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O reencontro com o feminino…

Com o advento da pílula anticoncepcional, e toda a polêmica que se iniciou e ainda persiste, foi o início de uma revolução hormonal e social no mundo.



Como toda tecnologia, tem seus prós e contras, mas se pode afirmar no geral que mudou a estrutura do que chamamos família até então. De seis filhos a perder de conta, era o número de crianças gerados por famílias então, ajudavam um aos outros e também nos trabalhos da casa, mas ainda assim, a mulher estava sempre grávida, ou convalescendo do parto e amamentando. Não sobrava tempo e energia para alçar outros vôos.

Mulheres com condições ( até hoje existem mulheres que nem sabem da existência de pílulas anticoncepcionais, que não tem condições financeiras para comprar as pílulas anticoncepcionais ou que vivem sob religiões que não permitem o uso da pílula anticoncepcional) passaram a ser donas dos seus ciclos, passaram a decidir por não ter tantos filhos e ir trabalhar e estudar.

Algumas por necessidade, outras por opção, mais uma vez mudando o ciclo da história e da civilização para poder vivenciar outras experiências que não somente a de serem mães e donas de casa.


Conquistando seu lugar pouco a pouco, as mulheres ainda hoje são menos remuneradas que os homens exercendo a mesma função e trabalhando o dobro para render, no início da revolução anticoncepcional faziam parte da minoria ativa trabalhista, mas foram trabalhando seu espaço pouco a pouco em um mundo aonde o patriarcado já vinha reinando desde antes da época das inquisições. As inquisições insanas acabaram com muitas mulheres sábias e que viviam de forma diferente das leis do seu tempo.

Quanto conhecimento desperdiçado em medo e misticismo infundados. Através de obras como o Malleus Maleficum de 1487, as mulheres eram vistas como perversas e cheias de sensualidade tentadora e satânica, pois o estereótipo da queda do Eden através da tentação de Eva permeava a sexualidade casta da época ditada pelas regras da igreja católica. Eva é o arquétipo da pecadora arrependida, vinda da coluna de Adão, nascida do homem, enquanto que a primeira esposa de Adão, Lilith não se menciona em nenhum livro santo – todos livros esses, escritos por homens.

Eva tem que levar o peso da expulsão do Eden nas costas e parir com dor, pois ela se deixou tentar pela serpente e comeu do fruto da árvore de bem e do mal, uma maçã. É de Eva a culpa de ter tentado Adão e de ter causado a caída do Eden.

A mulher é a perversa cheia de lascívia que só visa a caída do homem, tentando – o com seu corpo demoníaco. Será que já nos livramos desse estereótipo? Os homens temiam tanto o poder feminino que destruíram todo o amor próprio que as mulheres possuíam usando Deus e a religião para isso. A Bíblia é um livro histórico como qualquer outro, que não foi traduzido ao pé da letra por nenhuma dominação patriarcal pela pura falta de interesse.


Tudo foi e é manipulado para servir outros interesses. Na verdade muitas culturas continuam permitindo esses comportamentos citados em livros de origem obscuras que fomos ensinados a não questionar como normal, os extremos são tão absurdos como as legendas mesmas.

Essa dor, essa humilhação prestado a todas as mulheres, foram passadas de geração a geração como um carimbo na alma, deixando muitas com a sensação de impotência. Quantas mulheres continuam sem ter voz para assumir seus direitos, o que realmente desejam? Uma situação é a do casal trabalhar juntos para um fim, outra é a mulher se sacrificando pelos filhos e marido completamente anulada nas suas necessidades.

Quantas sofrem dentro de casa ainda meninas assédio sexual, Passam fome, são vendidas ainda meninas a um homem muito mais velho, vendidas a prostituição, não ter direito de ir a escola, apanham do marido?

Muito mudou desde que tomamos a pílula e conquistamos o mercado de trabalho. Mas muito continua como sempre foi desde que a humanidade existe e o patriarcado assumiu o controle da matriz. O patriarcado é a matriz. E encontrou outras maneiras de colocar as mulheres sob controle, algumas não menstruam mais, o corpo deixa de produzir naturalmente a ovulação, e quando de repente querem ter filhos, passam por um processo longo de re-habilitação do sistema hormonal, ou já adentrando sues quarenta, nos suprimem à reposições hormonais sintéticas esquecendo que existem maneiras alternativas de equilibrar o sistema hormonal de forma holística. E o resgate do nosso poderoso Eu Feminino é nossa liberação coletiva das garras do medo que nos foi implantado por séculos de preconceito e desvalorização. Isso é certo, isso é errado, podemos isso, mas não aquilo, quando não desejamos filhos, pois bem, anticoncepcionais, mas quando desejamos filhos, pois bem, tratamentos longos e caríssimos de fertilidade, está na hora de assumirmos nossa intuição. E saber o que necessitamos através da nossa bússola interna. Mas temos que ir caminhando de mansinho, para não gerar animosidade extrema.


O gigante está desperto e acordado, se fazendo de carneirinho para não ser notado – afinal a única vantagem de um homem sobre uma mulher continua sendo a força física não é? Mas a revolução que depois da pílula anticoncepcional que não pode ser parada é a revolução da consciência das mulheres, do seu valor, de não deixar acontecer o mesmo com suas filhas, de ter garra para mudar, transformar e transcender tudo. E serem felizes. Cheias de si em sua sensualidade criativa, Cheias de vida. Aqui nem para falar de vingança pois não existe tempo nem desejo de continuar atadas a emoções de baixa vibração. Ser feliz e é a lição, não importa como foi o passado ou os horrores presenciados.

A maior vitória é a interna, de não se apegar ao sofrimento e tocar adiante radiante de vida. E amorosamente recordar aos homens que existe um caminho diferente que pode ser trilhado juntos. O caminho do amor e da paz. Como exemplo a ser vivido.

Eu Sou, Noeli Naima.


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