesmo que a vida dos outros é melhor e tem mais sucesso que a nossa.

E daí que aconteceram algumas coisas que você gostaria que não tivessem acontecido? E daí que você tem problemas com a sua mãe ou com o seu pai? E daí que o seu namorado (a) a (o) traiu? E daí que você não ama mais o seu/sua marido/esposa? E daí que você não gosta do Natal e não suporta festa de aniversário? Ou tudo isso ao contrário do que estou escrevendo aqui. E daí?

Não são os outros que escrevem a nossa história. Não são os outros que decidem por nós. Não são os outros que vivem a nossa vida. Eles estão lá e estarão sempre lá. Mas que não sejam o corpo do júri. Vamos nos desligar disso.

Que sejam apenas platéia para a nossa grande vitória como ser humano. Como homem. Como mulher. Como indivíduo completo e seguro do que quer na vida. Sem mas e sem explicações desnecessárias.

Vamos deixar de lado as queixas e os traumas. Eles não nos definem. Quando algumas vezes me senti como se estivesse no fundo do poço, a única coisa que me veio à cabeça foi que agora eu tinha acesso fácil à água do poço, não precisava mais de tanto esforço para trazer à superfície. E que, mesmo lá embaixo, eu podia ver o sol. Ora, se não tenho outra alternativa que não seja me por a subir pelas paredes do poço?

Afinal, não somos feitos de açúcar e nem muito menos feitos para desistir em função das circunstâncias.

Fácil não é. Penso todas as noites em desistir. Então, chega o dia outra vez e com ele a promessa de uma nova oportunidade. Cada novo dia para mim não é um dia a ser riscado no calendário. É para ser vivido. Intensamente. Com aquela reverência digna das grandes honrarias que fazemos só ao que é realmente importante. Em frente ao espelho digo a mim mesma que hoje é um grande dia. É o meu dia. E, assim, eu envio um recado ao universo e para os outros:

Eu sou a protagonista da minha história. Na infinidade da vida onde estou, tudo está e continuará bem. Bem do jeito que deve ser.


Direitos autorais autorais da imagem de capa licenciada para o site O Segredo: jovicavarga / 123RF Imagens





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