O que te faz mais forte é o marco zero de toda uma vida



O que te faz mais forte (Stronger, 2017)

Fazer resumo de um filme tão rico em detalhes e lições é um grande desafio! O que te faz mais forte é um drama instigante e que prende o espectador até o fim. Vou expor aqui os pontos que mais me chamaram a atenção.

O enredo estrelado pelo brilhante Jake Gyllenhaal fala sobre a história verídica extraída de livro homônimo de um jovem norte-americano que perde as duas pernas durante o atentado à bomba ocorrido durante a maratona de Boston, em 2013.

Nesta ocasião, Jeff Bauman lutava por não perder em definitivo o amor de sua namorada Erin, que reclamava constantemente de suas atitudes inconsistentes e imaturas (incluindo o fato de sempre marcar eventos com o namorado e ele não ir).

Em meio a idas e vindas do relacionamento, Jeff propõe estar presente na maratona como incentivo para a namorada voltar a acreditar nele.

O que parecia ser o início de um final feliz, na verdade é o surgimento de uma nova ordem, na vida de Jeff e de todos os que o circundam. Aquela máxima que diz que sempre há um propósito a ser cumprido em todas as coisas é uma afirmação presente em todo o decorrer do filme.

O centro da trama adaptada para o cinema é a vivência do luto pelo protagonista a partir da perda de suas duas pernas. Ele não vê outra alternativa a não ser conviver com as vicissitudes da mutilação e reconduzir uma vida a partir disto. Coisa esta que ele não sabia fazer muito bem sozinho e com as duas pernas por inteiro…

Luto é o período compreendido entre a (iminente) perda de algo (emprego, posição social) ou alguém (parente, cônjuge, amigo) até a adaptação/ressignificação deste mesmo evento na vida da(s) pessoa(s) que sofre(m) tal coisa. As crises durante este tempo são presentes e necessárias para que se todo o propósito, como disse anteriormente, seja concluído.

Como uma lagarta preparada para ser uma borboleta dentro da crisálida, Jeff começa a ser habilitado para ser um homem em sua totalidade, apesar do aleijamento.

Neste processo, questões delicadas vêm à tona de modo a “arrumar a casa”, no que diz respeito aos relacionamentos humanos. Há cenas que mostram como as fragilidades e caráter da família são afetados quando precisam lidar com a realidade de um dos membros que precisa de cuidados especiais, como é o caso de Jeff.



Não raro, o rapaz encontrava-se imerso em ataques de pânico, por se se sentir no dever de dar conta da fama de herói nacional que a mídia e a sociedade americanas lhe imputaram, ao mesmo tempo que se sentia inútil e impotente diante do novo estado de coisas. Nestas cenas, vemos Jeff sendo visitado por lampejos de lembranças traumáticas relacionadas ao momento da explosão das bombas, juntamente com crises de ansiedade. Sintomas estes típicos do transtorno do estresse pós-traumático (TEPT), uma manifestação psiquiátrica atrelada a eventos extremamente traumáticos, que ofereçam perigo iminente de morte ou ameaça à integridade física, como por exemplo: sequestros, catástrofes naturais, acidentes.

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Jeff é espelho de nossa humanidade, que se mostra muitas das vezes infantil e medrosa, portanto teimosamente estagnada num conformismo indolor. Mas a vida manifesta encontra o seu lugar exatamente no que nos dói, no que nos toca, e no que sentimos. O que te faz mais forte nos faz olhar para as perdas não como um tabu, mas como parte de um processo útil e necessário para a nossa própria evolução.

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Jake Gyllenhaal e o verdadeiro Jeff Bauman


Créditos das Imagens: Divulgação






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