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O que poderemos enxergar e aprender, quando tudo isso passar

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Muitos permanecerão do mesmo jeito, inconstantes, incrédulos, amedrontados. Outros, noutro nível, menos eu, mais nós. E que sejamos eu e você.



Se existisse algo para medir, quantificar, qualificar nossas atitudes ou a falta delas diante de algumas situações seria interessante, né? Não conseguimos acertar com exatidão o quanto aceitamos, suportamos, compreendemos, toleramos o que se apresenta diante de nós.

Muitos têm pouca noção do quanto gostariam de estar sozinhos, ficar sozinhos ou do quanto precisam de pessoas por perto, por um longo ou curto período.

Talvez, por esses dias, a gente consiga refletir melhor sobre isso. O quanto eu consigo aderir às regras. O quanto eu me envolvo ou renuncio. O quanto eu reclamo, refaço, reinvento.


Estamos pensando no amanhã o tempo todo ou conseguimos ficar por alguns instantes no aqui e agora. O quanto resiliente consigo ser. Dá para me acalmar sem incomodar o Universo, querendo que as coisas aconteçam ao meu modo?

Há muita gente por aí preocupada demais com suas preocupações. Gente se ocupando em tirar a paz dos outros. Gente se isolando no meio de muitos e outros querendo ter voz ativa o tempo todo.

Muitos estão adoecendo, consumindo-se e consumindo, deprimindo-se além do normal. Alguns se envolvendo em lembranças boas e bobas. Outros, entristecendo e choramingando pelos cantos por causa delas.

Os melhores estão trazendo leveza, fazendo rir, compartilhando piadas, frases positivas, energias elevadas neste período conturbado, sem perder a responsabilidade, e com os pés no chão com o que se passa.


Uns disseminam luz. Outros, inverdades que se replicam e iludem. Uns elucidam, colocando-nos em nossos lugares e abrindo nossos olhos.

Uns se distraem com músicas, filmes e qualquer coisa que apareça nas redes sociais. Porém, há quem prefira silêncio, leitura, oração. Uns reverberam o medo. Outros não se deixam levar pelas incertezas. Uns evocam e provocam o pânico. Outros preferem confiar.

Há mentes que acalmam, que se encontram, se integram. Há pensamentos acelerados, inquietos. Há quem passe pelos dois momentos e consiga equilíbrio. Há quem surte.

Há saudades e arrependimentos, obediência e cautela. Quantos vão identificar diferenças gritantes na convivência mais próxima? Prefeririam estar distantes, nem tão perto ou não tão juntos. Há ainda os que conseguem se conectar ainda mais.


Claro que há milhares que nem reparam nessas coisas, na quantidade de tempo que dispensaram, trabalharam e se doaram. E o descanso foi tão pouco. E não nos esqueçamos dos que estão em luto.

Cada um de uma maneira mais profunda ou com conclusões rasas vai poder observar que tipo de ser humano é ou se tornou com a experiência. Nem todos vão se sair melhores desta. Nem todos vão sair. Nem todos vão. Muitos permanecerão do mesmo jeito, inconstantes, incrédulos, amedrontados. Outros, noutro nível, menos eu, mais nós. E que sejamos eu e você.

 

Direitos autorais da imagem de capa: Guillaume Bolduc/Unsplash.


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